Foto Rodrigo Silva

Atnágoras Lopes, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas e da Direção do PSTU

No início da madrugada deste 29 de julho, sexta-feira, foi encerrada a apuração das eleições do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense. Por uma larga vantagem, a Chapa 2, “A Hora da Mudança”, apoiada pela CSP-Conlutas, foi consagrada vitoriosa, com 67% dos votos. Em segundo lugar ficou a Chapa 1, da situação e ligada à Força Sindical, com 19%, seguida pela Chapa da CUT, com 13%.

Mais do que uma importante vitória que resgata o sindicato para a luta dos trabalhadores, esse resultado é expressão direta da intensa luta e mobilização protagonizada pelos operários da CSN em Volta Redonda. A chapa 2 formou-se a partir da Comissão de Base organizada durante o duro enfrentamento contra a empresa, enfrentando-se também contra a burocracia que há mais de 10 anos estava encastelada na direção da entidade, entregando direitos e tornando-se, na prática, agente direto da patronal na categoria.

A chapa 2 bateu de frente ainda com a chapa da CUT, que se utilizou de uma série de calúnias, cumprindo um papel de coluna auxiliar da burocracia. A chapa 2 é composta por operários novos, do chão de fábrica, que tem à frente Edimar Pereira e Odair da Silva, membro da Comissão que foi demitido durante a greve e posteriormente reintegrado. A chapa 2 também é apoiada por uma série de sindicatos e pela CTB.

A CSP-Conlutas e a militância do PSTU estiveram desde o início da mobilização acompanhando a luta dos operários da CSN, constituindo-se em apoios fundamentais para a organização e o fortalecimento da Comissão de Base. Em maio, a Comissão de Base da CSN da Unidade Presidente Vargas, de Volta Redonda, oficializou sua filiação à CSP-Conlutas durante a reunião da Coordenação da central, em São Paulo.

“O peão voltou”: Greve histórica contra a superexploração

Ao coro de “o peão voltou”, os operários da CSN em Volta Redonda cruzaram os braços no dia 5 de abril. Há 3 anos sem reajuste e sofrendo com os piores salários do setor, mesmo numa das maiores empresas da América Latina, a recusa da siderúrgica em conceder nem ao menos o reajuste da inflação foi o estopim para a explosão da mobilização. Do outro lado, o presidente da CSN, Benjamim Steinbruch, anunciava lucros recordes de R$ 13 bilhões.

A resposta da CSN foi truculência e intransigência. Além de se recusar a negociar, demitiu mais de 100 operários em retaliação à greve. A mobilização da Comissão de Base, porém, conseguiu reverter parte das demissões.

A superexploração a que os operários da CSN em Volta Redonda são submetidos, com salários de até R$ 1300 e aumento sucessivo da jornada de trabalho, e a indignação causada pelo aumento bilionário dos lucros de Steinbruch e dos grandes acionistas da empresa, fizeram explodir a mobilização. Da luta contra a patronal, e diante da omissão da direção do sindicato, os operários viram a necessidade da organização pela base para avançarem. Agora, após essas eleições, terão a entidade não mais como um entrave, mas como apoio e impulsionador das lutas.

O sindicato vai retomar o seu caminho de luta após a valorosa greve que passou por cima da direção da entidade“, afirma Luiz Carlos Prates, o Mancha, da Executiva da CSP-Conlutas e da Direção do PSTU. “E agora vamos estender essa mobilização para o conjunto dos trabalhadores para que os sindicatos voltem a ser instrumentos de luta, para que ganhe a democracia operária, a independência de classe, a independência em relação aos governos e aos patrões“, finaliza.