O Atlas da Violência 2020 publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) ontem, 31/08, mostra que as mulheres negras têm três vezes mais chance de serem mortas na Bahia. Em 2019, 92% das mulheres baianas vítimas de homicídios eram negras, enquanto 8% eram brancas, indígenas ou amarelas.

Sem considerar as inconsistências nos dados do Ministério da Saúde e também as mortes violentas por causa indeterminada (MCIV), apesar do alto índice de mulheres negras assassinadas, a Bahia vê uma pequena redução no número desde 2016 no número absoluto. Contudo, entre 2009 e 2019, a taxa de feminicídios por grupo de 100 mil mulheres aumentou em 17,2%.

Por outro lado, o número absoluto de mulheres brancas, indígenas e amarelas assassinadas entre 2009 e 2019 caiu 6,3%. Se comparado com o resultado em 2018, a redução é ainda maior, com 31,8% a menos de feminicídios registrados em 2019 em comparação a 2018.

Brasil

Entre 2009 e 2019, caiu o número de mulheres não negras assassinadas em nosso país, de 1.636 para 1.196, um decréscimo de 26,9%. No entanto, o feminicídio de negras cresceu de 2.419 para 2.468, o que representa cerca de 2%. O relatório Atlas da Violência aponta para a necessidade de se direcionar investimentos com a noção de que o racismo e a discriminação são fatores de desequilíbrio nesta realidade.

O Atlas mostra que, em geral, incluindo homens e mulheres de todas as faixas etárias, pretos e pardos representam 77% das vítimas de homicídios no país. Ou seja, a hipótese de uma pessoa negra ser assassinada no Brasil é 2,6 maior do que outra não negra. Em 2019, a taxa de letalidade de negros foi 162% superior do que outras raças.

A Bahia ocupa o 4° lugar no ranking de estados que mais teve pretos e pardos mortos em 2019, com uma taxa de 47,2 para cada grupo de 100 mil. A região perde somente para Amapá (51,1%), Sergipe (51,5%) e Rio Grande do Norte (55,6%).

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