O povo Ka’apor realizou o 2º Encontro de Governança e Autodefesa | Foto: Rosi Pantoja

O povo Ka’apor realizou, entre os dias 18 e 20 deste mês, o 2º Encontro de Governança e Autodefesa. O evento teve como pauta central a organização interna e o mapeamento etnocartográfico do território.  Durante o Encontro, foi criada a 11ª área de proteção do território Ka’apor, no município de Nova Olinda (MA).

Para além de proteger a floresta em si, as áreas de proteção representam uma estratégica de impedir a entrada de madeireiros e outros criminosos. Elas são novas comunidades criadas na rota de entrada ilegal. A intenção é que a presença da nova comunidade impeça a entrada de agressores, o que tem conseguido sem a necessidade do confronto físico.

As áreas de proteção impedem que aqueles que invadem ilegalmente o território continuem a lucrar com a destruição da natureza e a agressão ao povo Ka’apor. Por isso, os criminosos começam a reagir.

O Território Alto Turiaçu é apenas uma parte de uma extensa área que pertencia ao povo Ka’apor. Ele fica na fronteira com o Pará, na Amazônia maranhense, se estende por áreas de alguns municípios maranhenses. É uma das últimas áreas de floresta amazônica no Maranhão.

Apesar de ser homologado, o território sofre invasões ilegais de madeireiros, caçadores, grileiros e pressão de mineradoras. Madeireiros extraem ilegalmente a madeira do território e, para isso, contam com a omissão do governo estadual, das polícias locais e federal e conivência de órgãos federais, como o Ibama ( Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e a Funai (Fundação Nacional do Índio).

Os agressores ainda recebem o apoio do governo Bolsonaro, que busca legalizar a destruição das florestas e regularizar a mineração em território indígena. Alguns prefeitos da região já se anteciparam autorizando abertura de garimpo no município e apoiam extração ilegal de madeira no território Ka’apor.

Apoio aos Ka’apor

As inúmeras agressões ao território Ka’apor, a outros territórios indígenas e quilombolas são de conhecimento do governado Flávio Dino (ex-PCdoB e atualmente PSB) e seus secretários que pouco ou nada fazem para impedi-las.

Os Ka’apor lutam e organizam a autodefesa de seu território, força que já demonstraram em diversas ocasiões ao longo de sua história. Estamos ao lado dos Ka’apor. Exigimos proteção aos indígenas e a investigação e prisão dos criminosos que extraem ilegalmente madeira do território e perseguem, ameaçando e planejam agredir e cometer assassinatos das lideranças indígenas, como aconteceu anos anteriores, sem que os mandantes e executores fossem penalizados.

Os Ka’apor lutam e organizam a autodefesa de seu território | Foto: Divulgação

Campanha

Mais de 150 entidades e movimentos sociais assinam um manifesto em apoio ao povo Ka’apor, exigindo que os governos adotem medidas de proteção aos indígenas.

Moções de pessoas e entidades contra a agressão ao povo Ka’apor devem ser enviadas para:

– Governo do Estado do Maranhão: [email protected];
– Secretaria de Segurança Pública: [email protected];   [email protected];
– Ministério da Justiça e Segurança Pública: [email protected];  [email protected];

Enviar com cópia para: [email protected].