Está tudo muito caro, a gente não sabe mais o que fazer, vem fazer compra e não sabe o que comprar. A gente não consegue comprar mais carne, pois o dinheiro não dá. Eu sou aposentada e continuo trabalhando”, disse, chorando, a aposentada Suzete Maria da Silva, à reportagem da TV Gazeta, afiliada da Globo em Alagoas.

O depoimento de dona Suzete, feito à TV, na última quinta-feira, dia 15, viralizou na internet, pois a situação de desespero, raiva e revolta da aposentada é compartilhada por milhões de brasileiros.

Itens com a carne bovina tornaram-se artigo de luxo. O preço disparou, em 12 meses a alta acumulada já chega a 38% no país, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado em junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em algumas regiões, o aumento no preço das carnes foi ainda maior. O IPCA aponta que em Rio Branco, capital do Acre, a alta acumulada do produto em 12 meses é de 59,27%. Já na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), o aumento foi de 43,88% no período. Os preços elevados fizeram o consumo de carne bovina no Brasil cair para o menor patamar em 25 anos, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O dinheiro tá curto, estamos consumindo apenas o básico. Carne a gente come uma vez na vida e outra na morte. Passamos a comer outras coisas, mais baratas. Mesmo esses outros itens, que estão mais baratos que a carne, também sofreram reajuste. Onde vamos chegar?”, questiona a auxiliar de escritório Flávia dos Santos, moradora do bairro do Lobato, em Salvador (BA).

Na capital baiana, de acordo com o IBGE, a cesta básica teve um aumento de 11,5%. Em junho do ano passado, custava R$ 419,18. Hoje, custa R$ 467,30. Isso corresponde a 42,4% do salário mínimo.

Se eu gasto quase a metade do meu salário com cesta básica, vai sobrar pouco para pagar a energia, que também está cara, adquirir itens de higiene, pagar transportes e outros itens de primeira necessidade. Tudo aumenta de preço, mas o salário segue o mesmo. Tá muito difícil”, ressalta Flávia.

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Assim não dá

Gás de cozinha: preço lá em cima!

Já não está fácil colocar comida na mesa, e a situação fica mais complicada com os constantes reajustes no preço do gás de cozinha. De julho do ano passado até julho deste ano, foram 12 reajustes praticados pela Petrobras e mais dois pelas distribuidoras. Em Salvador, o preço do botijão passou de uma média de R$ 62,00 para R$ 100,00.

Eu trabalho vendendo salgados. O gás é fundamental. Mas o preço que tá reduz o pouco que eu ganho. Se eu aumentar o preço, piora a venda. Meus clientes são pessoas aqui do bairro, que têm uma vida difícil como a minha. A situação está a cada dia pior”, lamenta Eunice do Nascimento, do bairro de Itapuã, em Salvador.

A alta constante no preço do gás de cozinha é resultado da política aplicada pelo governo Bolsonaro, que acompanha o valor do produto no mercado internacional, custos de importação e a variação do câmbio. Assim, desde o início de 2019, os preços só aumentam.

Isso tem obrigado que milhões de famílias passem a utilizar a lenha para cozinhar. Em maio do ano passado, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad- Contínua), do IBGE, 14 milhões (19,8%) dos 71 milhões de lares utilizam lenha para cozinhar. Sem dúvida, esse número já é bem maior.

Novo aumento

Combustíveis e conta de energia: mais reajuste!

Seguindo o mesmo parâmetro do reajuste dos preços do gás de cozinha, baseado no valor do produto no mercado internacional, temos visto os preços da gasolina e do diesel subirem quase todos os meses. Somente neste ano, a Petrobras reajustou o preço da gasolina nas refinarias em 47%. Em janeiro, o litro custava em média R$ 4,65, agora está em R$ 6,00. Já o diesel subiu cerca de 40% no acumulado do ano.

O que também subiu de preço foi a energia. Desde o mês passado, teve um reajuste tarifário da bandeira vermelha, patamar 2, de 52% em cima do valor da bandeira. Aqui na Bahia, em abril último, a Coelba reajustou a conta para os clientes residenciais em 7,82%.

Tanto o reajuste no gás cozinha quanto o de combustíveis e energia é resultado das políticas privatistas. A Petrobras vem passando por um forte desmonte, através de um plano de desinvestimento da estatal, iniciado no governo Dilma (PT), continuado por Temer (MDB) e que segue a todo vapor no governo de ultradireita e entreguista de Bolsonaro.

No dia 21 de junho, a Câmara Federal aprovou a privatização da Eletrobras, a sexta empresa mais lucrativa do país atualmente, que responde por quase 30% da geração de energia de todo o território nacional. A entrega da estatal ao capital privado é um ataque à nossa soberania energética, que só favorece as empresas multinacionais, que estão apenas preocupadas em lucrar. Quem vai pagar a conta é o povo brasileiro, que terá que desembolsar mais dinheiro para ter acesso a um serviço essencial.

Foto Roosevelt Cassio/SindmetalSJC
Programa

Derrotar a política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes

É preciso derrotar a política econômica de Bolsonaro e do seu ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem levado ao aumento do desemprego, da fome e da pobreza. No grupo que reúne os 20 países mais ricos, o Brasil está na primeira posição no ranking do encarecimento do custo de vida durante a pandemia da Covid-19.

Enquanto os preços sobem, a renda média do brasileiro despenca. Segundo estudo do FGV Social, a queda foi de 11,3% durante a pandemia. O valor de R$ 995,00 está abaixo do salário mínimo atual (R$ 1.100,00) e é o menor registrado em quase dez anos.

Hoje estima-se que os brasileiros vivendo na extrema pobreza tenha triplicado no período, chegando a 27 milhões de pessoas. Cinquenta e dois milhões vivem na pobreza e 4,9 milhões de famílias deixaram a classe média para integrar a classe baixa.

Apesar de todo esse cenário de carestia e empobrecimento, o governo Bolsonaro segue alheio e, mesmo com a crise sanitária e social em meio à pandemia, mantém um salário mínimo aquém da necessidade de uma família. Impôs a contragosto um auxílio emergencial de R$ 600,00, que depois foi reduzido para valores irrisórios, entre R$ 150,00 e R$ 375,00 por família.

Taxar os ricos

Para acabar com o aumento dos preços e garantir que os trabalhadores tenham condições de se alimentar e comprar os itens necessários à sobrevivência, é preciso enfrentar os ricos, que ganham muito dinheiro com a miséria da população trabalhadora. No Brasil, durante toda a pandemia, os pobres ficaram mais pobres, e os ricos ficaram mais ricos. Se o governo taxasse em 40% as fortunas dos bilionários, daria para garantir o auxílio emergencial até o final da pandemia para todos que precisam.

Congelar preços e aumento do mínimo

É preciso congelar os preços de alimentos e itens básicos de higiene e limpeza, de tarifas como a água e energia, além de reajustar o salário mínimo. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo ideal para sustentar uma família brasileira seria de R$ 5.351,11. Esse valor supera em quase cinco vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100,00. Mas o Congresso Nacional, antro da corrupção no país, aprovou na quinta-feira, dia 15, a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2022, em que projeta um salário mínimo de R$ 1.147,00, ou seja, um vergonhoso aumento de R$ 47,00. Enquanto esses mesmo parlamentares aumentaram de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões as verbas destinadas ao financiamento eleitoral em 2022.

Abaixar preço do gás

Quanto ao gás de cozinha e combustíveis, é possível produzi-los pela metade do preço que é comercializado hoje. Para isso, é preciso investir e fortalecer a Petrobras, contudo, a política tem sido de desmonte e de entrega da maior empresa estatal ao capital estrangeiro.

A luta contra o aumento do preço do gás de cozinha e dos combustíveis tem de ser acompanhada pela defesa da Petrobras 100% pública e estatal, controlada pelos trabalhadores. Só assim teremos uma empresa que vai atender às necessidades da população brasileira, e não os interesses do mercado capitalista e das multinacionais parasitas que sugam e roubam nossas riquezas.

A Petrobras é uma empresa de grande importância para nosso país. Sozinha, é responsável por 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e todo o ramo do petróleo chega a 13% da riqueza criada no Brasil.

Mas a política de Bolsonaro é de desmonte e privatização das estatais, como fez recentemente com a Eletrobras. É preciso nacionalizar o sistema de energia no país, para barrar os aumentos constantes, impostos pelas empresas privadas que controlam o setor.

Organizar  os trabalhadores

Por último, é preciso ligar a luta por essas medidas concretas à auto-organização dos trabalhadores, a partir de baixo, para derrubar esse governo reacionário e entreguista. No próximo dia 24 de julho, temos que ocupar as ruas do país e fazer ecoar mais forte o grito pelo Fora Bolsonaro, Mourão e Paulo Guedes já!