Foto Articulação das Pastorais do Campo

Indígenas que participavam do Levante Pela Terra, jornada de mobilizações contra o PL 490, foram brutalmente reprimidos pela tropa de choque da Polícia Militar na tarde desta terça-feira, 22, quando tentavam acompanhar a discussão do projeto na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

A Polícia Militar atacou de forma indiscriminada os indígenas em frente ao anexo II da Câmara, com bombas de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. Entre os representantes dos 48 povos originários que participavam do protesto pacífico, havia muitos idosos, mulheres e crianças. “Mesmo com indígenas feridos, os policiais seguem com os disparos“, relatavam participantes segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

Segundo a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), dois indígenas, um homem e uma mulher, foram gravemente feridos e levados ao Hospital de Base de Brasília. Uma dezena de crianças, idosos e mulheres foram atendidos no acampamento Levante Pela Terra. “Fomos brutalmente atacados de forma covarde antes de chegarmos para acompanhar a votação. Nós temos indígena feridos e a polícia jogou bomba encima dos paramédicos dificultando o atendimento“, relatou Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib.

Ataque aos territórios indígenas

O PL defendido pela bancada ruralista modifica os direitos territoriais dos povos indígenas garantidos pela Constituição. Segundo o Cimi, ele inviabiliza a demarcação de terras indígenas e possibilita que terras já demarcadas sejam exploradas pelo agronegócio, mineradoras, possibilita a construção de hidrelétricas, entre outros empreendimentos econômicos.

Entre os ataques do PL 490 está ainda o chamado “marco temporal”, tese segundo a qual povos indígenas só teriam direito à demarcação se tiverem a posse das terras quando a Constituição de 1988 foi promulgada.

A reunião da CCJ foi suspensa e transferida para esta quarta-feira, 23. Caso passe na comissão, ela segue para votação no plenário.

Foto Apib

A repressão aos povos originários e o PL 490 reafirmam a política de extermínio do governo Bolsonaro às populações indígenas, em favor dos grileiros, do agronegócio e das grandes mineradoras.

Com informações do Cimi e da Apib

Leia também

Marco Temporal: o maior ataque recente contra povos indígenas