O Ministério da Saúde está envolvido em um escandaloso contrato de compra da vacina indiana Covaxin, que tem o envolvimento direto do presidente Jair Bolsonaro. O dinheiro que deveria ser investido na compra de vacina para salvar vidas está sendo desviado pelo ralo da corrupção.

Nesta quarta-feira, 23, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que alertou Bolsonaro sobre indícios de irregularidade na negociação do Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o parlamentar disse que no dia 20 de março foi pessoalmente, acompanhado de seu irmão Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, levar toda a documentação comprovando as irregularidades.

No encontro, Bolsonaro disse que acionaria a Polícia Federal para investigar a situação. O deputado Luis Miranda afirma que não recebeu retorno do presidente ou da PF. “Não era só uma pressão que meu irmão recebia. Tinha indícios claros de corrupção“, disse à Folha.

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Bolsonaro não acionou a PF porque está envolvido diretamente nas negociações. No dia 8 de janeiro, Bolsonaro registrou formalmente uma carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, informando ter incluído o imunizante no Plano Nacional de Imunização. Contudo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sequer tinha avaliado alguma documentação do laboratório Bharat Biotech, responsável pela produção do imunizante. Até hoje, o laboratório não concluiu a fase 3 (última etapa) que aponta a eficácia ou não da vacina. Mesmo assim, ainda fevereiro, Ministério da Saúde pagou US$ 15 por unidade (R$ 80,70, na cotação da época) — a mais cara das seis vacinas compradas até agora.

O governo Bolsonaro demorou 11 meses para responder um e-mail da Pfizer, que oferecia vacinas ao Brasil US$ 10 por dose. Mesmo mais barato que a vacina indiana, o custo do produto da farmacêutica americana foi usado como argumento pelo governo federal para atrasar a contratação, só fechada em março deste ano.

Empresa corrupta

Outra maracutaia no contrato da compra da vacina indiana é o envolvimento da empresa Precisa Medicamentos nas negociações. Diferentemente do que ocorreu na compra dos demais imunizantes, que foram negociados diretamente com seus fabricantes (no País ou no exterior), a compra da Covaxin pelo Brasil foi intermediada por esta empresa, que está envolvida em vários escândalos de corrupção.

Em agosto do ano passado, a Precisa Medicamentos foi alvo do Ministério Público do Distrito Federal, sob a acusação de fraude na venda de testes rápidos para covid-19. A Secretaria de Saúde do governo do DF foi denunciada sob acusação de ter favorecido a empresa em um contrato de R$ 21 milhões.

A Precisa tem como sócia uma outra empresa, também conhecida por suas irregularidades envolvendo o Ministério da Saúde – a Global Gestão em Saúde S. A. Ela é alvo de ação na Justiça Federal do DF por ter recebido R$ 20 milhões da pasta para fornecer remédios que nunca foram entregues. O negócio foi feito em 2017, quando o ministério era chefiado pelo atual líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR), do Centrão.

Corrupção

Corrupção é palavra que define o caso da compra da vacina Covaxin pelo governo de Bolsonaro. Roubar dinheiro da vacina é parte do plano genocida desse governo, responsável pelas mais de 500 mil vidas perdidas para o Covid-19 em nosso país.

Esse contrato deve ser investigado pelo Ministério Público Federal e ser imediatamente suspenso e o dinheiro devolvido aos cofres públicos. Essa grana, que será enviada ao laboratório indiano, tendo uma empresa corrupta como intermediadora, deve ser todo investido na produção de vacinas nos laboratórios nacionais: Butanta e Fiocruz. Além disso, as patentes dos grandes laboratórios devem ser quebrados para a produção em massa no país.

Bolsonaro, que se elegeu com o discurso anticorrupção, é tão envolvido em esquemas e macaracutaias como os velhos políticos do Centrão, seus grandes aliados hoje em Brasília. Fora Bolsonaro e Mourão, já! Cadeia e expropriação dos bens de todos os corruptos e corruptores.