Silvério Fernandes é apoiador de Bolsonaro e é acusado de chefiar uma milícia de fazendeiros na região de Altamira (PA).

REDAÇÃO

O chefe do grupo conhecido como “consórcio da morte”, formado por fazendeiros da região de Altamira, Silvério Fernandes, agrediu e ameaçou nesta terça-feira (17), Eduardo Modesto, ex-vereador e esposo da professora Maria Ivonete Silva, coordenadora do campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Altamira. A universidade foi responsável pelo evento “Amazônia, Centro do Mundo”, que ocorreu em novembro, e sofreu uma invasão de fazendeiros. Informações dão conta que a agressão foi motivada pela realização do evento, que reuniu centenas de indígenas, ribeirinhos, agricultores e ativistas sociais no campus da UFPA, para defender a região contra grileiros, latifundiários e os grandes projetos.

A agressão ocorreu em um restaurante da cidade, onde Eduardo e a esposa jantavam. Acompanhado por capangas e arma em punho, Silvério Fernandes partiu para cima de Eduardo Modesto.

O casal foi à Delegacia de Altamira registrar ocorrência e novamente foi agredido por Silvério Fernandes. Desta vez, a agressão foi em frente aos policiais, que tiveram que contê-lo.

Docentes estão sendo intimidados
Docentes UFPA estão sendo intimidados e coagidos por ruralistas e fazendeiros no estado do Pará. Gilberto Marques, diretor-geral da Associação de Docentes da UFPA (Adufpa – Seção Sindical do ANDES-SN) e Anderson Serra, professor do campus da UFPA em Altamira, gravaram um vídeo, em apoio à luta dos trabalhadores rurais do município de Anapu. Em menos de uma semana, entre os dias 4 e 9 de dezembro, ocorreram dois assassinatos na região e, ao que tudo indica, os crimes estão relacionados a conflitos agrários históricos naquela área.

Em mensagens e áudios vazados por aplicativos de celular, os docentes são chamados de bandidos, vagabundos e acusados de promover a desordem e incitarem ocupações de terras. Os ruralistas citam casos de lideranças que foram assassinadas mesmo tendo “costas quentes” de políticos e defendem que Gilberto Marques e Anderson Serra sejam enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Não é possível identificar os autores das mensagens e dos áudios.

Segundo o professor Gilberto Marques, o clima no local é tenso. “Apesar da apreensão, há muita disposição para a luta. Movimentos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e de agricultores estão organizando lutas na Amazônia e seguiremos dando nosso apoio“, afirma o professor.