Extrema direita financia barco contra resgate de refugiados

C-Star, o barco financiado pela extrema direita para conter refugiados. A faixa diz “Vocês não vão fazer da Europa seu lar”

Um grupo da extrema direita europeia resolveu fretar uma embarcação para combater a chegada de refugiados ao continente Europeu. O projeto recebeu o nome de Defenda a Europa (Defend Europe) e é composto por pessoas de vários países.

A ideia surgiu a partir de integrantes da chamada Geração Identitária – a nova direita européia. Embora insistam em dizer que não são xenófobos (que tem ódio por estrangeiros), culpam os imigrantes por boa parte dos problemas que hoje a Europa enfrenta. O movimento surgiu na França e se propõe “reconquistar o território perdido para os imigrantes”. O grupo não se baseia na violência direta, como neo-nazistas ou skinheads, mas faz um intenso uso de propaganda pela defesa dos “valores tradicionais”, contra uma suposta invasão do continente pelos valores estrangeiros. Surgido em 2002, o movimento se diz contrário a geração do Maio de 1968.

Através de um financiamento coletivo na internet, o Defend Europe já arrecadou mais de 160 mil euros (pouco mais de R$580 mil). E foi com esse dinheiro que fretaram o barco batizado de C-Star. Segundo os próprios organizadores, o projeto tem por missão desmascarar as ONGs que ajudam os refugiados. Segundo eles, as ONGs estariam facilitando e incentivando a entrada massiva de migrantes indistintamente, e não apenas de “refugiados” – seja lá o que eles entendem por isso.

Para isso eles prometeram não só impedir os resgates, como destruir embarcações abandonadas (impedindo-as de serem reutilizadas) e levar migrantes resgatados aos seus países de origem. “Não somos especialistas em socorro e não pretendemos fazê-lo. Porém, se tivermos que fazer, e essa é a última hipótese, os devolveremos à Líbia”, afirmou Lorenzo Fiato, o italiano pota-voz do projeto.

General Angus Campbell, da Austrália, explicando a política de fronteiras fechadas do país.

O projeto também pretende pressionar as autoridades europeias a adotarem uma política de fronteira semelhante a da Austrália. Ou seja, de proibição e de não acolhimento de nenhum imigrante ilegal. O governo australiano chegou a divulgar um vídeo em que o General Angus Campbell, atual chefe das forças armadas, explica e defende a política de fronteiras. O mote da campanha é  No way – you will not make Australia home (De maneira alguma – vocês não fará a Austrália seu lar). A frase de efeito foi adotada pelo movimento que divulgou uma foto do barco com uma faixa dizendo “Vocês não vão fazer da Europa seu lar“.

Em sua conta na rede social Twitter, o grupo faz postagens em, pelo menos, cinco línguas diferentes. O projeto também faz referências diretas à propaganda nazista (que se dizia defender a Europa), às cruzadas e a alguns outros figurões como Donald Trump.