ELEIÇÕES 2018 | Alckmin: Com o centrão da corrupção e reformas na manga

O presidente do Partido Trabalhista Brasileiro, Roberto Jefferson, o deputado Jovair Arantes e o ex-governador Geraldo Alckmin durante convenção em que o PTB anuncia o apoio à candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República.Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Na última semana, o país assistiu, com um misto de nojo e indiferença, à verdadeira barraca de feira montada para ver quem levava o apoio do chamado “centrão”, o conjunto de partidos corruptos formado pelo PR, PRB, DEM e Solidariedade. Com o cacife da máquina partidária do PSDB, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, levou a baciada desses partidos no leilão. Ganhou em tempo de TV: mais da metade do horário eleitoral. O pagamento já está sendo programado com o loteamento de um futuro governo e a promessa de benesses, como a volta do imposto sindical exigido por Paulinho da Força.

O que está sendo mostrado como sinal de força por boa parte da imprensa, no entanto, pode acabar saindo caro. Alckmin já estava enrolado numa série de denúncias, como, por exemplo, os R$ 10 milhões que recebeu da Odebrecht nas campanhas de 2010 e 2014. Agora, no entanto, com nomes como Valdemar da Costa Neto, presidente informal do PR, e Roberto Jefferson, dono do PTB que também lhe afiançou apoio nesses dias, vai ficar mais difícil sustentar a cara de pau do discurso contra a corrupção. Tanto Valdemar quanto Jefferson são ex-presidiários do escândalo do mensalão.

O presidente do Partido Trabalhista Brasileiro, Roberto Jefferson, o deputado Jovair Arantes e o ex-governador Geraldo Alckmin durante convenção em que o PTB anuncia o apoio à candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República.Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Além da Odebrecht, Alckmin amarga denúncias de corrupção envolvendo desde as obras do Rodoanel e do trensalão do metrô até a máfia da merenda nas escolas públicas. A proteção da imprensa e a ajudinha da Justiça, porém, não são suficientes para blindá-lo diante da população. O desembarque dessa gangue em sua campanha é só a cereja desse bolo podre.

Alckmin e o PSDB tentam disfarçar, mas a verdade é que é uma candidatura governista que tenta, até o último momento, atrair o apoio do MDB e continuar com os ataques do governo Temer. O tucano já falou que vai fazer a reforma da Previdência logo no primeiro ano de mandato e que vai manter a reforma trabalhista.

Num cenário de grave crise econômica, social e política e de fragmentação brutal da própria burguesia, a candidatura de Alckmin está sendo vista por boa parte da classe dominante como uma saída mais segura. Falta combinar com o povo. O picolé de chuchu tem, até agora, o pior índice de um candidato tucano à Presidência nas pesquisas. Nem mesmo seu próprio partido tem consenso sobre sua viabilidade nas urnas.