Ato do 29M em SP. Foto Sergio Koei

Enquanto fechávamos esta edição, o país se aproximava de meio milhão de mortes notificadas pela pandemia. Como lembra o biólogo Átila Iamarino, o Brasil é o país que mais registrou mortes no mundo em 2021: 293 mil. Isso porque, enquanto em outros países se avançou na vacinação e em medidas como quarentena, ainda que, de forma geral, bastante insuficientes para não atrapalhar os lucros das grandes empresas, por aqui o governo Bolsonaro atuou para que o vírus se disseminasse o mais rápido possível.

Confira

#19J: Mais de 240 cidades já agendaram manifestações pelo Fora Bolsonaro. Veja os locais!

A CPI da pandemia vem revelando os detalhes desse genocídio perpetrado meticulosamente pelo governo. Ao mesmo tempo em que ocorre essa matança, a política econômica levada com Paulo Guedes à frente produz um cenário de terra arrasada, com desemprego recorde, uma queda na renda da população e dos mais pobres só comparada a uma situação de guerra e o avanço da fome.

Desgastado, Bolsonaro responde à crise com mais ataques, ameaças de ditadura e manifestações reacionárias como as “motociatas”. Agora, declarou guerra às máscaras. Com suas ações, faz questão de reafirmar que seu plano é um só: mais mortes, mais desemprego, miséria, mais violência contra a juventude negra e ameaça de ditadura.

É urgente ampliar a unidade para avançar na luta pelo “Fora Bolsonaro e Mourão já!”. Dezenove de junho (19J) está logo aí, e é necessário que façamos desta data um dia ainda maior de protestos e manifestações do que foi o 29 de março. Deixar Bolsonaro sangrar até 2022, como é o plano das direções do PT e de parte do PSOL, é deixar seguir livre o genocídio, o desemprego, a fome e a entrega do país. E é deixar o caminho livre para que Bolsonaro avance em seu projeto ditatorial, inclusive ameaçando com golpe caso perca as eleições, como vem falando de forma explícita.

29M em Maringá (PR). Foto Phil Natal

Precisamos reforçar a luta para derrubá-lo já e discutir, pela base, a necessidade da construção de uma greve geral sanitária, pressionando as direções das principais centrais sindicais, partidos da oposição parlamentar e da Frente Fora Bolsonaro. É necessário seguir o exemplo da CSP-Conlutas e chamar a construção da greve geral sanitária pelo “Fora Bolsonaro, vacina para todos já e emprego”.

Precisamos de vacina para todos já, com a quebra das patentes das grandes farmacêuticas. Precisamos de uma quarentena nacional por, no mínimo, três semanas, e para isso é necessário um auxílio emergencial de verdade, de R$ 600,00 (que deveria ser de um salário mínimo). Precisamos de emprego, direitos e salários.

Neste 19J, vamos às ruas. Com máscaras PFF2, álcool em gel e distanciamento social.

Frente ampla para governar não é solução

Para além do debate de se tirar Bolsonaro já ou esperar 2022, precisamos discutir o que colocar no lugar. Há uma tentativa da conformação de uma candidatura de “centro”, uma alternativa que, na verdade, reúne os setores da direita tradicional. E há a alternativa Lula, que vem chamando a formação de uma frente ampla, ou amplíssima com qualquer outro partido burguês que topar, como o PSDB, DEM, PSD, PSB etc.. Não só uma frente eleitoral, mas um governo com todos esses setores.

Lula propõe um governo de unidade nacional com todos os setores da burguesia, como os banqueiros, a grande indústria, o agronegócio e as grandes redes varejistas. Conta, para isso, com o apoio da maior parte da direção do PSOL, como vem demonstrando cada vez mais Guilherme Boulos. Também expressão disso foi Marcelo Freixo, que propôs, para o governo do Rio, uma chapa incluindo o DEM, se uniu ao economista tucano André Lara Resende e até mesmo ao marqueteiro que bolou o pato da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e em acordo com Lula e aceitação da própria direção do PSOL, acabou de romper com esse partido para entrar no PSB de Márcio França (ex-vice de Geraldo Alckmin em São Paulo).

Ora, são justamente os mesmos setores burgueses que governaram este país por 500 anos, que fizeram do Brasil o país mais desigual do mundo e em que mais da metade da população sobrevive com menos de um salário mínimo. Um país que, embora seja uma das maiores economias do mundo, não garante sequer saneamento para mais da metade do povo. Um governo com esses setores, obviamente, não vai enfrentar o desemprego recorde, resolver a precarização do trabalho ou parar as privatizações e o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS). Tampouco dar um basta no genocídio da juventude negra. Porque foram eles que justamente se beneficiaram dessa situação.

Uma coisa é cogitar, num eventual segundo turno, um voto crítico numa candidatura que não seja de classe diante de uma ameaça autoritária. Outra, bem diferente, é atrelar a classe trabalhadora a um projeto com a burguesia, com um programa que é mais do mesmo do que sempre vivemos e que, inclusive, nos trouxe à situação atual.

Alternativa revolucionária e socialista

Se nas ruas e na luta é preciso unificar com todo mundo que estiver contra Bolsonaro, quando se trata de programa e projeto de país, precisamos fortalecer uma alternativa independente de classe, sem banqueiros, o grande empresariado ou latifundiários. Para isso, é preciso, na luta, avançar na auto-organização da classe trabalhadora, da juventude nas periferias e do povo pobre. É preciso avançar na construção de uma alternativa revolucionária e socialista.

Só um governo dos trabalhadores pode colocar em prática um programa que enfrente os bilionários e os banqueiros para garantir emprego, salário e direitos, além de moradia, saneamento, saúde e educação. Só com os trabalhadores e o povo pobre mobilizados e organizados no poder vamos enfrentar a exploração, o machismo, a violência racista e contra os pobres e a LGBTIfobia.

Baixe aqui boletim nacional do PSTU (em PDF)