Há um vídeo circulando nas redes sociais que compara o número de mortes por Covid-19 no país à capacidade de lotação dos estádios de futebol. “O que são 470 mil pessoas? É um Maracanã, um Mineirão, um Mané Garrincha e mais sete estádios cheios de gente”, diz. Podemos acrescentar um ou dois estádios a mais, já que o Brasil está chegando próximo de meio milhão de mortos por uma doença que já tem vacina.

Esse é o clima funesto e de permanente luto que envolve a Copa América realizada no Brasil, em meio à maior tragédia da nossa história. Enquanto o genocida Bolsonaro grita gol, ao lado de um antro de cartolas corruptos e jogadores milionários, muitos milhares choram por seus mortos e outros tantos tentam garantir algum alimento para si e suas famílias.

A bola rola e a tragédia não para. o Brasil pode até ser campeão do torneio, mas já é o líder mundial de mortes por Covid-19 em 2021. Esse título é, de fato, uma conquista do genocida Bolsonaro.

A mortalidade por Covid-19 no Brasil é 4,4 vezes superior à média global. Em um ano e meio, a pandemia tirou 3,8 milhões de vidas no mundo, o que representa uma morte a cada 2 mil pessoas. No Brasil, em menos de um ano e meio, o vírus matou 490 mil, uma morte a cada 454 pessoas.

Bolsonaro é o maior aliado do vírus. Além de prejudicar o controle da disseminação do vírus, ele segue apostando e promovendo medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19, como a cloroquina e a ivermectina. Medicamentos que, além de não funcionarem, trazem riscos de efeitos colaterais graves, como indicam 99,9% dos cientistas.

Na fracassada motociata realizada em São Paulo no último dia 12 de junho, que reuniu 12 mil bolsonaristas, o genocida defendeu novamente um decreto de não obrigatoriedade do uso de máscara para quem já contraiu o vírus ou para quem já foi vacinado. Desse modo, age no velho método da “tigrada” da ditadura, que fazia atentados a bomba contra jornais, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e até em shows para culpar “a esquerda” e, assim, justificar a manutenção do regime. Bolsonaro era parte dessa laia. Promove a disseminação do vírus, sabota a imunização da lenta e imprevisível vacinação no país para, lá na frente, dizer que a culpa não é dele, mas da “esquerda”, dos “comunistas”, dos LGBTs, dos quilombolas, das ONGs e tudo o mais contra quem dissemina ódio.

CPI: novas revelações

Aos poucos, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia no Senado vai mostrando os bastidores da política genocida do governo. E a lista é farta. O governo recusou inúmeras vezes a compra de vacinas no ano passado. A farmacêutica Pfizer, por exemplo, enviou mais de 80 e-mails ao governo e não obteve resposta. Bolsonaro, inclusive, recusou vacinas a valor 50% menor do pago pelos Estados Unidos e pela União Europeia em 2020. O governo simplesmente não quis adquirir vacinas, e isso custou milhares de vidas, o aprofundamento da crise, a perda de empregos e a quebradeira de pequenos negócios.

A CPI também mostrou a existência de gabinete paralelo formado por negacionistas da pandemia e contrários à compra de vacinas. Essa gente defendia a imunidade de rebanho e os tratamentos ineficazes contra a doença – hidroxicloroquina, cloroquina e ivermectina. Agora o foco das investigações é o financiamento de laboratórios e empresas que lucraram com a venda desses medicamentos ao Ministério da Saúde e injetaram muito dinheiro nas contas de médicos e políticos negacionistas para difundir a campanha pelo suposto tratamento precoce.

Sabe-se que Ministério gastou, no mínimo, R$ 23,3 milhões com campanhas de divulgação do chamado tratamento precoce contra a Covid-19. Certamente, muito mais dinheiro vai aparecer, assim como serão revelados casos de corrupção envolvendo o governo. Afinal, Bolsonaro não pertence somente à “tigrada”. Sempre foi um notório corrupto ligado ao “centrão” que, ao lado de seus filhos, fez fortuna na política.

Não dá pra esperar até 2022

Em Pernambuco a jornada de luta pelo Fora Bolsonaro
e Mourão começou antes do amanhecer, nas portas de fábricas, garagens de ônibus e periferias.

Motivos para derrubar esse governo genocida não faltam. Mas não dá para depositar nenhuma ilusão nessa CPI. Não há interesse em derrubar o governo, o objetivo da oposição parlamentar, incluindo o PT, continua sendo a aposta no desgaste de Bolsonaro para vencer as eleições de 2022. Por isso, há a ameaça de botarem um pé no freio das mobilizações contra o governo, o que é um erro absurdo.

A pandemia vai continuar ceifando a vida de milhares de pessoas com esse governo genocida que tem um projeto de ditadura para o país. E só por esse motivo não podemos esperar até 2022. É necessário dar continuidade à luta e a novas manifestações de forma unitária, como a próxima no dia 19. Esperar pelas eleições é se tornar cúmplice do genocídio em curso no país.

“Cepa América”

Torneio de futebol vai ser criadouro de novas cepas

Numa jogada absurda, Bolsonaro aceitou sediar a Copa América no Brasil com a pandemia descontrolada. A mesma agilidade do governo em aprovar e autorizar a realização do evento não foi vista na aquisição das vacinas, nem de oxigênio para Manaus, nem para aprovação do auxílio emergencial para os milhões que estão passando fome neste momento.

Na véspera do torneio, comentava-se sobre um clima de rebelião que rondava a seleção brasileira após jogadores demonstrarem insatisfação com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que mudou o torneio para o país, sem consultá-los.

Os jogadores ameaçaram boicotar o evento e prometeram lançar um manifesto após o jogo das eliminatórias da Copa de 2022 contra o Paraguai, no dia 8 de junho. Pouco antes, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, foi afastado da entidade por assédio sexual e moral contra uma funcionária. A podridão dos bastidores do futebol veio à tona e ofereceu uma oportunidade para que os jogadores dessem um golpe no populismo genocida de Bolsonaro. Só que não.

Depois do jogo contra o Paraguai, os atletas lançaram um manifesto vago que se posicionava apenas contra a condução da realização da Copa pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Nenhuma crítica à CBF, tampouco ao governo brasileiro por sediar a Copa América no Brasil. Nenhuma referência à pandemia e nenhuma palavra de solidariedade às vítimas da Covid-19 e suas famílias.

O manifesto foi uma demonstração da completa covardia e alienação dos jogadores. Seu mundo é do luxo, das mansões e salários milionários. Não estão nem aí para a realidade do povo trabalhador, desempregado, padecendo de fome e morrendo de Covid-19. Há quem especule que a insatisfação dos atletas não era sequer com a mudança da sede da Copa para o Brasil, mas sim com suas férias comprometidas com a manutenção do evento.

Do ponto de vista da saúde pública, o resultado já aparece: 52 atletas e integrantes das comissões técnicas contaminados nas delegações da Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru até agora.

Essas seleções têm jogadores que atuam em 23 países diferentes e de todos os continentes. Uma “mistura” de diferentes cepas virais que podem levar o coronavírus a desenvolver variantes mais letais e com mais facilidade de transmissão é uma possibilidade concreta. O resultado é que a “Cepa América” pode terminar comprometendo a eficácia das vacinas atualmente disponíveis.

Populismo

Antecipação de vacinas pode ser jogada eleitoral

O governo João Doria (PSDB) anunciou a antecipação da campanha de vacinação em São Paulo. Outros governadores, como Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, e o prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, também anunciaram tal medida. No entanto, isso pode ser apenas uma jogada eleitoral, pois não há garantias de que essa antecipação seja mantida.

Muitos especialistas alertam que isso pode ser um risco. A antecipação ocorre sem um aumento da produção da vacina, e mesmo sem um incremento significativo de novas remessas.

Uma parte da antecipação se dá porque muita gente dos grupos prioritários não foi tomar a primeira ou segunda dose. Ou seja, vai se valer de imunizantes que deixaram de ser utilizados nesses grupos. Outra parte da antecipação vai usar estoques que estariam destinados a uma segunda dose mais adiante. O que é uma decisão muito arriscada, já que pressupõe que o governo federal vai honrar o calendário de distribuição, o que até aqui não tem ocorrido. No último dia 10, o Ministério da Saúde reduziu, pela terceira semana seguida, a previsão de entrega de vacinas para o mês de junho. Em 19 de maio, contava-se com 52,2 milhões de imunizantes; com a redução, passaram para 37,9 milhões.

Vacinação em massa e ininterrupta pressupõe produção em massa dos imunizantes. Mas isso só pode ser garantido com a quebra das patentes, ou seja, o fim do monopólio da produção e comercialização que as grandes farmacêuticas têm sobre as vacinas.

Programa

– Vacina para todos já! Fora Bolsonaro e Mourão!

– Quebrar as patentes e investir em tecnologia

Lockdown por 30 dias já!

Máquina de genocídios

Pandemia mostrou o fracasso do capitalismo

Enquanto meia dúzia lucra bilhões com a pandemia (da grande indústria farmacêutica a empresários da saúde no Brasil), a barbárie é uma realidade em grande parte do planeta.

As centenas de cadáveres boiando no Rio Ganges, na Índia, devido ao colapso sanitário, onde cotidianamente entre 20 e 25 mil pessoas morrem sem atendimento médico, são hoje a cena mais visível desse fracasso. Os mortos são jogados na água porque não há recursos nem para comprar a lenha necessária à cremação. Não há vacinas no país que mais as produz no mundo porque elas foram vendidas para outros locais. E não há vacina para todos porque as multinacionais farmacêuticas têm exclusividade sobre sua produção e venda.

Por isso, há mais de 3,8 milhões de mortos vítimas da Covid-19 em todo o mundo (números, aliás, extremamente subnotificados). Ao lado disso, há uma enorme massa de desempregados, precarizados e indigentes. Principalmente para os setores mais explorados e oprimidos dos trabalhadores – negros, mulheres, imigrantes, moradores das periferias.

O capitalismo é uma máquina de genocídios. Novas pandemias poderão surgir juntamente com as mudanças climáticas causadas pelo próprio sistema. O capitalismo destrói suas próprias condições naturais de produção, a saúde dos trabalhadores e condena a civilização. A única saída é a superação do capitalismo e a construção de uma sociedade socialista, governada pelos próprios trabalhadores.