Editorial: Bola na rede é Rebelião!

8 de março na Av Paulista. Foto Romerito Pontes

Leia o editorial do Opinião Socialista nº 557

Enquanto o povo tenta esquecer um pouco a dureza que está a vida e torce na Copa, o governo morto-vivo de Temer, o Congresso corrupto, os banqueiros e os grandes empresários tentam, na surdina, entregar ainda mais o país para os gringos, beneficiar bilionários e prejudicar os trabalhadores.

Votaram urgência na Câmara para vender seis distribuidoras da Eletrobras. Aprovaram, ainda, a entrega de uma enorme área do Pré-sal que era de controle da Petrobras para as multinacionais. Além disso, querem vender quatro refinarias para acionistas estrangeiros, quebrando o monopólio do refino de petróleo.

Enquanto isso, o gás aumentou mais 4,4% na refinaria, e a conta de luz subiu aos céus. Houve um novo aumento de quase 16% em São Paulo, mais de 20% no Rio Grande do Sul e assim vai.

Outro roubo legalizado é a dívida do governo com os bancos nacionais e internacionais e os fundos de investimentos internacionais. Essa dívida já corresponde a 77% de tudo o que o país produz em um ano. Ela cresce sem parar porque o governo paga juros sobre juros. Só os governos Lula e Dilma pagaram R$ 13 trilhões aos bancos e investidores. FHC pagou outros R$ 6 trilhões, e Temer continua governando para garantir esse pagamento que consome quase 50% de todo o Orçamento do governo.

Roubam o país e os trabalhadores triplamente: no aumento da exploração, na venda do patrimônio público ao capital estrangeiro e na entrega do dinheiro que recebem dessa venda para os banqueiros e detentores dos títulos da dívida: grandes empresas e bancos multinacionais e nacionais. É para direcionar tudo ao pagamento da dívida que o governo impõe um teto de gastos públicos, arrochando servidores e desmantelando os serviços públicos.

Por isso, o mercado exige sim ou sim a reforma da Previdência para entregar mais dinheiro aos banqueiros. Esse dinheiro gasto com a dívida já poderia ter garantido saneamento, moradia, educação e saúde para todos.

O tal mercado é formado pelas 100 maiores empresas e bancos que controlam a economia do país, em sua enorme maioria internacionais, e por 31 famílias bilionárias brasileiras (donas de bancos e empresas ou sócias de multinacionais).

Nas eleições, só um time é socialista
Três projetos capitalistas disputam o apoio da maioria do mercado para terem apoio da mídia e grana para disputarem o voto do povo para depois governarem para os de sempre. Bolsonaro, defensor incondicional da reforma trabalhista, já prometeu a industriais e banqueiros que vai fazer reforma da Previdência, além de perseguir mulheres, LGBTs e negros. Alckmin, que nestas eleições seria o preferido dos principais banqueiros, não está decolando. Já Marina defende mais ou menos a mesma coisa que o PSDB. O outro time de candidatos com propostas parecidas são Lula ou alguém do PT, Ciro Gomes (PDT) e Manuela D’Ávila (PCdoB). Ciro e o PT buscam alianças com PSB, PMDB de Renan Calheiros, Jucá e cia., e até mesmo com o DEM de Rodrigo Maia e o PP de Paulo Maluf.

Quando fechávamos esta edição, mais uma vez, PT, PDT, PSOL, PSB e PCdoB lançavam na Câmara o “Manifesto por uma Frente no Parlamento Compromissada com a Reconstrução e o Desenvolvimento do Brasil”, defendendo “equilíbrio fiscal” e “controle da dívida pública”. Perante empresários e banqueiros, os dois principais expoentes desse time, Ciro e Lula (mas também Manuela D’Ávila) se comprometem a fazer uma reforma na Previdência. Dizem até que podem fazê-la com mais facilidade.

Esse pessoal diz que faria um bom governo, bem diferente do de Temer. Como se fosse possível mudar o país sem suspender o pagamento da dívida; sem parar as privatizações; sem reestatizar as estatais e garantir a Petrobras e a Eletrobras 100% brasileiras, estatais e sob controle dos trabalhadores; sem peitar o mercado e estatizar e colocar sob controle dos trabalhadores as 100 maiores empresas e os bancos, bem como tomar os bens e as empresas de corruptos e corruptores.

Organizar a rebelião para derrotar o mercado
A maioria das centrais, exceto a CSP-Conlutas, se cala em vez de organizar a luta unificada para impedir as privatizações, anular a reforma trabalhista, conquistar emprego e exigir a suspensão do pagamento da dívida e a reestatização das estatais, defendendo uma greve geral caso tentem aprovar a reforma da Previdência.

Seguram as lutas e fizeram um manifesto aos candidatos, no qual não falam nada sobre a reforma da Previdência que todos eles estão prometendo ao mercado nem sobre a suspensão do pagamento da dívida.

O caminho da classe trabalhadora, porém, precisa ser outro: precisamos organizar os de baixo para derrubar os de cima. Esse é o caminho da mudança.

A necessidade de uma Rebelião e a defesa de um projeto socialista é o que as pré-candidaturas do PSTU defendem para fazer avançar a luta, a organização e a consciência da classe trabalhadora.