Fotos Sérgio Koei

Bolsonaro sofreu uma derrota no 7 de setembro, mas não abandonou seu projeto de ditadura. Pelo contrário, ele já indicou que continua com essa carta na manga no caso de perder as eleições no ano que vem. Para concretizar o Fora Bolsonaro e dar cabo de vez de suas ameaças, é necessário ir às ruas e fazer manifestações muito maiores que as que já fizemos.

Movimentos da direita liberal, como o MBL e o Vem Pra Rua, convocaram manifestações a fim de fortalecerem uma “terceira via” eleitoral no último 12.  Setores do PT e do PSOL, além de outras organizações menores como o PCO, declararam que não iriam para as ruas ao lado desses setores. Mas, se era correto não ir nos atos do dia 12 que não foram convocados de forma unitária, é um absurdo vetar, na unidade de ação, qualquer setor que esteja pelo Fora Bolsonaro e contra seu golpismo.

E não deixa de ser contraditório que coloquem como se fosse a mesma coisa unidade ação para lutar e unidade eleitoral. Principalmente, não falam nada sobre a aliança para governar que o PT constroi com pesos pesados da burguesia, seus partidos e até mesmo o centrão.

Para massificar a luta pelo Fora Bolsonaro é preciso fazer unidade de ação com todos que estejam dispostos a dar cabo deste governo e parar a preparação de golpe. Ninguém deve ser vetado, inclusive o MBL. Outra coisa é que a classe trabalhadora não deve nem perder sua independência política, nem se limitar sua pauta a esse ponto unitário.

A necessidade da Greve Geral

Mesmo em unidade de ação com seus inimigos, a classe trabalhadora não pode perder sua independência política e capacidade de ação. Não há nenhuma garantia de que tais setores levarão até o fim a mobilização pelo Fora Bolsonaro. Pelo contrário, a burguesia e seus representantes como Dória, MBL, Temer, o centrão e a maioria do Congresso já deram mostras que preferem mantê-lo lá. Mas também nem Lula ou a direção do PSOL querem de fato derrubar Bolsonaro agora. A prioridade deles é 2022.

A classe trabalhadora precisa botar fora Bolsonaro e Mourão, já, acabando com as ameaças às liberdades democráticas. A ação mais forte para isso é a Greve Geral. Construir o dia 2 de outubro de forma unitária deve se dar conjuntamente à preparação da Greve Geral e a defesa de nossas pautas por dois motivos: o primeiro é que não há qualquer garantia de que os liberais vão até o fim na luta por derrotar esse governo. Segundo, porque a classe trabalhadora quer derrotar também a boiada que todos eles querem passar sobre nós.

Autodefesa e chamado aos praças e soldados

Neste contexto de aprofundamento da polarização e ameaça da ultradireita, ganha cada vez mais importância a necessidade de se organizar a autodefesa da classe trabalhadora (leia mais na página 10). E também o chamado a que os praças e soldados não embarquem no falso discurso de Bolsonaro. O governo quer organizar suas próprias milícias na base dos militares. No entanto, ao mesmo tempo em que ele privilegia a alta cúpula das Forças Armadas, com salários de marajá e cargos nas estatais, a base, tanto dos soldados quanto das Polícias Militares, sofre com os mesmos ataques e a mesma política econômica que o restante da classe trabalhadora.

É preciso fazer um chamado a que praças e militares não atendam à campanha do bolsonarismo e, ao contrário, apoiem os trabalhadores e a população pobre em sua luta. Que não atendam a ordens de reprimir manifestações e que estejam ao lado da classe.

Organizar um polo socialista e revolucionário

Se para botar fora Bolsonaro devemos unir na luta todo mundo que concorde com isso, quando se trata de discutir o que queremos colocar no seu lugar, e que projeto de país defendemos, a história é outra.  Por isso, precisamos lutar para botar abaixo Bolsonaro, mas também por emprego, salário e direitos. Já a burguesia quer continuar atacando a classe e passando a boiada, e está fazendo isso com Bolsonaro.

Para apontar uma saída da classe para a crise capitalista do país, que enfrente banqueiros, grandes empresários e multinacionais, ruralistas, organizando os debaixo para lutar e defender emprego, salário, terra, saúde, educação e soberania, assim como o fim de toda opressão sobre negros e negras, mulheres, LGBTIs, indígenas, imigrantes, etc., precisamos de um polo independente e sem nenhum rabo preso com a burguesia, capaz de defender e lutar pela igualdade e fazer os ricos pagarem pela crise.

Um polo que, ao contrário da frente ampla, de Lula, do PT, defendido pela maioria do PSOL, com banqueiros, empresários e políticos da burguesia, una os debaixo para lutar pela redução da jornada sem redução dos salários; um plano de obras públicas necessárias e ecológicas para acabar com o desemprego; pela defesa do SUS e da educação pública (estatais, gratuitos e sob controle dos trabalhadores); em defesa das terras indígenas, quilombolas e pela reforma agrária; em defesa do meio ambiente; pelo fim da carestia e por aumento geral dos salários, com o fim da precarização do trabalho.

Para isso, é necessário suspender o pagamento da dívida aos banqueiros, anular as privatizações e reestatizar as empresas privatizadas, sob controle dos trabalhadores; impor um imposto fortemente progressivo e a taxação em 50% das granes fortunas e dos lucros e dividendos das 200 maiores empresas (bancos, indústria, comércio e agronegócio); e revogar a reforma trabalhista e previdenciária. Um polo que defenda até o fim a luta contra Bolsonaro, mas que, além disso, coloque a necessidade de que os trabalhadores governem, através de conselhos populares, para mudar de fato o Brasil.

Leia também

Manifesto propõe a construção de um Polo Socialista e Revolucionário