Neste 2º turno, chamamos a votar criticamente em Boulos para derrotar Covas e Doria (PSDB). Não temos acordo  com os objetivos estratégicos, nem com o projeto, programa e política atual de Boulos e do PSOL. Por isso, o chamado ao voto na sua candidatura não implica em apoio ao seu futuro governo, caso seja eleito.

Pelo contrário, pensamos que a classe trabalhadora não deve depositar confiança em governos de aliança e colaboração com setores e partidos capitalistas. Devemos investir nossa esperança na auto-organização e nas lutas em defesa da vida, por emprego, direitos, soberania e por outra sociedade: uma sociedade socialista, sem opressão e sem exploração.

Compartilhamos com amplos setores da classe trabalhadora a necessidade e o desejo de derrotar Bolsonaro e Covas, afilhado de Doria. Afinal, Doria e Covas são do PSDB, o partido preferido da grande burguesia brasileira e internacional em São Paulo. Seus dirigentes governam o estado há mais de 30 anos. Junto com Bolsonaro, são responsáveis pelas 14 mil mortes por coronavírus em São Paulo. Além disso, o PSDB, desde FHC até hoje, está à frente da defesa de todas as políticas neoliberais contra os trabalhadores e a soberania do país, seja a flexibilização dos direitos trabalhistas, as privatizações, o corte de gastos públicos em educação, saúde, moradia e saneamento, a violência policial e o genocídio da juventude negra. Seus ex-governadores, José Serra e Geraldo Alckmin, estão envolvidos em esquemas de superfaturamento de obras públicas. É preciso derrotar Doria e Covas sem nenhuma dúvida! O PSDB não merece nenhum voto da classe trabalhadora e do povo pobre.

Ao mesmo tempo, compreendemos e respeitamos, mas não concordamos e nem partilhamos das esperanças e ilusões que camadas da nossa classe e da juventude têm de que Boulos possa fazer um governo essencialmente favorável aos trabalhadores, ao povo pobre da periferia e dos setores populares e oprimidos, sem romper com a burguesia e seus representantes.

Infelizmente, com o projeto de alianças e programa que Boulos defende, da mesma forma que fez o PT e também o governo Erundina, acabará mais uma vez governando para os ricos, contra a classe trabalhadora.

O projeto de Boulos e o do PSOL é de um governo de colaboração de classes com parte do grande empresariado e dos partidos burgueses, para governar o sistema “para todos” (trabalhadores e capitalistas). Seu programa se limita a defender uma melhor gestão do orçamento sem qualquer medida de ruptura com a dívida pública com a União ou com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que só servem para encher os bolsos dos banqueiros. Defende, nesse sentido, um tipo de governo semelhante aos do PT, que geriram durante tantos anos o capitalismo brasileiro, em aliança com a burguesia brasileira e parte de seus partidos.

É por isso que, sob pressão da grande mídia e dos capitalistas, Boulos já abandonou a proposta de aumentar o IPTU para os ricos. Apesar de dizer que vai combater os “esquemas”, Boulos não deixou nítido se vai pôr fim às creches conveniadas. É preciso defender o fim da privatização da educação com a efetivação das trabalhadoras e trabalhadores,  e destinar dinheiro público exclusivamente para a escola pública.

Sobre os transportes públicos, Boulos coincide com Covas em se recusar a defender a estatização do sistema de transportes e a reconstrução da CMTC, única fórmula para pôr fim à máfia dos transportes.

O que a periferia precisa é de emprego com direitos e o fim das reintegrações de posse. O empreendedorismo periférico é um nome bonito para flexibilização de direitos. E isso se combina tragicamente com a proposta de “integração das distritais da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) às subprefeituras” feita por Boulos durante visita à poderosa Associação Comercial de São Paulo.

O PSOL está seguindo o conselho da grande mídia e se afastando também de qualquer ideia “radical”. O modelo de “paz e amor” não é novo. Já tivemos o “Lulinha paz e amor” que prometeu governar para todas as classes e fez a reforma da Previdência, privatizações e pagou a dívida para os banqueiros. Já tivemos a gestão Erundina que esmagou a greve dos condutores da CMTC em 1992 com 475 demissões. Já tivemos Marta Suplicy que reduziu o orçamento da  educação, e o Fernando Haddad que trabalhava junto com o governo do PSDB para aumentar as tarifas de transportes.

A situação da classe trabalhadora e do povo pobre exige medidas urgentes e radicais contra a pandemia, o desemprego, a fome e o genocídio da juventude negra. Isso só se faz combatendo o capitalismo, seus governos e seus partidos. É necessário tirar dos ricos através de estatizações das grandes empresas e altos impostos sobre a riqueza para atender ao povo pobre. E para isso é necessário organizar a classe trabalhadora para lutar por estas bandeiras.

Ao se apresentar como um gestor melhor que Covas dentro das regras do sistema capitalista, Boulos alimenta a ilusão de que é possível garantir uma vida digna à periferia seguindo o exemplo de cidades capitalistas como Barcelona, ou seja, sem qualquer ruptura com o capitalismo, apenas votando 50 nas eleições.

Respeitamos a esperança que a juventude e setores importantes da classe trabalhadora que veem em Boulos a possibilidade de interromper as desastrosas administrações do PSDB na cidade de São Paulo. E por isso vamos  acompanhá-los e chamar a votar criticamente. Mas nosso voto não significa compartilhar essa mesma esperança perante um governo de aliança com a burguesia, que repita um tipo de governo como os do PT. O PSTU será oposição e chamará a classe trabalhadora a não depositar nenhuma confiança, a exigir suas reivindicações, se auto-organizar e se preparar para lutar. Pois não é possível nenhuma mudança fundamental na sociedade sem ruptura com a burguesia.

Devemos investir e depositar todas as nossas esperanças na auto-organização da nossa classe, nas lutas pelas nossas reivindicações e por uma nova sociedade socialista, contra esse sistema capitalista e os ataques contra os de baixo que banqueiros e empresários exijam, venha de que governo venha.

Seguiremos construindo uma alternativa socialista, convocando a classe trabalhadora e o povo pobre da periferia a se auto-organizar para conquistar uma mudança radical contra os capitalistas e seus governos.

Em defesa da vida, do emprego, da renda e soberania, tirar dinheiro dos ricos! Fora Bolsonaro e Mourão! Chega de Doria e Covas! Por um governo socialista dos trabalhadores, apoiado em conselhos populares!

Dia 29, vamos votar em Boulos, 50, contra Covas.