PST-Peru

A subida de Francisco Sagasti, do Partido Morado, como presidente da República, fechou momentaneamente o vácuo de poder deixado pela queda de Merino pelas mãos da luta juvenil e popular.

Os empresários, sua mídia e alguns setores da classe média querem respirar tranquilos. Pensam que vai estancar a grande explosão social da semana passada.

Mas os trabalhadores do país não têm motivos para se sentir assim. Para nós continuam as demissões coletivas e a suspensão perfeita[1] ditadas por Vizcarra. Continuam as pautas de reivindicações sem nenhuma resolução. Continua a miséria desnudada pela pandemia. Continua a crise de saúde. Nada disso pode ser resolvido por Sagasti, que vai governar com a agenda da Confederação Nacional de Instituições Empresariais Privadas (CONFIEP)! Porque não vai tocar em um fio de cabelo desta democracia corrupta!

É por isso que não podemos sair das ruas. Como também não sairá das ruas essa valorosa juventude que chegou à conclusão de que é preciso derrubar essa democracia corrupta pela luta, inclusive respondendo aos ataques da polícia, que se colocou em evidência como uma ferramenta assassina de poder.

O triunfo da luta contra Merino abre a possibilidade de seguirmos em frente e impormos, com nossa luta, a saída para nossas demandas mais urgentes. Mas também abre a possibilidade de fazer cair todos, derrubando a constituição da ditadura e, com ela, todo o regime nascido da queda de Fujimori, consagrado no inútil e inservível Acordo Nacional.

Infelizmente, até agora os dirigentes das centrais sindicais e os partidos que se autodenominam de esquerda têm jogado para salvar a pele desta democracia podre. Em primeiro lugar, impedindo de fato a classe trabalhadora de entrar nas mobilizações massivas na quinta-feira, 12, e no sábado, 14, de forma organizada, porque eles não convocaram. Apenas para se colocar imediatamente a serviço dos partidos patronais, se postulando para entrar no novo governo após a queda de Merino.

Hoje, partidos como a Frente Ampla se propuseram a se tornar a outra “perna” da democracia corrupta, assumindo a presidência do Congresso. Enquanto isso, Nuevo Perú e sua candidata se colocam a serviço da validação do governo de Sagasti, preocupados em garantir o processo eleitoral e pedindo apenas uma “segunda ânfora” nas eleições do ano seguinte.

Por isso, a jornada de luta de hoje, 18, deve se tornar o ponto de partida de um plano de luta operária e popular que não pare diante dos calendários eleitorais, e nos leve a uma greve nacional de todo o povo, que imponha a derrubada de todos, e coloque o poder nas mãos das organizações de luta da classe trabalhadora e do povo pobre.

Só assim se tornará realidade a possibilidade de convocar uma assembleia constituinte com representação direta da classe trabalhadora e do povo pobre que expresse o país que queremos para nós, nossas famílias e entes queridos.

Greve Geral Nacional de todo o povo até colocar para fora todos eles!

Assembleia Constituinte com representação direta das organizações operárias e populares!

Governo das organizações de luta da classe operária e o povo em luta para refundar o país!

[1] A suspensão perfeita do trabalho implica a cessação temporária da obrigação do trabalhador de prestar o serviço e do empregador de pagar a respetiva remuneração, sem cessação da relação de trabalho

Tradução: Lena Souza