A onda de greves que ocorre no país cresceu ainda mais com os trabalhadores da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) Mineração, em Congonhas (MG). Desde a sexta-feira (1º), os companheiros e companheiras estão de braços cruzados, dando um verdadeiro exemplo de disposição para toda classe trabalhadora brasileira.

Em Campanha Salarial, a luta é por melhorias nas condições de trabalho, pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), Plano de Cargos e Salários, reajuste salarial com aumento real, reajuste do vale-alimentação, equiparação salarial e abono dos dias parados.

Os trabalhadores denunciam que não há qualquer motivo para a empresa não atender às demandas. Mesmo durante a pandemia, a CSN cresceu em mais de 300% seu patrimônio. Somando todas as unidades no país, o lucro da companhia bateu a marca de R$ 10 bilhões, no ano passado.

Na terça-feira (5), uma nova rodada de negociação ocorre entre os representantes da direção da empresa e uma comissão formada pelo Sindicato Metabase Inconfidentes, filiado à CSP-Conlutas.

A entidade representa os trabalhadores da Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Congonhas, Belo Vale, Ouro Preto e região. Até o fim do encontro, a categoria seguirá com a greve. Uma nova assembleia deverá ocorrer após a empresa apresentar uma proposta.

Assédio moral

Para constranger os trabalhadores e tentar inibir a forte mobilização, a CSN tem abusado das práticas antisindicais e do assédio moral. Funcionários tem recebido ameaças de corte de ponto e de demissão, caso não entrem para trabalhar. A tática desleal fere o direito constitucional à greve.

Embora a luta legítima dos companheiros não seja caso de polícia, a CSN chamou a tropa de choque da Polícia Militar durante a paralisação no sábado (2). A atitude que lembra os tempos da Ditadura Militar não foi levada em consideração pelos grevistas que mantiveram a paralisação em diversos setores da fábrica.

Marcha dos trabalhadores

No sábado (2), os grevistas da CSN protagonizaram um momento histórico com uma passeata em uma das vias que levam à fábrica. Durante a mobilização, foi lembrada a luta dos trabalhadores em Educação e servidores de Minas Gerais, que também estão em greve pelo reajuste salarial.


Todo apoio

A CSP-Conlutas manifesta todo apoio à greve dos trabalhadores da CSN Mineração, em Congonhas, e reitera a necessidade da unificação da lutas em todo o país. O que vemos a cada semana são novas paralisações e atos de trabalhadores que saem as ruas para garantir condições de vida.

Por isso, é igualmente importante lutar pela implementação do Programa Emergencial dos Trabalhadores para Enfrentar a Crise Econômica e Social reeditado pela CSP-Conlutas no último mês.

Entre os principais pontos do documento estão a revogação imediata da reforma trabalhista, o congelamento dos preços, a garantia de moradia e a suspensão do pagamento da dívida pública.