Catalunha: No dia 1º de outubro vamos abrir as escolas e no dia 3 fazer a greve geral

Corrent Roig

Na última semana, vivemos uma violação brutal dos direitos democráticos mais elementares. O Estado interviu na Generalitat (governo catalão) e impôs um estado policial. Querem impedir a qualquer custo que o povo possa votar no dia 1º de outubro e que nossa vontade seja respeitada. Trouxeram de fora milhares de policiais e guardas civis com esse objetivo.

Diante dessas medidas, próprias de uma ditadura, o povo se levantou de forma massiva, com um especial protagonismo da juventude, com paralisações nas universidades e institutos e com as maiores concentrações dos últimos anos.

A esquerda sindical, os movimentos sociais e as organizações de esquerda concordaram em convocar e apoiar uma greve geral no dia 3 de outubro contra a repressão, em defesa do referendo e pelas liberdades. É claro que a burocracia da CCOO (Confederação Sindical de Comissões Operárias) e da UGT (União Geral dos Trabalhadores) não participaram das reuniões e, sem consultar suas bases, negaram-se a apoiar a greve.

A greve geral é fundamental para ganhar força e garantir que possamos exercer o direito à autodeterminação e, ao mesmo tempo, para levantar a bandeira das reivindicações sociais da classe trabalhadora e da juventude. O que queremos é uma República catalã social e soberana. Temos que sair à greve com voz própria. Neste contexto, é necessário dar todo o apoio às convocatórias das organizações estudantis.

Chamamos a prepararmos juntos o plano do dia 1º e a greve do dia 3. Com assembleias massivas em cada centro de trabalho, faculdade, escola, bairro ou cidade e coordenando com os comitês de defesa do referendo. Temos que ir massivamente às escolas no dia 1º de outubro para garantir sua abertura, ao mesmo tempo que preparamos a greve geral do dia 3. A votação de 1º de outubro não será garantida pelos Mossos d’Esquadra (polícia da Catalunha), e sim por nós.

Nós, da Corrent Roig, não temos confiança em que o governo da Generalitat possa garantir o referendo, nem a proclamação da República catalã e menos ainda que esta tenha o caráter social que os trabalhadores e o povo precisam. Por isso, os trabalhadores e o povo, as organizações decididas a garantir o processo soberanista, têm que tomar em suas mãos as tarefas da luta pelo referendo e pela República catalã.

Fazemos um chamado às organizações sindicais que estão impulsionando a greve a associar a luta antirrepressiva e pela democracia com as demandas sociais básicas pelas quais temos lutado, como a revogação das reformas trabalhistas e da LOMCE (reforma educacional) ou por aposentadorias públicas dignas e garantidas pelo governo.

A Corrent Roig está convencida de que é necessária a proclamação sem demora da República catalã e a abertura de um processo constituinte popular e democrático, porque sem ruptura com este regime herdeiro do franquismo não haverá nunca o direito à autodeterminação, nem poderemos nos autodeterminar social e economicamente.

Em defesa do referendo! Todos (as) aos centros de votação no dia 1º de outubro!

Greve Geral no dia 3 de outubro: Contra a repressão e pelas liberdades, pela revogação das reformas trabalhistas e da educação e em defesa das aposentadorias públicas!

Tradução: Lilian Enck

Publicado no site da LIT-QI