Fotos Scarlett Rocha/SINASEFE

Servidores federais de mais de 40 categorias protestam, nesta terça-feira (18), por reajuste salarial. As mobilizações ocorrem em Brasília (DF) e são organizadas pelo Fonasefe (Fórum das Entidades Federais dos Servidores Federais) e Fonacate (Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado).

A primeira manifestação ocorreu às 10h, em frente ao Banco Central. A luta seguirá no período da tarde. Às 14h um novo ato acontece em frente ao Ministério da Economia, na Esplanada dos Ministérios, onde também será protocolado o documento que reúne as reivindicações do funcionalismo público junto ao governo federal.

Sem reajuste desde 2017, os servidores públicos federais acumulam uma defasagem nos salários superior a 50%. Neste período, a inflação superou os 95%. Isso significa perdas no poder de compra e na renda familiar. Nas mobilizações, será exigida a reposição salarial de até 28%.

Com caráter de alerta ao governo federal, a mobilização de hoje é o primeiro passo em um movimento que pode levar a greve geral dos servidores públicos federais no próximo mês. Uma nova manifestação irá ocorrer no dia 2 de fevereiro, quando o Congresso Nacional retoma as atividades.

A CSP-Conlutas também integra esta luta e defende a proposta de paralisação em todo o país, com trabalhadores de outras esferas do serviço público (municipal e estadual), funcionários das estatais e trabalhadores da iniciativa privada.

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Só para policiais?

O estopim para a luta ocorreu após Jair Bolsonaro escolher apenas integrantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Depen (Departamento Penitenciário Nacional) para receberem o aumento em 2022. A estes foram destinados R$ 1,7 bilhão na lei do Orçamento.

A predileção de Bolsonaro a estas categorias é uma manobra eleitoreira. É neste segmento do funcionalismo que ele possui o maior número de apoiadores. Parlamentares próximos à Jair Bolsonaro tem defendido que não há condições financeiras para atender todos os servidores.

No entanto, somente em 2021, foram destinados mais de R$ 16 milhões aos deputados federais em emendas parlamentares. O montante serviu para que eles votassem a favor de propostas que atendem interesses do governo.

Calendário de lutas

A agenda de mobilização das categorias também conta com manifestações na segunda-feira (24), no dia Dia Nacional de Luta dos Aposentados. Já no dia 27 de janeiro acontece a Plenária Nacional dos Servidores (as) Públicos (as).

A Jornada de Luta terá seu início no dia 14 de fevereiro, com a aprovação do estado de greve. Ações em Brasília ocorrerão para pressionar o governo para abrir negociações. Um indicativo de greve será proposto no dia 9 de março.

PEC 32

Além disso, com a abertura do Legislativo, os servidores devem novamente manter a luta contra a Reforma Administrativa (PEC 32) na ordem do dia. No ano passado, o estado de mobilização constante foi fundamental para barrar a proposta que ameaçava as carreiras públicas e a continuidade do serviço público gratuito no país.

Sobre o tema, o Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) deliberou que entre os dias 11 e 17 de fevereiro haverá debates para a construção de uma greve geral dos servidores. Além da PEC 32, a mobilização teria como alvo a revogação da Emenda 95, do Teto de Gastos, e a reposição salarial.