Batay Ouvriye: “A mobilização deve continuar!”

Cerca de duas semanas após a explosão que sacudiu o Haiti, contra a alta dos alimentos, a organização Batay Ouvriye (Batalha Operária) chama a continuidade das mobilizações, denuncia a demagogia do governo e exige a retirada das tropas da ONU, comandadas Mobilizações aconteceram Les Cayes, Petit Gôave, Jérémie, Port-au-Prince… contra o alto custo de vida. O povo está cansado. Temos fome e a miséria vai nos matar a todos pouco a pouco. A mobilização fez o poder mexer-se um pouco, mas, até agora, nada foi feito de fato para nós. As supostas “medidas” se deram com assistencialismo e paternalismo. E não vão durar. Segundo os próprios membros do governo, a redução dos preços irão durar um, dois meses…

Em outras palavras: Não temos nada nas mãos! A razão profunda disso é que o sistema de exploração não foi atingido. Ao assinar os tratados da Organização Mundial do Comércio e a Lei Hope, o poder concordou em não tocar nos preços das mercadorias importadas. Ou seja, não mexer nos benefícios aos capitalistas. O que nos leva a concluir claramente: Não têm soluções para nós. Não podem ter soluções para nós. Não fazem parte de nós.

O desemprego está ainda mais presente. Dizem que, para que tenhamos emprego, temos de ficar quietos, sem “incomodar”, sem reivindicar. Na verdade, querem vir a nos explorar da forma que acharem melhor. E então afirmam que, quando nos manifestamos, somos responsáveis pelo desemprego. As classes dominantes e seu Estado apodrecido ainda não conseguiram resolver como fazer para superexplorar da maneira que planejaram. Para isso, o povo teria de estar tranqüilo, e sofrer calado a exploracão. Mas a exploração tem cegado a um nível tão extraordinário, tão extremo, que nos deixa praticamente sem vida. E então nós não vamos aceitar nada disto. Essa é a contradição!

Por isso não se mexeu no salário mínimo ainda. A burguesia quer nos insultar e humilhar propondo não mais do que 5% ou 10% de reajuste. O próprio Ministério do Trabalho chegou a calcular um valor mínimo, mas, depois disso, pretende propor a metade do valor disso para o salário mínimo!

Salário de miséria, desemprego e alto custo de vida são os três alicerces da exploração. Hoje em dia, esta combinação está paralisada, e isso é a verdadeira razão da crise que provocou a explosão recente.

Os governos burgueses dos países estrangeiros enviaram a Minustah para defender seus irmãos de classe. Por isso, eles disparam apenas contra nós, do povo.

Diante disso tudo, nós, de Batay Ouvriye, declaramos:

  • Fora Minustah Já! Abaixo a ocupação!
  • É necessário outro sistema, completamente diferente, para sair da encruzilhada que a burguesia e seu Estado reacionário nos colocaram. Para isto, necessitamos de outro Estado! Um Estado que defenda nossos direitos e, com todos nós do povo, siga arrancando nosso futuro, sem demagogia.
  • Somente com nossa mobilização, nossa batalha, podemos sair desta situação
  • Nossa mobilização apenas acaba de começar. A mobilização deve seguir. Até alcançarmos nossos reais interesses!

    BATAY OUVRIYE, 22 de abril de 2008