Três perguntas para Janaina Rodrigues

Janaína Rodrigues
Diego Cruz

Dirigente da Apeoesp, o sindicato dos professores de São Paulo, Janaína participa do Grupo de Trabalho (GT) de mulheres da Conlutas e esteve à frente da organização do encontro nacional de mulheres. Conversamos rapidamente com ela, logo após o encerramentQual a avaliação que você faz desse encontro?
Esse encontro teve uma importância fundamental, especialmente na luta das mulheres contra a opressão e contra o machismo, resgatando uma bandeira histórica que, por muito tempo, foi levantada apenas pela burguesia, através de uma política que cria ilusões entre os trabalhadores, e por organizações de mulheres que foram cooptadas pelo governo.

Nesse encontro começamos a reorganizar as mulheres da classe trabalhadora contra o machismo e contra a opressão. Isso já é um marco fundamental para a Conlutas em seu processo de construção. Foi uma grande vitória das mulheres trabalhadoras e foi o marco fundamental para história da Conlutas e para a história da lutas das mulheres brasileiras.

Qual a importância de o encontro ter aprovado um novo movimento de mulheres?
Sem dúvida. Uma das principais votações do encontro foi sobre a constituição de um movimento de mulheres, com enfoque classista. A decisão por construir esse movimento foi aprovada por ampla maioria.

A partir de agora, a Conlutas estará na vanguarda dessa luta. Isso é muito importante, levando em conta o que ela representa no processo de reorganização dos trabalhadores.

Também achamos que a própria construção da Conlutas poderá ser facilitada pela construção de um movimento de mulheres, já que as mulheres representam, no mínimo, metade da classe trabalhadora de nosso país e não é possível querer que elas lutem sem que tenhamos políticas específicas, como salários iguais e creches nos locais de trabalho.

Quais serão os próximos passos?
A primeira iniciativa será de organizar encontros regionais e municipais das mulheres trabalhadoras, cujo objetivo é debater as demandas especificas e discutir como esse movimento deve atuar junto às organizações dos trabalhadores, como os sindicatos e entidades estudantis.