Abaixo Bolsonaro e seus capitães do mato que se apossaram da Fundação Palmares!

Neste 13 de maio, o movimento negro foi surpreendido por uma série de ataques desferidos pelo Governo Bolsonaro e a Fundação Palmares, instituição federal criada em 1988 e vinculada à Secretaria Especial da Cultura, para promover e preservar a cultura e a história do povo negro.

Atualmente, a Fundação Palmares está sendo presidida por Sérgio Camargo, um   capacho de Bolsonaro e de Olavo de Carvalho contra o povo negro.

Repetimos aqui a pergunta feita em artigo anterior[1]: mas, afinal, quem é Sérgio Camargo? Quem é esse homem que assumiu a presidência de uma das instituições culturais mais importantes do país, mesmo sem jamais ter dado contribuição alguma no debate político e racial no país?

Camargo é um bolsonarista, isto é, um militante de extrema-direita, fascista, alinhado a Bolsonaro e ao escritor Olavo de Carvalho. Cansado pela nulidade que lhe pesava os ombros, Camargo decidiu pôr a sua cor e a sua raça a serviço dos senhores da Casa Grande. Para tanto, começou a atacar o movimento negro e qualquer personalidade que denunciasse a discriminação racial e a violência do Estado contra os negros no país.

Eis aqui algumas das frases proferidas por Sérgio Camargo para entendermos um pouco de que tipo de sujeito se trata: “Cotas raciais para negros são mais do que um absurdo….”; “O Dia da Consciência Negra “celebra” a escravização de mentes negras pela esquerda. Precisa ser abolido!”; “No Brasil de hoje Zumbi seria um bandido ou defensor de bandido, integrante do MST”; “É inacreditável que tenham tentado ligar nosso presidente ao assassinato dessa mulher sem valor. É preciso que Marielle morra, só assim ela deixará de encher o saco!”.

Camargo é um típico capitão do mato: um sujeito que, em troca de dinheiro e um pouco de prestígio, presta serviços espúrios para os senhores da Casa Grande.

As mentiras e falsificações ordenadas pela Casa Grande

Como nós viemos discutindo em uma série de artigos em nosso portal[2], o 13 de maio não é uma data representativa para o povo negro e nem para os trabalhadores, pois foi uma data escolhida pela classe dominante brasileira para ocultar as lutas negras pela sua libertação e, ainda, por celebrar uma abolição que não veio acompanhada de reparações ao povo negro.

E cumprindo à risca seu papel de serviçal de Bolsonaro, Camargo ordenou a publicação no portal da Fundação Palmares de textos caluniosos sobre Zumbi e o quilombo dos Palmares; de exaltação à Princesa Isabel; e um texto de homenagem a Luiz Gama, que tenta reduzir a sua história a uma espécie de exemplo em favor da meritocracia. O somatório das mentiras e imprecisões destes textos não resulta nem em uma meia-verdade.

O bolsonarismo é um projeto político reacionário, ditatorial, sustentado numa rede de mentiras (fake news), e que visa acabar com as liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores, negros, mulheres e LGBTs. Por isso, utiliza a Fundação Palmares para render homenagens a uma princesa branca que assinou uma lei que extinguia a escravidão quando a maior parte dos negros já estava livre! Tentam alimentar uma fábula racista reerguendo o 13 de maio em contraposição ao 20 de novembro, dia nacional da consciência negra.

Este episódio é mais um num rol de ataques à Cultura e aos direitos do povo negro e da classe trabalhadora.

Na semana passada, assistimos a uma deplorável entrevista concedida por Regina Duarte, secretária especial de Cultura do Governo Bolsonaro, para a rede de televisão CNN. Saudosista da Ditadura Militar, Regina Duarte entoou música símbolo do regime militar, minimizou as mortes e torturas cometidas naquele período e deu, em suas próprias palavras, um chilique ao vivo quando foi questionada sobre a ausência de políticas para a classe artística durante a pandemia feitas pela também atriz, Maitê Proença, sua antiga apoiadora.

Por essas e outras, exigimos a imediata exoneração de Sérgio Camargo e toda essa horda de bolsonaristas que se apossaram da Fundação Palmares e da Secretaria Especial de Cultura do Governo Bolsonaro!

Mas, parafraseando Trotsky, não basta reclamar do diabo ao belzebu! É preciso botar pra fora Bolsonaro e Mourão, já!

– Fora Sérgio Camargo!

– Fora Regina Duarte!

– Fora Abraham Weintraub!

– Fora Bolsonaro e Mourão!

[1]Ver: https://www.pstu.org.br/nao-vamos-aceitar-um-negro-da-casa-grande-a-frente-da-fundacao-palmares/.

[2]Ver: https://www.pstu.org.br/13-de-maio-132-anos-de-uma-abolicao-sem-reparacoes/.