ato 02 de outubro - Rio de Janeiro. Foto : Gustavo Speridião

O “2 de outubro” foi marcado pelas manifestações pelo “Fora Bolsonaro!” em todo o país.Ocorreram protestos em mais de 200 cidades, com destaque para as grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Na capital paulista, o ato foi superior aos dois últimos protestos realizados na cidade. Com desigualdades, manteve-se a média do número de manifestantes pelo país, com um ativismo engajado e com disposição para derrubar Bolsonaro, embora as direções tentassem imprimir um tom mais eleitoral.

É muito importante fortalecer essa luta, porque o “Fora Bolsonaro e Mourão, já!” é a necessidade mais urgente que temos hoje, não é 2022“, afirmou o Presidente Nacional do PSTU, José Maria de Almeida, o Zé Maria, durante o protesto na Avenida Paulista. “A classe trabalhadora e a juventude precisam se organizar de forma independente e lutar por uma Greve Geral, pra derrubar este governo e pra derrotar a boiada no Congresso“, afirmou.

Essa ampla unidade nas ruas, hoje, precisa alimentar o principal desafio ao qual as centrais sindicais têm que se dedicar e construir uma greve geral nesse país para parar a produção“, defendeu Atnágoras Lopes, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas. “Tem que parar o financiamento de quem sustenta esse assassino e corrupto“, defendeu.

Não tem arrego

Direções precisam priorizar o “Fora Bolsonaro, já!”, e não as eleições

As manifestações no dia 2 de outubro foram, em geral, expressivas, mas muito aquém do que poderiam ter sido e muito longe de expressarem a real insatisfação que cresce embaixo, contra o governo. Enquanto fechávamos esta edição, o Datafolha divulgava um novo recorde de rejeição a Bolsonaro: 59%. A crise social, o desemprego, a inflação e a consequente carestia espraiam o sentimento de indignação para além das “bolhas” da oposição, minando cada vez mais sua base social, até mesmo nos seus tradicionais redutos, como entre os evangélicos.

Os escândalos da Prevent Senior ou a revelação das contas milionárias de Paulo Guedes em paraísos fiscais, por sua vez, evidenciam a perversidade deste governo e se tornam assuntos frequentes entre a população.

O problema é que, na mesma proporção em que Bolsonaro e seu governo se veem acuados e em crise, a oposição, tanto à direita (que busca a “terceira via”), quanto a oposição capitaneada pelo PT, e por tabela pela direção do PSOL, abandonam a perspectiva de derrubá-lo pela força da mobilização. Vislumbram, isso sim, uma oportunidade para desgastá-lo eleitoralmente em 2022.

Já o conjunto majoritário da burguesia, se por um lado não confia em Bolsonaro para continuar levando adiante seu projeto de ataques e de entrega do país, num contexto de estabilidade, tampouco está disposta a partir para uma aventura de impeachment. Ainda mais porque a boiada (ou seja, as medidas como a Reforma Administrativa e a ofensiva contra os indígenas, como o Marco Temporal) continua passando pelo Congresso Nacional.

A classe trabalhadora e o movimento, por sua vez, continuam dando importantes exemplos de luta. Os indígenas acabaram de realizar sua maior mobilização na história. Os operários da General Motors de São Caetano protagonizam, neste momento, uma importante greve contra a vontade da própria direção de seu sindicato. Os servidores públicos federais lutam contra a Reforma Administrativa e, também, contra ataques em outras esferas, como no caso dos servidores municipais de São Paulo.

As direções do movimento e a oposição parlamentar, porém, ao invés de chamarem a unificação das lutas e se jogarem, de fato, na organização de um amplo movimento pelo “Fora Bolsonaro”, preparando, nas bases, uma Greve Geral, fazem o contrário: priorizam as eleições e jogam para além do horizonte qualquer perspectiva de se derrubar Bolsonaro agora. Resumem sua ação a convocar manifestações esparsas com um fim eleitoral.

Vamos derrubar o genocida

Dia 20 de novembro: todos às ruas!

Sem colocar no horizonte imediato o “Fora Bolsonaro”, as manifestações contra o governo não irão crescer, por mais desgaste que Bolsonaro esteja sofrendo. É preciso que as direções que compõem a “Frente Fora Bolsonaro” e as direções das centrais coloquem, como centro, a derrubada imediata do governo.  É preciso que chamem toda a unidade possível, com todos os setores que se coloquem pela derrubada do governo. O próximo dia 20 de novembro será um novo dia de lutas contra o governo, junto à luta contra o racismo, e é preciso que marque essa virada.

Ao mesmo tempo, como defende Zé Maria, é preciso que a classe trabalhadora se organize de forma independente, tanto para levar adiante o “Fora Bolsonaro”, como para lutar contra a boiada que segue passando no Congresso Nacional, por emprego, salário e renda, e contra a carestia.