A pandemia da Covid-19 já se tornou um dos maiores flagelos da humanidade, com mais de 3 milhões de mortes pelo planeta em números subnotificados e um salto da pobreza, da miséria e da fome. Enquanto você lê isso, 30 milhões de pessoas ao redor do mundo estão ameaçadas de morrer por inanição. Na outra ponta, houve a maior concentração de renda da história. Segundo levantamento da revista Forbes, 493 pessoas entraram para a seleta lista de bilionários no último ano, um recorde. Um novo bilionário a cada 17 horas.

São hoje 2.755 bilionários no planeta, cujo patrimônio totaliza US$ 13 trilhões. Quase nove vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2020. Esses super-ricos viram suas fortunas aumentarem mais de US$ 5 trilhões na pandemia. Dos novos bilionários, 210 vêm da China. A Índia, que vem competindo com o Brasil para se tornar o epicentro do morticínio, com piras coletivas a céu aberto para cremar as vítimas, responde por 19 novos bilionários.

Mortes para o povo, mais lucros para bilionários

Entre os novos bilionários que enriqueceram durante a pandemia destacam-se os grandes empresários do setor da saúde. São 61 novos bilionários que vão de produtores de frascos utilizados nas vacinas, como o italiano Sergio Stevanato, a donos de redes de hospitais em seus países, como o indiano Prathap Reddy.

Não poderiam faltar os grandes laboratórios envolvidos diretamente na produção dos imunizantes, como o médico de origem turca, Ugur Sahin, fundador da alemã BioNTech, desenvolvedora de uma das vacinas em parceria com a Pfizer; e o presidente da Moderna, Stéphane Bancel.

A revista Forbes credita a ascensão dessa nova classe de bilionários a “empreendedores” que viram oportunidades de negócios com a pandemia. O que se vê, porém, é o resultado do vírus do capitalismo, que deixa milhões morrerem para uma doença na qual já existe vacina e aproveita a pandemia para aumentar ainda mais o fosso entre pobres e ricos.

SAÍDA

Fazer com que os ricos paguem pela crise

Ao contrário do que propaga a ideologia dominante, os bilionários não enriqueceram por conta de seus próprios méritos. Quem produz toda a riqueza é a classe trabalhadora: mas tirando o seu salário (de fome), todo o resto que produz é trabalho não pago que é apropriado privadamente pelo capitalista, que, com esse dinheiro, compra máquinas, matérias-primas, paga empréstimos a bancos, paga seus impostos (quando não sonega), embolsa os lucros e dividendos, investe em ações, em especulação no mercado financeiro ou em novas propriedades, enfim, acumula capital.

Em tempos de crise, o roubo e a exploração aumentam ainda mais com o desemprego e a redução dos salários, a inflação, o sistema tributário que taxa pobres e setores médios enquanto isenta bilionários. Sem falar na privatização (a preço de banana, diga-se de passagem) de patrimônios públicos, como pretendem fazer agora com os Correios, e no roubo do Orçamento público como vemos com a saúde e educação. Cada corte significa um roubo a mais da riqueza produzida pela classe para os banqueiros.

É preciso fazer com que os ricos paguem pela crise, atacando a grande propriedade e taxando os lucros e fortunas dos bilionários para garantir vacina para todos, auxílio emergencial de R$ 600,00 enquanto durar a pandemia, estabilidade no emprego sem redução de salários e de direitos; auxílio financeiro aos pequenos negócios, triplicar as verbas do SUS, investir num plano de obras públicas necessárias e ecológicas, como saneamento básico, moradia popular, hospitais e escolas públicas, que gere emprego e bem-estar para a maioria do povo. Além disso,

-Suspender o pagamento da fraudulenta dívida pública aos bancos e especuladores;

– Taxação especial de 40% das grandes fortunas dos bilionários. Zerar a tributação das pequenas empresas, enquanto durar a pandemia;

– Taxação em 50% dos lucros e dividendos das grandes empresas aos acionistas;

– Proibição das demissões e estatização das grandes empresas que insistirem em fechar ou demitir, como a LG e suas fornecedoras;

– Proibir a remessa de lucros para fora do país;

– Estatização da saúde privada com a incorporação de sua estrutura ao SUS, com o confisco de seus lucros deste ano para investimento no combate à Covid-19;

– Expropriação dos bancos e criação de um banco público único, que cancele as dívidas dos trabalhadores e do pequeno proprietário e garanta crédito às pequenas empresas e ao pequeno produtor;

– Nacionalização e estatização do latifúndio e das grandes redes varejistas, sob controle dos trabalhadores, para garantir soberania alimentar ao Brasil, o fim da fome de milhões de brasileiros e combater a carestia dos alimentos;

– Reestatização das empresas privatizadas, sob controle dos trabalhadores.