Um grave erro: a negação do caráter de frente única da Conlutas

A Conlutas é uma entidade que busca unificar as lutas dos movimentos sindical, popular e estudantil de todo o país diante da falência da CUT e UNE. Vai realizar um congresso nacional com 4 a 5 mil delegados, mostrando que está se afirmando como uma nova direção para o movimento. Não por acaso, esteve à frente das principais mobilizações contra o governo Lula, com as passeatas em Brasília em 2005 e 2007. Assim como esteve presente nas principais greves do país.

Diante desse fato, porque o MTL e o MAS rompem com a Conlutas? Não pode ser apenas pela diferença sobre o governo Chávez. Existem outros setores no Brasil e na América Latina, que estarão presentes no congresso que defendem Chávez tanto ou mais que os companheiros.

Tampouco pode ser pela acusação feita pelos companheiros da “hegemonia” do PSTU. A Conlutas é uma organização ampla, que inclui movimentos sociais de peso na realidade, direções sindicais, populares e estudantis. Como partes dessas entidades, existem muitas correntes políticas, embora a maioria seja de independentes. O PSTU tem peso entre seus delegados porque desde o início esteve presente na sua construção. Mas todos sabem que a Conlutas é muito mais ampla que o PSTU.

Existe na Conlutas um debate saudável e democrático e, por isso, serão apresentadas 20 teses no congresso. Cada uma delas tem direito ao mesmo tempo para apresentação de suas posições. Aliás, como o MES-MTL e o MAS apresentaram teses em separado, os companheiros que estão rompendo teriam o dobro do tempo do PSTU para defender sua posições no congresso.

Como explicar, então, a recusa desses companheiros a apresentar suas posições democraticamente para mais de 4 mil delegados que estarão no congresso?

Na verdade, existe a possibilidade de que os companheiros estejam assumindo a posição equivocada de defender uma “corrente sindical do PSOL”. Ou seja, a mesma posição que leva à divisão dos trabalhadores em boa parte do mundo, com a “central sindical do PC”, a “central do PS”. Essa é a concepção de criar centrais sindicais para responder aos interesses eleitorais dos partidos, e não à necessidade da unidade para lutar que têm os trabalhadores.

Nossa luta deve ser pela unificação da Conlutas com a Intersindical, por unir todos que lutam numa única organização. A Conlutas, sendo o pólo mais dinâmico da reorganização, deve se fortalecer e quanto mais forte estiver, também estará na luta pela unidade dos que lutam.

A ruptura só é coerente com a tentativa de construção de uma “corrente sindical de Partido” no caso do PSOL. Isto, no entanto, favorece a fragmentação e se contrapõe à necessidade de uma entidade de Frente Única.

A proposta de criar uma “corrente sindical do PSOL” favorece a divisão dos trabalhadores e se contrapõe à necessidade de uma entidade de frente única.

É a mesma concepção que os leva a negar o Elac. Se o encontro não está atrelado a Chávez não pode se realizar. Se a Conlutas não estiver subordinada ao PSOL é preciso romper com ela e destruí-la.

Chamamos a todos os setores envolvidos na construção da Conlutas e do Elac a manterem seu caráter amplo e seu objetivo de unificar as lutas dos trabalhadores. Chamamos o restante do PSOL a seguir o caminho dos companheiros desse partido que continuam na Conlutas. Esperamos também que MES-MTL-MAS revejam sua atitude e retornem a Conlutas. Fazemos um chamado especial aos delegados eleitos por essas correntes que venham a nosso congresso, onde temos certeza que serão muito bem recebidos.

Entre nós, acumulamos a experiência riquíssima desses anos de construção da Conlutas. Com erros e acertos, tivemos uma convivência rica e democrática, que vai se expressar agora no congresso. Vários setores do movimento sindical e popular estão discutindo sua unificação com a Conlutas. Está se construindo uma entidade de frente única de movimentos sociais que é muito superior a qualquer um de seus agrupamentos políticos.

A luta dos trabalhadores exige a unidade dos que se dispõe a lutar. É preciso discutir a estratégia da Conlutas, seu plano de lutas, seu funcionamento. É fundamental depois transformar as propostas votadas em um movimento vivo dos trabalhadores, camponeses e estudantes. Vamos construir a Conlutas!

Post author Eduardo Almeida, da Direção Nacional do PSTU, e José Weil, da Liga Internacional dos Trabalhadores
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