Veio da Havan, Luciano Hang, é apoiador de Bolsonaro e recebeu 55 empréstimos do BNDES

“O Brasil está quebrado, não consigo fazer nada”, choramingou Bolsonaro no início do ano ao tentar justificar o descalabro de seu governo diante da maior crise econômica, social e sanitária do país. Recentemente, lançou mão de outra narrativa. Postou nas redes sociais valores que teria repassado aos estados, dando a ideia de que havia despejado bilhões aos governadores para o combate à pandemia.

De tudo isso, o que é verdade? O país está mesmo quebrado? Bolsonaro repassou bilhões que foram desviados pelos governadores?

A realidade é que se o país está quebrando é porque Bolsonaro mergulha o Brasil numa crise sem precedentes ao negar a vacina e privilegiar os bilionários, as grandes empresas e os banqueiros, enquanto ataca os trabalhadores e o pequeno negócio e entrega o país.

 

DESIGUALDADE

Bilionários, banqueiros e grandes empresários riem à toa

Quem está quebrado é o trabalhador, a população pobre e os que vivem do pequeno negócio. A pandemia fez disparar a desigualdade social. A pesquisa Pnad-IBGE mostra que os 10% mais ricos viram sua renda diminuir só 3% durante a pandemia. Já os 40% mais pobres perderam 30%.

A pesquisa, porém, não consegue pegar os ganhos de quem realmente está no topo da pirâmide. Essa gente não perdeu nem esses 3%. Pelo contrário, os muitos ricos ficaram mais ricos ainda. Só em 2020, o Brasil ganhou 33 novos bilionários, grandes empresários do ramo varejista, industrial e financeiro. O Brasil tem hoje 238 bilionários cujas fortunas somam a quantia impressionante de R$ 1,6 trilhão.

Enquanto o desemprego explode, as grandes empresas e os bancos mantêm ou aumentam seus lucros (veja o quadro). Uma amostra dessa desigualdade perversa é o aquecimento do mercado imobiliário de luxo, que aumenta na mesma proporção que as filas de desempregados para receber comida.

O acionista da Via Varejo, Michael Klein, disse em entrevista ao Estadão no dia 9 de março que “o presidente está fazendo um bom trabalho, está sendo bem autoritário, bem decisivo”. Para o barão, ele não só manteria o mandato de Bolsonaro, como o “renovaria por mais quatro anos”.

O Brasil de Klein não está quebrado, está muito bem, obrigado. A questão é que Bolsonaro atua justamente para os muito ricos ficarem mais ricos ainda, à custa do aumento da exploração, da pobreza e da miséria. É por isso que, em plena pandemia, a prioridade é proteger os lucros dos grandes bancos e empresas, atacando os serviços públicos, retirando direitos, suspendendo contratos de trabalho, entregando o país e sabotando qualquer medida de distanciamento social.

 

GRANDES EMPRESAS LUCRAM NA PANDEMIA

Vale – R$ 24,9 bi

Gerdau – R$ 2,6 bi

Usiminas – R$ 1,29 bi

Ambev – R$ 11,7 bi

 

BANCOS

Itaú – R$ 18,5 bi

Bradesco – R$ 16,5 bi

Santander – R$ 13,4 bi

Banco do Brasil – R$ 12,6 bi

 

O Brasil que não quebra

– 33 novos bilionários em 2020

– 238 bilionários no total

– R$ 1,6 trilhão de fortuna acumulada

 

QUE OS RICOS PAGUEM PELA CRISE

Tirar dinheiro de onde tem para combater a pandemia

O que Bolsonaro não diz é que o governo tem sim instrumentos para tirar o dinheiro de onde ele está: dos bolsos dos super-ricos e dos cofres das grandes empresas e dos bancos. Assim, será possível financiar um auxílio emergencial de verdade; manter os pequenos negócios; investir em saúde com a construção de novos leitos de UTI e, principalmente, investir na vacinação da população.

>>> Imposto emergencial de 30% sobre os bilionários garantiria R$ 480 bilhões, mais de dez vezes o que se pretende gastar com o atual arremedo de auxílio.

>>> Fim das isenções às grandes empresas garantiria mais R$ 300 bilhões.

>>> Proibição das demissões, com a estatização das grandes empresas e dos bancos que insistirem em demitir.

>>> Imposto fortemente progressivo. Estudo recente da USP mostra que aumentando em apenas 1% a tributação dos mais ricos daria para transferir R$ 125 aos 30% mais pobres.

>>> Reestatização das empresas privatizadas, sob o controle dos trabalhadores, colocando-as a serviço dos trabalhadores e do povo pobre.

>>> Proibição das remessas de lucro e estatização do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores.

 

NÃO CAIA EM FAKE NEWS

Na briga entre Bolsonaro e governadores, quem se dá mal é você

Bolsonaro divulgou a lista de repasses aos estados. Além de juntar alhos com bugalhos, misturando repasse obrigatório com auxílio emergencial, os números de Bolsonaro não mostram que é a União que mantém os estados, mas o contrário.

– Repasse dos estados em impostos: R$ 1,479 trilhão

– Repasse da União a estados e municípios: R$ 837 bilhões

Esses impostos vêm da classe trabalhadora e do povo pobre, que arcam com a alta e injusta carga tributária do país.

Mesmo assim, os governadores não têm nada de santos. Em geral seguem a política de ajuste de Paulo Guedes, sem falar nos esquemas de corrupção que existem em todas as esferas de governo. Doria em São Paulo, por exemplo, em plena pandemia, cortou R$ 80 milhões da Santa Casa em janeiro.