Em 21 de julho, os trabalhadores da Renault de São José dos Pinhais (PR) entraram em greve depois que a multinacional demitiu 747 trabalhadores de forma arbitrária, interrompendo a mesa de negociação com o sindicato da categoria. Inclusive fez isso desrespeitando a Lei Estadual 15.426/2007 que proíbe demissões em massa para as empresas que recebem subsídios do governo estadual.

Essa lei foi criada pelo atual governador do estado, Ratinho Junior (PSD), enquanto ainda era deputado estadual. Contraditoriamente, o mesmo se calou diante do fato de quase 800 trabalhadores ficarem sem ter de onde tirar seu sustento em meio a uma brutal pandemia, que já matou mais de 100 mil pessoas.

Mas os trabalhadores responderam à altura os ataques da Renault: organizaram uma forte greve. Greve essa que foi cercada de solidariedade por diversos movimentos, o que não poderia ser diferente. E sem dúvida, milhares de trabalhadores do país acompanhavam atentamente o desenrolar dessa luta, pois as demissões não são um problema exclusivo dos trabalhadores da Renault. Essa luta se tornou referência pais afora, se tornou impossível falar da situação do país sem falar da luta que acontecia na Renault.

Depois de 21 dias paralisados, os trabalhadores votam por encerrar a greve, com mais de 90% da categoria aceitando a proposta construída entre sindicato e a Renault. Foi uma proposta que inclui PDV, Layoff, possibilidade de redução salarial e implementação da MP 936. Além desses ataques, a empresa também vinculou o reajuste salarial e PLR.

O central é que a amplíssima maioria da categoria optou por aceitar o acordo, mesmo sabendo que muitos funcionários serão desligados da empresa através do PDV e outros tantos terão salários reduzidos. Essa é uma opção que os trabalhadores fazem com base na realidade, na situação do país. Mesmo diante dos ataques, a readmissão de 747 trabalhadores é uma importante vitória e um grande exemplo para todos os trabalhadores do país.

Segundo as últimas pesquisas do IBGE a taxa de desemprego no brasil subiu para 13,3%, com um fechamento de 8,9 milhões de postos de trabalho em apenas 3 meses. Para se ter uma ideia do que isso significa, comparando-se com a população do estado do Paraná, que é um pouco mais de 11 milhões de habitantes, é como se quase todo mundo aqui tivesse ficado sem emprego nos últimos três meses. Batemos o recorde também dos desalentados, 5,7 milhões de pessoas que já desistiram de procurar emprego.

Os números são assustadores, e esses dados não são apenas números, são nossos familiares, são pessoas de carne e osso que não têm de onde tirar seu sustento. Hoje dificilmente encontramos alguém que não esteja nessa condição ou que não tenha alguém próximo fazendo parte dessa estatística.

Essa situação é fruto da política econômica do governo genocida de Bolsonaro. Política que tem servido muito bem os ricos desse país, assim como fizeram os governos anteriores. Aprovou e MP 936, que só beneficia os patrões, pois possibilita a redução salarial sem nem ao menos garantir a estabilidade no emprego. Aproveita-se da pandemia para “passar a boiada”, ou seja, atacar os direitos dos trabalhadores. Deu mais de R$ 1 trilhão de ajuda aos bancos, e deixa os trabalhadores, pequenos comerciantes e pequenos empresários ao relento. Isso acontece porque o governo, na verdade, não passa de um balcão de negócios dos ricos de desse país. Tudo que é feito pelo governo é para atender os interesses dessa meia dúzia de burgueses.

E agora, no meio da pandemia, empurram os trabalhadores para os abatedouros todos os dias, enquanto temos que nos enfiar no transporte coletivo lotado para ir trabalhar, os governos não tomam medidas sérias de combate à COVID-19. O principal responsável pelas mais de 100 mil mortes no país é Bolsonaro. Tem uma postura completamente irresponsável diante desta pandemia. Já os governadores e os prefeitos também têm responsabilidade, pois afrouxaram as insuficientes medidas de isolamento. O que tem reinado é o liberou geral, e até a dita oposição parlamentar, PT, PCdoB, etc, tem aplicado as mesmas medidas de Bolsonaro onde governam.

Isso é o capitalismo. Esse sistema só vai levar a nossa classe a uma situação de cada vez mais miséria. Porque é um sistema que só se preocupa em como lucrar cada vez mais, e não em melhorar a vida do povo.

A nossa capacidade de produção hoje, por exemplo, poderia ter sido toda colocada a serviço do combate a pandemia, provavelmente evitando milhares de mortes. Poderíamos ter garantido uma quarentena geral, com renda digna para todos. Isso não acontece porque apesar de que nós trabalhadores produzirmos tudo no mundo, o resultado desse trabalho fica com o dono da fábrica, que na prática não faz nada. Por isso, precisamos destruir esse sistema, colocar todo o sistema produtivo a serviço de melhorar a vida do povo e por ele ser controlado.

É por isso que lutas como a da Renault, dentro deste sistema, têm grandes limitações. Não é possível que esses companheiros resolvam seus problemas de forma definitiva sozinhos. É certo que amanhã ou depois a Renault vai voltar a atacar os direitos dos seus trabalhadores. Os trabalhadores da Renault, assim como toda a classe, são assombrados diariamente pelo fantasma do desemprego. Pela ameaça de fechar a empresa aqui e abrir em um país onde a mão de obra é mais barata.

O desemprego não é apenas um problema dos desempregados, é um problema de todos os trabalhadores. Os patrões se utilizam dessa parcela da nossa classe de desempregados para reduzir o salário de quem está trabalhando. Daí vem a famigerada frase: “se não tá contente aqui, tem um monte de gente lá fora querendo”.

A questão central é que essas lutas por empregos, direitos e condições de trabalho são fundamentais para a nossa classe, e têm se tornado cada dia mais necessárias. Porém, essas lutas não vão resolver nossos problemas de forma definitiva. Na verdade, nossas condições de vida só têm piorado. Se a economia está bombando nos sobra as migalhas, já no primeiro sinal de crise, pode-se preparar, pois aí vem a paulada nos trabalhadores.

Por isso, para nós do PSTU, é fundamental que os trabalhadores lutem por emprego e direitos, mas não apenas, é preciso que a nossa classe lute para ter o poder político nas suas mãos. É preciso que nossa classe comece a se organizar nos bairros, nas fábricas, escolas, em cada local de trabalho para decidir de fato como governar o país: através de conselhos populares. Colocar todo esse desenvolvimento tecnológico a serviço de melhorar a vida do povo. E para isso, precisamos de uma revolução socialista, que coloque o poder nas mãos dos trabalhadores.