Pobreza e miséria crescem em meio à guerra social contra os trabalhadores e o povo pobre

Quase 55 milhões de brasileiros sobrevivem com até R$ 13,50 por dia

Enquanto o presidente eleito Jair Bolsonaro reclama do quanto é difícil ser “patrão” nesse país, embaixo crescem a miséria e a pobreza. Entre 2016 e 2017, dois milhões de brasileiros foram jogados para abaixo da linha de pobreza definida pelo Banco Mundial (renda equivalente a US$ 5,50 por dia, ou R$ 406 por mês). São agora 54,8 milhões de pessoas que vivem nesta situação no Brasil, ou 26,5% do povo (em 2016 eram de 52,8 milhões, ou 26,5%).

É o que mostra o levantamento divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no último dia 5 no documento Síntese de Indicadores Sociais. Além do crescimento da pobreza em todas as regiões, o levantamento mostra o corte de raça e gênero. Dentre as mulheres negras com filhos de até 14 anos, 64,4% sobreviviam abaixo da linha de pobreza.

Já a população em situação de “extrema pobreza”, com renda inferior a US$ 1,90 por dia (ou R$ 140 por mês), ainda nos critérios do Banco Mundial, passou de 13,5 para 15,2 milhões, em percentagens, de 6,6% para 7,4%.

É evidente que esses critérios são absolutamente arbitrários e não servem para auferir a real taxa de pobreza e miséria do país. Em novembro, por exemplo, o preço da cesta básica em São Paulo, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), era de R$ 471, mais do que o limite estabelecido pelo Banco Mundial para definir a linha de pobreza.

O levantamento aponta, contudo, o aumento da pobreza e da barbárie produzida pela guerra social contra os trabalhadores e a população pobre no último período, com o desemprego em massa, a retirada de direitos e o desmonte dos serviços públicos.

Informalidade e desemprego
O estudo mostrou ainda o crescimento da “taxa de desocupação”, ou desemprego, que passou de 6,9% em 2014 para 12,5% em 2017. Importante aqui, também, lembrar que os critérios utilizados para o desemprego pelo IBGE são bem questionáveis. Na prática, esse número é bem maior. De qualquer forma, mesmo por esse critério o desemprego quase dobrou no período. O número de trabalhadores informais, por sua vez, aumentou em 1,2 milhão nesse período, chegando a 40% da população.

Já o rendimento médio em 2017 era de R$ 1.511. Nas regiões Norte e Nordeste, porém, quase metade da população sobrevivia com até meio salário mínimo. E aqui, mais uma vez, pesa o racismo, com os trabalhadores brancos ganhando em média 72% a mais que os trabalhadores negros.

Política prometida por Bolsonaro vai aumentar barbárie
Essa situação tende a piorar ainda mais com as promessas de Bolsonaro de aprofundar a reforma trabalhista e, principalmente, impor a reforma da Previdência já no primeiro semestre de 2019. A primeira medida seria aumentar a idade mínima, o que tiraria o direito à aposentadoria de fatia grande da classe trabalhadora.

Outra medida estudada pela turma do futuro Ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, é o de alterar o chamado BPC (Benefício de Prestação Continuada), que o trabalhador carente tem direito ao chegar aos 65 anos (ou a pessoa com deficiência). Estima-se que hoje 4,5 milhões de trabalhadores sobrevivam com esse benefício de um salário mínimo. A equipe econômica de Bolsonaro quer aumentar a idade para receber o benefício para 85 anos. Em tempos de crise, desemprego e pobreza, a perda desse benefício que sustenta milhões de famílias, vai aprofundar a miséria e a barbárie social.

Só para efeito de comparação, o IBGE estima que seriam necessários algo como R$ 10 bilhões por mês para acabar com pobreza no país (pelos critérios deles lembrando). Isso daria R$ 120 bilhões ao ano. Mas só em 2017, os empresários e banqueiros deixaram de pagar R$ 354 bilhões em isenções e renúncias fiscais.

Não Bolsonaro, o difícil não é ser patrão no Brasil. O difícil é ser trabalhador e pobre, sustentar essa corja de corruptos e ainda ter seus poucos direitos, e até mesmo as mínimas condições de vida, solapadas pelo governo e a burguesia.

Editorial: Para onde vai o Brasil com Bolsonaro