Editorial: Para onde vai o Brasil com Bolsonaro

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), participa da comemoração do 73 aniversário da Brigada de Infantaria Pára-quedista, na Vila Militar em Deodoro.Foto Fernando Frazão/Agência Brasil

Chegamos ao final de 2018 com o país estagnado, com milhões de desempregados e outros milhões com trabalho precário sem direitos e sem nenhuma segurança.

O novo governo recém-eleito escolhe seus ministros entre militares, banqueiros e extremistas de direita, em meio a aplausos dos ricos. Porém há oposição de uma parte da classe trabalhadora e de setores oprimidos e uma expectativa da maioria da classe, mesmo que não entusiasmada e até mesmo desconfiada, por parte de um setor. Vários destes ministros, diga-se de passagem, têm denúncias de corrupção.

 

Os banqueiros aplaudem entusiasmados as promessas de privatizações, a reforma da Previdência, a retirada de direitos trabalhistas e os cortes selvagens em gastos sociais. Além da promessa de ordem, ou seja, de repressão a pobres, negros, indígenas, quilombolas, mulheres, LGBTs e lutas e organizações dos trabalhadores.

 

Bolsonaro e seu entorno prometem passar o camburão em quem discordar. Para ele e seus filhos, a defesa da aposentadoria é coisa de comunistas, embora o próprio Bolsonaro tenha se aposentado com 16 anos de contribuição, recebendo R$ 29 mil, aos 57 anos. Além disso, vai ganhar mais R$ 30 mil por mês de salário.

 

A máquina de fake news será ligada para convencer que a reforma vai combater privilégios e marajás, enquanto tentará atacar os pobres e a classe trabalhadora.

Tudo isso para destinar ainda mais dinheiro ao pagamento da dívida pública, que consome todos os anos quase metade do Orçamento. Esse é o maior roubo ao país, que consome quase duas vezes tudo que se gasta em aposentadorias. Bilhões vão para os banqueiros, enquanto milhões de pais de família ficam sem emprego. Para pagar a dívida, o governo impõe um teto de gastos sociais.

 

Ao mesmo tempo, querem vender o Brasil a preço de banana para os gringos, especuladores internacionais e multinacionais, especialmente dos EUA. Petrobras, Caixa, Banco do Brasil, saúde e educação públicas estarão disponíveis no feirão.

Paulo Guedes, o futuro ministro da economia, é um banqueiro e especulador. É um investidor em educação à distância, que lhe dá enormes lucros. Ele vai comandar a nova rodada de privatizações e de desmantelamento da educação pública. Daí que o projeto falsamente chamado de Escola Sem Partido, que é verdadeiramente um projeto de escola de partido único, o de Bolsonaro, é uma cortina de fumaça para privatizar a educação.

 

O fim de feira que significa esse projeto ultraliberal, copiado do ditador chileno Pinochet, vai implicar numa recolonização do Brasil e o crescimento da barbárie sobre o povo pobre. Para conter os pobres, eles vão aumentar o genocídio contra o povo negro e pobre, que hoje mata 65 mil por ano.

 

No entanto, nem tudo são flores para Bolsonaro e seus generais. Esse projeto, de certa forma, vai dividir também os de cima e mesmo os setores médios que votaram no capitão para derrotar o PT e agora vão fazer a experiência. Eles tendem a reagir e lutar.


A primeira tarefa de todo ativista consciente da classe trabalhadora e da juventude é conversar com a maioria da classe e explicar os projetos do futuro governo. Alertar sobre o que vem aí. Que está se preparando um enorme ataque à aposentadoria que vai atingir os mais pobres e acabar com qualquer futuro da juventude. Que vão nos atacar violentamente para entregar o Brasil aos gringos e banqueiros.

 

A segunda tarefa é construir a mais ampla unidade para lutar. No chão das fábricas, nos locais de trabalho e estudo, no campo e na cidade. É preciso unir as lutas dos funcionários públicos, estudantes, trabalhadores do setor privado com os desempregados, a juventude, camponeses, quilombolas, negros, mulheres, LGBTs e indígenas.

 

A terceira defesa é a das liberdades democráticas, do direito de se manifestar, de lutar, de se expressar e de se organizar. Lutar contra toda criminalização dos lutadores, dos movimentos, sindicatos e das nossas organizações.

 

Por fim, é preciso exigir de todas organizações, sindicatos e movimentos que organizem um plano de lutas e construam a unidade para lutar em defesa da aposentadoria, do emprego, da educação e saúde. É necessário construir uma greve geral.

 

As direções das centrais sindicais não podem fazer o que fizeram em 2017, quando, à exceção da CSP-Conlutas, desmontaram a segunda greve geral que podia ter impedido a reforma trabalhista e até ter derrubado Temer. Naquele momento, submeteram-se à estratégia de partidos como PT, Solidariedade e PCdoB, que privilegiavam as eleições e sempre estiveram dispostos a negociar reformas.

 

A bandeira de Bolsonaro não é verde amarela. Ele quer colocar os Estados Unidos acima de tudo e banqueiros acima de todos. Só a classe operária, os trabalhadores e os setores populares mobilizados podem impedir a entrega do Brasil. Ao mesmo tempo, para mudar de verdade tudo que está aí, precisamos de um governo dos trabalhadores, que governe para os de baixo, em conselhos populares, e pare de engordar o cofre dos banqueiros. O Brasil precisa de uma revolução socialista.