Paraisópolis: Foi uma chacina comandada pela PM

Vera, ex-candidata a Presidente pelo PSTU

Dor e revolta são as únicas palavras para descrever o que aconteceu na madrugada deste domingo na favela de Paraisópolis, em São Paulo. O que grande parte da imprensa vem chamando de “tragédia” tem outro nome: trata-se de uma chacina, de um massacre praticado pela Polícia Militar do governador João Dória (PSDB). Nove vidas, nove jovens de 14 a 28 anos, que passam a fazer parte das estatísticas desse genocídio negro que vivemos nesse país.

A explicação da Polícia Militar simplesmente não convence. O que é fato: os policiais chegaram num baile funk em Paraisópolis, com cinco mil jovens, reprimiram com bombas de gás e tiros de bala de borracha, deixando nove mortos, que foram pisoteados durante a repressão, e vários feridos. Vídeos filmados por moradores mostram como a polícia encurralou os jovens em vielas, espancando de forma indiscriminada, não deixando chance de fugirem. Testemunhas dizem que o que aconteceu foi uma armadilha. Chegaram por todos os lados para reprimir, não foi uma ação para “dispersar”, como costumam dizer.

Mesmo que tivesse havido o que a PM alegou, uma perseguição a uma moto que entrou na favela, a ação da polícia não seria menos criminosa. Foi pensada, calculada, e realizada com requintes de crueldade. Mostra o racismo institucional e a criminalização da pobreza por parte dessa polícia que vê jovens e negros favelados como sinônimos de bandidos a serem reprimidos e executados.

Baile funk, única alternativa de jovens de uma das maiores favelas do país, com 100 mil habitantes, por sua vez, é criminalizado, tratado a tiro e bomba. O discurso hipócrita e racista dos que apoiam esse tipo de ação da PM, afirma que o evento é local de venda e consumo de droga. Mas ali pertinho de Paraisópolis, no bairro nobre de Morumbi, não vemos esse tipo de ação, por que será? Será que jovens de classe média alta não usam drogas? Ora, chega de hipocrisia!

Moradores de Paraisópolis protestam contra massacre da PM. Foto Jornalistas Livres

Temos que nos levantar contra o genocídio da nossa juventude negra, incentivada agora pelo discurso racista do governo Bolsonaro, que quer garantir carta branca (mais ainda) para a PM matar com seu projeto de “excludente de ilicitude”. E cobrar a responsabilidade do governador João Doria, que se colocou ao lado de Bolsonaro na campanha eleitoral e agora tenta se afastar para disputar as eleições, mas que segue à risca no estado a mesma política de criminalização e extermínio da juventude pobre e negra, também imposta pelo seu colega Witzel no Rio de Janeiro, assim como a cartilha neoliberal de Paulo Guedes, com ataques aos trabalhadores, ao povo pobre, aos professores e de entrega das estatais e privatizações generalizadas.

Bolsonaro, Witzel e Doria aparecem agora brigando na imprensa, mas compartilham da mesma política e do mesmo ódio aos trabalhadores, ao povo negro e pobre desse país. Estão nos matando, com desemprego, fome e com a polícia.

Exigimos apuração e punição dessa chacina já! Não vamos deixar passar impune esse crime do Estado. Basta de genocídio negro!