Ontem neobobos, hoje reacionários

Quem não se lembra de FHC chamando os aposentados de vagabundos? E quem não se lembra dos arautos do neoliberalismo chamando a oposição de neobobos e de atrasados Pois é, o que muitos não esperavam e não sabiam é que o governo Lula seria um lobo em pele de cordeiro.

A proposta de reforma que Lula entregou dia 30 ao Congresso Nacional é a de FHC aprofundada. A campanha publicitária veiculada nas TVs e rádios é ainda mais perversa: embrulha em nova embalagem o produto reacionário do FMI e dos banqueiros. Os que se opõem, antes eram “neobobos”, agora são “reacionários”.

Na TV, comparam a reforma do FMI ao fim da escravidão e à liberação das mulheres, afirmando que quem é contra é reacionário. Em outro comercial, tentam mostrar-se simpáticos aos servidores, fazendo com que uma servidora comum (como 98% dos servidores) pense que não será atacada. Os “sacrifícios” parecem mínimos e justos.
No Congresso Nacional, é grande a truculência e o rolo compressor – junto com o toma lá dá cá – contra aqueles da base governista que discordam.

Aliás, vários “discordantes” da chamada base governista, já jogaram a toalha. Como Aldo Rebelo (PCdoB), que assegura a aprovação da reforma do FMI, ou de Nelson Pelegrino, da Força Socialista, de Walter Pinheiro da DS e tantos outros que – para não perder cargos no governo – se enquadram. Uma vergonha!

A Democracia Socialista já atravessou o rubicão. A carta da corrente desautorizando Heloísa Helena, que aventou entrar na Justiça contra a propaganda do governo, deve ser vista não apenas como um ataque à senadora, mas a todos os servidores públicos.
O deputado Walter Pinheiro (também da DS) está neste momento procurando ver como construir um bode viável na questão dos inativos: propõe ao governo que não institua tal taxação por lei federal, apenas mude a Constituição de modo a permitir que os governadores o façam via Assembléias Legislativas.

Mas há um caminho para derrotar essa reforma reacionária e forçar e ampliar uma crise no Congresso e na base do governo.

Esse caminho é o da mobilização. O funcionalismo das três esferas em luta, em greve e nas ruas, tem força para desmontar essa campanha mentirosa do governo e colocar muitos deputados no seu devido lugar.

Os tradicionais cartazes do funcionalismo nos postes com as caras dos deputados pró-reforma, dizendo “estes são anti-servidores”, devem ser acrescidos de “são pró-FMI”. O PSDB e PFL já estão acostumados com isso, mas vamos ver como reagem os Aldo Rebelos e tantos outros, se não mudarem de posição e rejeitarem integralmente esta reforma que privatiza a Previdência em benefício dos banqueiros.

Post author Mariúcha Fontana,
da redação
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