Novembro é o mês conhecido como Novembro Negro em referência a importantes lutas e em memória do calendário da negritude: Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado no dia 20, em homenagem à imortalidade de Zumbi dos Palmares e à Revolta da Chibata, rebelião de marinheiros negros liderada por João Cândido ocorrida em 22 de novembro. Soma-se a esse calendário o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, no dia 25, em memória das irmãs Mirabel, assassinadas durante o enfrentamento contra a ditadura de Trujillo na República Dominicana (leia na página 15).

Esses três episódios também trazem à tona o assassinato violento de negros e negras que buscavam a liberdade coletiva de seu povo. A forma violenta como o Estado trata quem luta está presente até os dias de hoje. A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil e temos uma população encarcerada de mais de 800 mil presos segundo dados do Banco de Monitoramento de Prisões, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2019.

Em relação às mulheres, o Atlas da Violência destacou que o Brasil teve uma mulher assassinada a cada duas horas em 2018, um total de 4.519 vítimas, das quais 68% são negras. Portanto, chegamos à triste conclusão: há uma política genocida para negros e negras no país.

RACISMO E CAPITALISMO

Uma combinação cruel para negros e trabalhadores

Chegamos ao Novembro Negro em meio à crise econômica e à pandemia da COVID-19. No Brasil, alcançamos a triste marca de 166 mil mortos e 5,8 milhões de contaminados, sendo a maioria de negros e pobres.

Bolsonaro chamou o vírus de “gripezinha” e justificou todo o seu descaso com a preocupação com a economia do país. O que vemos hoje, porém, é que ele não deu atenção para nenhuma das duas coisas. Afinal, não só o número de mortos e contaminados aumentou, como o desemprego e a inflação foram às alturas.

Entre maio e julho deste ano, o desemprego atingiu a marca de 13,8%. Isso representa 13,1 milhões de pessoas desempregadas e 5,8 milhões de trabalhadores desalentados que já não veem possibilidades reais de emprego.

Em meio a esse cenário de pandemia e desemprego, os trabalhadores enfrentam ônibus, trens e metrôs lotados sob o risco constante de contaminação. Como se tudo isso não bastasse, o preço dos alimentos disparou, e o auxílio emergencial, que já era insuficiente, caiu para R$ 300 e vai ser pago só até dezembro.

No entanto, se para os trabalhadores a pandemia e a crise têm tirado vidas e empregos, para os ricos, a história é outra: tornaram-se super-ricos! Neste período, 42 ricaços ampliaram suas fortunas, chegando a um ganho de R$ 175 bilhões.

Enquanto milhares de pequenos comerciantes foram à falência, os bancos tiveram lucros astronômicos. Enquanto os trabalhadores de aplicativos estão se matando de trabalhar e recebendo uma miséria em troca, as empresas de aplicativos (iFood, Uber, 99 etc.) faturaram como nunca! Enquanto milhões de trabalhadores estão desempregados, endividados e com nome sujo na praça, as igrejas tiveram suas dívidas de mais R$ 1 bilhão perdoadas, num acordão envolvendo Bolsonaro e a bancada evangélica.

A necessidade da luta

Ondas de manifestações ocorreram nos EUA contra o racismo e a violência policial. Recentemente, vários protestos se espalharam por países africanos: Zimbábue, Mali, Sudão, Quênia, Tanzânia, Angola e Nigéria. Na Nigéria, por exemplo, os protestos vão desde as manifestações das mulheres que denunciam a opressão, até os operários reivindicando questões salariais, os profissionais de saúde que denunciaram a situação de trabalho e o povo pobre destacando as mazelas capitalistas.

Neste Novembro Negro, devemos espelhar-nos nas lutas históricas e atuais do nosso povo em diferentes países do mundo. Precisamos derrubar a ultradireita racista que se alojou nas estruturas do Estado e quer negar a nossa história. É importante colocar para fora Bolsonaro, Mourão e Sérgio Camargo, da Fundação Palmares, uma instituição importante de fomento à cultura afro-brasileira.

Marcha da Periferia

Em várias cidades está sendo construída a Marcha da Periferia nos bairros e quebradas, com o lema “Por uma rebelião contra o racismo, a pandemia e o desemprego”. Nós do PSTU convidamos a todos os negros e pobres trabalhadores a se somarem a essas atividades.