Rebeldia – Juventude da Revolução Socialista – Espírito Santo

No dia 25 de novembro, em Aracruz (ES), duas escolas foram atacadas: a Escola Estadual Primo Bitti e, em seguida, o Centro Educacional Praia de Coqueiral, deixando 4 mortos, até o momento, e 12 feridos. Esse ataque foi feito por um adolescente de 16 anos de idade, branco, de classe média e filho de um policial militar. O ataque, inclusive, foi feito com uma arma da própria corporação, e uma outra particular, que era legalizada.

Não podemos ignorar o fato de o atirador de Aracruz estar carregando uma suástica, símbolo nazista, enquanto atacava as escolas. Tenente da polícia militar, o pai do adolescente que realizou o ataque em Aracruz, compartilhava em suas redes sociais imagens em que fazia a leitura de “Minha Luta” de Hitler e é apoiador de Jair Bolsonaro.

Além disso, nesse mesmo ano, a escola Éber Louzada Zippinotti (em Jardim da Penha, Vitória, capital do ES) também havia sido atacada. Em Vitória, felizmente, não houve vítimas fatais, porém, a investigação, ao encontrar as redes sociais do jovem que realizou o ataque com bombas caseiras e uma besta, percebeu que ele utilizava vocabulário “incel”, se intitulando “sanctus”, que é utilizado para glorificar homens que cometeram atentados. O atirador de Vitória mantinha contato direto com quem fez um ataque a uma escola na Bahia que provocou uma vítima fatal. Está evidente que a direita protofascista tem se organizado em células neonazistas pela Internet, onde planejam em conjunto atentados. A investigação da Polícia Civil aponta que o jovem de Aracruz estava planejando o ataque há dois anos.

Primeiramente, nós, do Movimento Rebeldia, queremos prestar solidariedade a todos familiares e amigos das vítimas dessas tragédias. Nunca serão esquecidos.
Em segundo lugar, precisamos urgentemente discutir nossa autodefesa contra esses ataques da extrema-direita e do fascismo. O Bolsonaro, mesmo tendo perdido a eleição, conseguiu organizar pessoas ao seu redor que querem implementar um golpe no país, que seguem sua linha de discurso de ódio, especialmente contra os setores oprimidos. As manifestações pós-eleições mostram isso, que sua base tem se organizado.

Infelizmente, ataques como esse não foram os primeiros e não serão os últimos, porque essa é a política que o bolsonarismo construiu e vem construindo até agora. Nesse sentido, não podemos simplesmente acreditar que o problema do Bolsonarismo acabou com sua derrota eleitoral. Primeiro, porque seu partido e apoiadores formaram uma grande base no Congresso Nacional, e segundo, porque estão organizados na base. A política do PT e de muitas organizações de esquerda, ao ignorar isso e falar para os trabalhadores que não devemos ir às ruas combatê-los, na verdade, só aumenta a força deles. Sem falar nas alianças com a própria direita, fortalece esse setor.