Érica Guarani (Secretaria de Mulheres do PSTU) e Tiago Silva (Secretaria LGBT do PSTU), de Natal/RN

Uma mulher foi assassinada a tiros pelo ex-companheiro na quinta-feira (28), no município de Pedro Velho, no interior do Rio Grande do Norte. Rayana Nadjara Oliveira tinha 34 anos e foi atingida por seis tiros dentro de um mercadinho. Segundo familiares, o ex-companheiro não aceitava o fim do relacionamento. A filha do casal, de cinco anos, estava no local no momento da morte da mãe.

No Rio Grande do Norte, infelizmente, essa realidade apresentou um aumento de 44,3% no 1° semestre de 2021, em comparação a 2020, de acordo com a Coordenadoria de Estatísticas e Análise Criminal (Coine) da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social do RN (Sesed). É inadmissível que isso ocorra em qualquer lugar, porém é ainda mais revoltante que aconteça no estado governado por uma mulher que se diz de origem popular. A governadora Fátima Bezerra (PT) precisa ter políticas efetivas para salvar a vida das mulheres trabalhadoras.

O Brasil contabilizou, durante o isolamento social em 2020, 1.350 casos de feminicídio. Esse número significa que, a cada seis horas e meia, uma mulher foi morta. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A Lei Maria da Penha, que visa combater a violência doméstica às mulheres, completou 15 anos no dia 7 de agosto deste ano. Essa política pública é uma importante conquista para as mulheres trabalhadoras, mas precisa de muito mais investimentos para sua efetivação.

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Bolsonaro, Damares Alves, por exemplo, usou apenas 25% do orçamento destinado à pasta para o combate à violência às mulheres. Paralelamente, seu discurso conservador contribui para fortalecer a submissão e a opressão às mulheres, em vez de combater o machismo.

Para Érica Guarani, militante do PSTU/RN, mulher indígena, trabalhadora da saúde e mãe, o assassinato de Rayana e de tantas outras mulheres é o retrato da opressão e da exploração a que as mulheres são submetidas nesta sociedade capitalista. “Nós não temos direito de decidir sobre nossos relacionamentos, sobre nossos corpos, sobre nossas vidas. Isso é arrancado todo dia da gente”, diz Érica.

Érica fala sobre a dificuldade de receber notícias como esta. “É difícil, porque passa um filme na nossa cabeça. Toda mulher já sofreu algum tipo de violência ou assédio. E se você é negra e pobre, isso ocorre com mais intensidade”, desabafa, destacando a importância do recorte de raça e classe para o debate sobre o machismo.

“É por isso que nós, mulheres do PSTU, defendemos a mais ampla unidade entre nossa classe para lutar contra Bolsonaro, Mourão e todos os governos que atacam a nossa classe e perpetuam as opressões. Temos que construir também uma sociedade socialista, para atingirmos toda a liberdade do nosso ser”, defende.