Um dos grandes nomes da arte contemporânea do Brasil e do mundo, Jaider Esbell, nos deixou na última terça-feira, 2 de novembro. Ele foi encontrado morto em sua residência na cidade de São Paulo. Atualmente, era um dos curadores da Bienal Internacional de Artes de São Paulo com a exposição intitulada “Moquém – SurarΔ, que reúne mais de 34 obras de artistas indígenas da atualidade. Entre eles Daiara Tukano, Uýra, Bu´u Kennedy, Denilson Baniwa entre outros. Além de expor mais de 11 pinturas inéditas para a Bienal e iluminar o lago do Ibirapuera com duas serpentes gigantes chamadas de “Entidades”, que flutuam sobre o lago do lado oposto à escultura de Cabral.

O cosmopolítico Jaider Esbell (como se apresentava), do povo Macuxi, nasceu em 1979 no município de Normandia, no norte de Roraima, hoje conhecida como Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Conhecido como precursor da arte indígena no Brasil e no mundo, já teve suas obras expostas em diversos países, liderando, abrindo caminhos e traçando outras rotas possíveis no universo artístico. Mais que artista, escritor, curador e geógrafo, Jaider Esbell se apresentava como um ser coletivo, plural e político, com a intenção de fazer ecoar através de sua arte a luta, a resistência, a beleza e as histórias dos povos originários, construindo outras narrativas e descolonizando pensamento e ideias.

Suas obras não se limitam aos muros e espaços restritos, muito pelo contrário, sua intenção era elevar e apresentar, em especial o povo macuxi, mas não apenas, como aqueles e aquelas que sobrevivem na selva de pedra das cidades, e perpetuam através de outras grafias um modo de ser, estar e habitar o mundo, indicando outros mundos possíveis de serem vividos e experienciados.

Em entrevista a TV Cultural no dia 11 de Outubro de 2021 o artista político diz:

Eu não sou artista, eu talvez tente fazer política, cosmopolítica algo muito mais amplo que abarque todas as narrativas das lideranças tradicionais e que contemple toda a política nacional, global para tratarmos exatamente da urgência do fim do mundo e de todas essas emergências que o capitalismo e toda essa estrutura armada costuma manipular mantendo as pessoas com ideias tão vagas de que a luta é dos indígenas, mas volto a dizer a luta é de todos”, disse.

Por um mundo sem opressão, sem capital, onde as relações sejam marcadas pelas relações humanas, não-humanas, e extra-humanas (seres encantados das florestas) que gritamos em alto e bom som, Jaider Esbell presente hoje, amanhã e sempre!

A exposição – Moquém- SurarÎ está no MAM como parte da Bienal de Artes até 28 de novembro, de terça a domingo das 10 às 18 horas.