Entendemos que a construção de um partido que pretende ser uma ferramenta de organização e defesa da classe trabalhadora deve se dar sob condições de total independência financeira, com o financiamento de seus diretórios e campanhas feitos unicamente pelas contribuições de sua militância e das trabalhadoras e trabalhadores que se disponham a construir um partido revolucionário. Em função disso e considerando a construção recente do PSTU em Sinop, não nos encontramos condições de lançar candidaturas nas eleições municipais de 2020.

Porém, mesmo que não tenhamos candidaturas, sabemos que as eleições são um momento fundamental para apresentarmos os problemas que identificamos na cidade e as formas de enfrentá-los em favor das trabalhadoras e trabalhadores de Sinop. Entendemos que, nesse sentido, nos diferenciamos das seis candidaturas que se apresentam como alternativa para a Prefeitura de Sinop, visto que consideramos que em nada se diferem do que vemos ano após ano na política brasileira. Pretendemos discutir esses pontos brevemente neste texto, deixando o campo aberto para àqueles que queiram entender melhor nossa posição e dialogar com nossa militância sobre este manifesto.

Primeiramente, vamos tratar da composição das chapas e, para isso, dividiremos as candidaturas em três grupos: o primeiro, compreende os representantes do empresariado regional, do agronegócio, das mídias ou da saúde. Juarez Costa (MDB), Roberto Dorner (Republicanos) e Jorge Yanai (Podemos) em nada surpreendem, figurões da política do estado, os três já ocuparam cargos no executivo e legislativo e sempre estiveram ao lado dos interesses da velha política dos ricos.

O segundo grupo é representado por duas candidaturas que tentam galopar no saldo eleitoral de Bolsonaro em Sinop: Marcelo Stachin (PRTB) e Delegado Sérgio (PSL). Ambos reproduzem o discurso usado na campanha presidencial, apresentando-se como alternativa à velha política, para ‘mudar todo isso que está aí’. Nos últimos dois anos vimos, no Governo Federal, o que acompanha as mentiras dessa pretensa nova política: negociações com os corruptos do Congresso, interferências no Judiciário para proteger as milícias e os aliados da família Bolsonaro etc. De nova, essa política não tem nada.

Para finalizar, temos a candidatura do PT, que apresenta Roberto Arruda como frente de chapa. Nossa posição a respeito dessa chapa considera fundamentalmente dois aspectos: o primeiro deles é que as eleições municipais de Sinop não estão em nada isoladas do que acontece (ou aconteceu) na história política recente no nosso país. De início, nos anos que tivemos o Partido dos Trabalhadores no Governo Federal, Lula e Dilma insistentemente mostraram que estavam alinhados com os interesses dos ricos e poderosos. Sinop é um exemplo disso, basta lembrarmos de quem foram os que se beneficiaram das grandes isenções fiscais, da política de incentivo à exportação de produtos primários etc. Enquanto os grandes proprietários de terras e empresários do agronegócio faturaram milhões, as trabalhadoras e trabalhadores de Sinop amargam dívidas, alugueis caríssimos e desemprego. Isso sem contar as usinas hidrelétricas bilionárias construídas ao nosso lado, com recursos públicos e defesa implacável dos governos petistas, enquanto a conta de luz só aumenta.

Em 2016 assistimos à ampla articulação da direita para retirar o PT do Governo Federal por meio de um impeachment, rodeado por um verdadeiro espetáculo midiático. Naquele momento, parte da esquerda entendeu que seria uma oportunidade das direções burocráticas do PT darem uma guinada à esquerda, se desvencilhando das alianças com a ‘velha política’ e construindo uma frente de esquerda para combater o avanço da ultradireita que vinham tomando a forma do bolsonarismo, que enfrentamos hoje. Para surpresa desses setores, nas eleições municipais de 2020 o PT formou aliança com o PSL, partido que elegeu Bolsonaro e abriga os setores mais raivosos da ultradireita brasileira, em pelo menos 145 municípios. Há quem veja isso como ingenuidade: ‘Como será possível que o PT insista em se aliar com esses setores? Será que não aprendem?’.

Nós, porém, entendemos que não é de forma alguma ingenuidade. Há muitos anos o PT já deixa bastante evidente que sua estratégia política está centrada em disputar os espaços de poder já constituídos, absolutamente dentro dos limites que o capitalismo inscreve. E isso nos leva ao segundo aspecto que orienta nossa tomada de posição nessas eleições municipais: a chapa que o PT apresentou para concorrer à prefeitura não se difere às demais na forma como discute os problemas do município e propõe soluções.

Como podemos afirmar isso? Basta assistir ao programa eleitoral e ver os materiais de campanha (seus vídeos, pôsteres etc.). Todos os candidatos tratam os problemas de Sinop como se fossem uma questão de gestão, de saber fazer ou fazer diferente. Nós, do PSTU, entendemos que os problemas que enfrentamos em Sinop são manifestações das contradições do sistema capitalista, que coloca o lucro acima da vida e das necessidades da classe trabalhadora. E, para enfrentá-los de verdade, é preciso apresentar uma estratégia que pretenda se construir em contraponto ao capitalismo. Não é uma questão de saber fazer, mas de entender que esse sistema é o obstáculo principal para a superação dos problemas que atingem a nossa classe.

Para finalizar esse ponto, existe uma outra coisa que une todas as candidaturas e, para nós, é a mais grave. Todas as chapas apresentam propostas de governo e falam dos problemas do nosso município (água, asfalto, energia, educação etc.) de forma indefinida, como se afetassem a todas e todos da mesma forma, ao mesmo tempo que silenciam um elemento que vem castigando as trabalhadoras e trabalhadores de Sinop em 2020: a pandemia de Covid-19. Enquanto Sinop figura com a maior taxa de mortalidade entre as cidades com até 150 mil habitantes do Brasil, nenhuma das candidaturas apresenta um programa de combate à disseminação do vírus ou do enfrentamento às suas consequências para a classe trabalhadora. Além disso, quando não são aliadas, não denunciam a política de morte empreendida pelos governos federal, estadual e municipal para não desagradar o grande empresariado.

Sob o pretexto de ‘não parar a economia’, Bolsonaro, Mauro Mendes e Rosana Martinelli (que até esses dias era aliada de Juarez Costa) admitiram que milhares de brasileiras e brasileiros morressem! Segundo os últimos dados, para cada mil habitantes de Sinop, tivemos quase uma morte registrada pela doença. E, para cada mil mortes no Brasil, aproximadamente uma acontecia no nosso município. Agora, a pergunta que fica, como está a economia do Brasil e da nossa cidade? Como está a situação financeira das famílias que dependem do trabalho para garantir seu sustento?

A população de Sinop é estimada em 146 mil pessoas pelo IBGE. Destas, mais de 51 mil receberam o Auxílio Emergencial. Esse número é maior que o número de pessoas com trabalho registrado no município no último censo. Esse é o saldo da pandemia até agora e todos os candidatos à prefeitura de Sinop falam de como pretendem fazer seus governos sem ter a coragem de tocar nesse assunto. E fazem isso como se, com a passagem de 2020 para 2021, fossemos magicamente nos livrar do vírus e das consequências diretas e indiretas dele nas nossas vidas.

Entendemos que, para enfrentar os problemas que o capitalismo vem impondo à classe trabalhadora sinopense e, mais recentemente, às consequências da pandemia para todas e todos que não tiveram a opção de ficar em casa, é preciso apresentar um programa de emergência para nossa cidade. E esse programa deve estar centrado nos problemas que atingem as trabalhadoras e trabalhadores da nossa região, além de abolir os privilégios que as classes dominantes desfrutam a custo da exploração e morte.

Um programa de emergência para Sinop: enfrentar o capitalismo e a Covid-19

1. Democracia de verdade: as trabalhadoras e os trabalhadores devem decidir sobre o futuro da cidade por meio de conselhos populares, em seus bairros e locais de trabalho.

2. Chega de machismo, racismo, LGBTfobia e todas as formas de opressão: os setores oprimidos são os que mais sofrem no capitalismo e na pandemia isso piorou. Além do desemprego e precarização, sem uma política efetiva de combate às opressões, os índices de violência contra mulheres, negros e LGBTs não param de crescer.

3. Controle de preços de alimentos básicos no mercado: o agronegócio não pode exportar e lucrar enquanto os preços da comida não para de subir nas prateleiras.

4. Reestatização da água e da energia, com controle de trabalhadores: sem lucros bilionários e aumento de tarifas durante a pandemia, suspensão da cobrança na periferia.

5. Chega de aluguel caro e moradia precária: nenhuma família sem uma casa para morar, reforma urbana e combate à especulação imobiliária.

6. Fim das isenções fiscais e benefícios para os capitalistas: chega de grandes empresários e do agronegócio lucrando bilhões enquanto exploram, demitem, sonegam impostos e destroem o meio ambiente.

7. Reforma agrária já: expropriar sem indenização, dividir e distribuir toda terra acumulada para quem precisa da terra pra viver. Renda no campo e comida na cidade!

8. Plano de emergência na pandemia: distanciamento total! Fim das verbas indenizatórias, das isenções fiscais, assistência às famílias desempregadas, que passam fome na periferia de Sinop.

9. Defesa do emprego: auxílio às pequenas empresas impossibilitadas pelas medidas protetivas e expropriação daquelas que demitirem durante a pandemia. Anulação das reformas da Previdência e Trabalhista: trabalhadoras e trabalhadores não podem ficar à mercê de empregos precários e falta de assistência em caso de doenças e desemprego.

10. Criação de empresas estatais de infraestrutura: que a classe trabalhadora possa decidir e executar as obras que realmente são importantes nos bairros. Geração de emprego e renda e fim da farra de empreiteiras.

11. Fim da taxa de lixo e estatização da coleta e tratamento dos resíduos: chega de empresas faturando com aterros sanitários e poluição. Emprego formal e segurança para as catadoras e catadores de materiais recicláveis de Sinop.

12. Transporte público gratuito e de qualidade: linhas de ônibus funcionais e frequentes em toda a cidade. Não podemos mais tolerar tantas mortes de ciclistas e motociclistas por falta de opções eficientes de mobilidade urbana.

13. Educação pública, de qualidade e sem riscos: suspensão das aulas e oferta das condições para que profissionais e estudantes não tenham suas vidas ameaçadas.

14. Fortalecimento da saúde pública: mais profissionais e recursos para salvar vidas nos hospitais e unidades de saúde. Estatização da saúde privada para atender pacientes com Covid-19.

15. Revogação do pagamento da dívida pública e da Lei do Teto: os recursos públicos são produto do esforço das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, não podem ser controlados pelos interesses de meia dúzia de banqueiros. Para enfrentar todos os problemas que atingem a nossa classe, é preciso parar de pagar a dívida pública e revogar as medidas que impedem que esses recursos estejam à disposição para resolver nossos problemas: a Lei do Teto dos Gastos e a Lei da Responsabilidade Fiscal.

16. Fora Bolsonaro, Mourão e Guedes: é preciso botar para fora Bolsonaro, Mourão, Paulo Guedes e toda a corja que ridiculariza as mais de 150 mil mortes pela Covid-19, além de jogar nas costas das trabalhadoras e dos trabalhadores a conta da crise econômica que se arrasta há anos. E, em Mato Grosso, é preciso combater Mauro Mendes e os prefeitos que se recusaram (e ainda se recusam) a garantir quarentena e evitar mais mortes.

Para não ficarmos reféns da eleição, é preciso organização!

O PSTU é um partido socialista e revolucionário. Socialista porque defendemos a necessidade de superar o sistema capitalista e construirmos um Brasil e um mundo socialista. Revolucionário porque acreditamos que não é possível fazermos essa mudança através de acordos com a burguesia ou através das instituições deste sistema, deste Estado, desta democracia dos ricos e muito menos de uma ditadura militar. Só uma revolução socialista, apoiada na mobilização e na organização dos trabalhadores e trabalhadoras pode dar fim a este sistema de exploração e opressão e abrir caminho para a construção do socialismo. Para nós o socialismo será mundial ou não será. Por isso o PSTU é parte e constrói uma organização revolucionária mundial, a Liga internacional dos Trabalhadores – LIT.

Em época de campanhas eleitorais é esperado que nossa atenção esteja bastante voltada para as notícias, propostas e polêmicas entre os candidatos. Mas queremos reforçar que, do mesmo modo que os problemas não deixam de nos afetar durante as eleições, não serão resolvidos magicamente após a troca dos mandatos. Vejamos o exemplo da Reforma Administrativa: no meio do período eleitoral (e da pandemia) o governo e o congresso querem aprovar um projeto de lei que pretende precarizar ainda mais os serviços públicos. Mas as trabalhadoras e trabalhadores que se organizam para enfrentar mais esse ataque mostraram que as eleições não suspendem as lutas: diversas manifestações estão acontecendo em todo o Brasil (em Mato Grosso e Sinop também) e devemos continuar nos organizando e lutando para derrubar essa ‘reforma’.

Se você também acredita que só a organização das trabalhadoras e trabalhadores pode nos oferecer as condições que precisamos para lutar contra esse sistema e seus governos genocidas, fazemos um convite para conhecer nosso Partido e nossas propostas. Visite a página do PSTU Sinop no Facebook, converse com nossos militantes para receber nossos textos e materiais e junte-se a nós!