Operação de ocupação da Rocinha. Foto: Erick Dau

O secretário da Polícia Militar, coronel Luiz Henrique Marinho, ainda teve a coragem de dizer que “a ação desta manhã é resultado de um trabalho de inteligência”. Que trabalho de inteligência envolve uma operação de guerra contra uma comunidade e interrompe serviços públicos essenciais? E termina, mais uma vez, em chacina!

É importante relembrar que as forças policiais do Rio foram responsáveis, entre janeiro de 2017 e junho de 2021, por 241 chacinas (quando há mais de três mortes resultantes do confronto armado). O número é equivalente a um caso por semana, em média.

Um estudo publicado recentemente demonstrou o impacto das operações policiais na educação pública: 74% das escolas do Rio tiveram pelo menos um tiroteio no entorno no ano de 2019. Os dados desse estudo demonstram que a exposição à violência gerou uma redução no aprendizado esperado de língua portuguesa e matemática.

É necessário acabar com a falácia da guerra às drogas, uma política racista, que, em mais de 30 anos, não avançou nada no sentido de acabar com o tráfico e serviu para justificar um autêntico genocídio da população negra e pobre. Além disso, cerceia o acesso a serviços essenciais, como educação e saúde! Fim das operações policiais em comunidades, já!

Para acabar com o tráfico de drogas, é preciso legalizar o consumo de todas as drogas e, ao mesmo tempo, controlar sua produção e venda.

Necessitamos de uma polícia única, controlada pelas comunidades, sem patentes, com seus oficiais eleitos democraticamente, com direito a sindicalização e plena participação na política nacional.

Por fim, defendemos a auto-organização dos trabalhadores e das trabalhadoras, dos moradores das comunidades e do povo pobre para se defenderem do crime organizado, do tráfico e das milícias e, também, da violência policial.