Foto Sergio Koei

Atnágora Lopes, membro da CSP-Conlutas e militante do PSTU

A vitória das mobilizações pelo “Fora Bolsonaro” do último dia 29, indiscutivelmente, fortaleceu nossa luta contra esse governo genocida. Todos e todas, organizações políticas, sindicais, populares e as centenas de milhares de pessoas que, mesmo em meio à pandemia, tomaram as ruas, saíram felizes pela força do movimento e, certamente, pensando na necessidade de continuarmos com novas iniciativas nas ruas até derrubar Bolsonaro e sua corja.

Sabemos que, convocadas pela “3ª Plenária Nacional da Campanha Fora Bolsonaro”, o seu amplo espectro de unidade foi, e segue sendo, um elemento determinante para darmos continuidade e potencializarmos a nossa luta. Pensamos que é a partir desse critério da unidade, difícil e caro de ser construído, que todos e todas, especialmente as direções das organizações, devem se pautar e lutar para preservar. Dentro disso, é mais que legítimo exercermos, cada qual, nossa liberdade, autonomia política e organizativa.

A convocação e realização da autointitulada “Assembleia do Povo na Rua”, ocorrida na noite de 1 de junho, portanto, é uma atitude legítima, embora tenha sido tomada isoladamente por algumas organizações políticas, que, aliás, deveriam se assumir publicamente ao convocarem tal iniciativa. Nós, enquanto CSP-Conlutas, Central Sindical e Popular, bem como uma representação de dirigentes do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) estivemos presentes nessa assembleia, mesmo não sendo parte de convocação, e pretendíamos defender o fortalecimento da necessária “4ª Plenária da Campanha Unitária Fora Bolsonaro” (onde devemos, juntos, apontar uma data comum e uma greve geral sanitária), mas tivemos nossas palavras vetadas pela coordenação da mesma, leia-se a UP (Partido da Unidade Popular) e o MES (Movimento Esquerda Socialista – Corrente interna do PSOL). Essa é uma postura lamentável e inaceitável entre as organizações de nossa classe.

Como na convocação da referida assembleia não se assumem como organizações, vimos que, além do MES e UP que dirigiram os trabalhos, também estava presente, e, com espaço destacado, a direção do PCB, e entendemos (foi o que nos foi possível interpretar) que os camaradas também corroboram com esse grave erro.

Camaradas, se nos tem sido cara a construção da unidade que foi capaz de lotar as ruas no dia 29, sabemos o quanto é difícil, porém, necessária e determinante para as próximas manifestações, bem como sabemos que essa unidade depende muito de cada um e cada uma de nós, mas, indiscutivelmente, depende também da vontade dos outros atores do movimento com quem nos relacionamos. Já o exercício principista da democracia operária, esta sim, depende exclusivamente de cada organização que a preserve e, nesse critério, a direção da Assembleia do Povo Na Rua conscientemente feriu esse princípio ao vetar a palavra à CSP-Conlutas e ao PSTU.

Reafirmo aos e às camaradas que a unidade é fundamental e, sim, ela se exerce ouvindo a base, o que também é fundamental. Mas para que haja unidade e para que se ouça de verdade a base, precisa haver democracia e respeito às diversas opiniões. Portanto, vetar a palavra de uma parte das organizações participantes da Assembleia, e que tem sido parte dessa construção coletiva, é um exemplo do que não se deve fazer. Ao fazê-lo, os organizadores e organizadoras da mesma passam a priorizar a construção de suas organizações e colocam em segundo plano a tão necessária unidade para lutar para pôr abaixo o governo Bolsonaro e Mourão, já!

– Todos e todas à “4ª Plenária Unitária da Campanha Fora Bolsonaro”;
– Por uma greve geral sanitária!

São Paulo, 2 de junho de 2021

Fraternalmente,

Atnágoras Lopes
Membro da CSP-Conlutas e militante do PSTU