A Guarda Municipal de Itajaí, munícipio de Santa Catarina, humilhou e espancou um jovem de 17 anos, que vendia alfajores na rua, no último dia 13.

O jovem que tentava tirar fundos para cursar escola militar e ajudar a renda familiar, no Brasil que aumenta cada dia mais o custo de vida e o desemprego assola a população, teve sua venda de doces interrompida pela abordagem da Guarda Municipal de maneira truculenta e violenta com mata leões e sendo derrubado no chão. No momento das agressões, a população revoltada tenteou amenizar o caso, porém a ação dos guarda foi de afastar as pessoas, ameaçando, jogando spray de pimenta e até com a arma em punho.

O caso repercutiu nas redes sociais, o que obrigou o prefeito Volnei Morastroni( MDB) pedir desculpas publicamente e afastar os guardas  de suas funções.  E para ajudar o jovem foi criado uma vakinha on-line  para arrecadar fundos, para que ele possa cursar a escola militar e ajudar no prejuízo que teve com ação da Guarda Municipal.

Este não é mais um caso isolado no Brasil e nem no mundo. A classe trabalhadora sofre na mão do Estados capitalistas e da violência gerada. É muito recente o caso do George Floyd e muitos outros que padeceram pela violência das abordagens das forças de segurança.

A natureza do sistema capitalista gera uma concentração cada vez maior da riqueza nas mãos de poucos e impõe, à enorme maioria da população, uma vida de penúria e necessidades cada vez maior. Reside nisso a fonte da desigualdade inerente ao capitalismo, da exclusão da ampla maioria da população dos frutos da riqueza produzida por ela própria.

E ninguém aceita por natural uma situação de injustiça tão flagrante que, por óbvio, gera insatisfação e resistência nos excluídos. Essa insatisfação, no capitalismo, só pode ser contida pela violência, na medida em que o sistema não permite atender as demandas das pessoas por uma vida melhor.

Num país de milhões de desempregados e famintos, trabalhar de forma autônoma para auxiliar a família e seus sonhos como fazia o Guilherme (lutar pela vida) se tornou um crime.

O empreendedorismo que a mídia, os políticos e os de de cima tanto falam, é somente mais uma falácia para enganar e iludir os pobres.

A família do Guilherme, assim como milhões de brasileiros, pagam seus impostos diariamente e diretamente quando compram o arroz e feijão, a carne, farinha, o açúcar e o fermento, quando utilizam  o gás e ou da energia elétrica e até na água que utilizam. Que sistema podre é esse, que trabalhar virou crime, pois quem passa fome não consegue pagar alvará, taxas e mais impostos, onde o grosso dos recursos arrecadados servem para alimentar os benesses, a corrupção dos políticos e a festa dos ricos.

A criminalização da pobreza e as investidas das forças de segurança contra a classe trabalhadora permanece firme no Brasil e no mundo. Todo camburão tem um pouco de navio negreiro. Por isso, é preciso fortalecer a luta contra a violência e os abusos praticados pelas forças de segurança contra a população. É preciso cobrar a punição de todos os que cometeram e cometem esses crimes contra a população, mas também organizar a derrubada deste sistema que usa  violência para oprimir e explorara a população.

Porém, sem destruir todo esse sistema capitalista – que é a raiz do problema da violência das forças de segurança contra os pobres e os trabalhadores – vamos seguir atacando os sintomas, mas não a doença, enfrentando as consequências e não a causa dos problemas. Essa é uma verdade que precisamos aprender e ensinar a todos e a todas.

Por isso, nós do PSTU chamamos os trabalhadores a se organizarem conosco e fazer uma frente contra toda  a violência e pela derrubada desse sistema que nos explora. Defendemos:

– JUSTIÇA PARA GUILHERME! Os Guardas Municipais envolvidos no caso devem ser expulsos da corporação e presos!

– Capitalismo e racismo matam! Morte ao capitalismo e ao racismo!

– Pela conformação de uma força policial controlada pelos trabalhadores e o povo pobre, com comandos eleitos e mandados revogáveis;

– Construção de um voluntariado civil, formado por membros de confiança da comunidade que receberão treinamento para combate aos crimes de menor periculosidade.