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Um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter condenado o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) por declarações a favor do fechamento do STF, Bolsonaro resolveu enfrentar a medida concedendo o perdão presidencial ao parlamentar golpista de ultradireita.

Segundo a imprensa, o governo preparou o decreto do indulto há semanas, antes mesmo do anúncio do julgamento, e tenta com essa nova provocação, insuflar suas bases para se cacifar para as eleições, ou mesmo empastelar o pleito e, tendo condições, partir para um autogolpe.

A condenação de Daniel Silveira só não é mais justa por ter sido tardia e branda diante das ameaças. Esse golpista ganhou notoriedade exaltando a execução de Marielle, a ditadura militar, defendendo o fechamento do Congresso e a perseguição de opositores. Ex-policial, Silveira se projetou em 2018 com as imagens da placa de Marielle quebrada, ao lado do ex-governador do Rio, Witzel. De lá para cá, construiu carreira em cima de discursos autoritários, intimidações e atos de pura covardia, como a invasão do Colégio Pedro II.

Não se trata aqui, como diz de forma cínica Bolsonaro e seus apoiadores, de uma questão de “liberdade de expressão”. Não se pode tolerar ameaças de quem justamente pretende acabar com toda a liberdade de expressão e demais liberdades, impondo novamente uma ditadura.

Defendemos a mais ampla liberdade de expressão, organização e manifestação, incluindo a liberdade de imprensa. Por isso, lutamos contra todas as medidas que representem um retrocesso autoritário. Por isso denunciamos a ultradireita, e também países capitalistas com regimes autoritários como China, Arábia Saudita, Cuba, Hungria ou Rússia, todos países que atacam as liberdades democráticas principalmente da classe trabalhadora.

Sabemos que vivemos numa falsa democracia dos ricos, no qual tudo é decidido de acordo com os interesses da burguesia, e que a repressão se abate contra os trabalhadores e o povo pobre que ousam se levantar contra isso, na qual até mesmo a pobreza é criminalizada. Isto tudo, evidentemente, tem a anuência e é sustentado também pelo Judiciário e o STF.

Mas o que Bolsonaro e gente como Silveira defendem é justamente extinguir essas restritas liberdades democrática que temos hoje, principalmente para a classe trabalhadora, para satisfazer os interesses de alguns grupos capitalistas. Querem impor novamente uma ditadura na qual não exista direito de expressão, manifestação, greve, etc., como forma de controle social para proteger os lucros e a desigualdade social. Posições que devem ser combatidas duramente, principalmente por aqueles que mais foram perseguidos pela ditadura: os trabalhadores, o povo pobre e os setores oprimidos.

Defendemos a imediata prisão e a perda do mandato desse golpista covarde. As ameaças de Bolsonaro, por sua vez, precisam ser fortemente rechaçadas e combatidas. Mas não depositamos confiança nenhuma no STF ou Congresso Nacional. O que pode colocar um freio nessa escalada intimidatória é a luta unificada e a organização da classe trabalhadora.

Fora Bolsonaro e Mourão, já!