Nas últimas semanas, o comitê de combate ao COVID-19 divulgou nota técnica que constrói parâmetros para reabertura e fechamentos das escolas. Para definição destes critérios a Prefeitura de Belo Horizonte levou em consideração o número de contaminados por 100.000 habitantes, taxa de vacinação dos trabalhadores em educação e o índice de transmissão da doença. A fórmula elaborada deu peso de importância a cada um destes fatores e o resultado obtido é chamado de índice de normalidade. Já a taxa de ocupação de leitos hospitalares não foi considerada neste cálculo.

Com base a estes critérios a prefeitura chegou às seguintes conclusões: BH está com um “índice de normalidade” de aproximadamente 70%, a expectativa é a de que no dia 21 de junho este índice esteja superior a 70%, desta forma, os estudantes de 0 a 12 anos podem ser atendidos presencialmente nas escolas. Tentam criar uma normalidade onde não existe. O prefeito Alexandre Kalil (PSD) desconsidera totalmente a situação alarmante da pandemia.

A nova cepa indiana, que provavelmente é responsável pelo recorde mundial de mortes (mais de 6 mil mortes por COVID em 24 horas) neste país, começou a se espalhar pelo mundo e já chegou ao Brasil. Para além das mortes relatadas por COVID-19, há o desenvolvimento de uma epidemia de um fungo mortal (mucormicose) que pode ter a letalidade de 50%. Já foram relatados 28 mil casos na Índia. Este fungo também já foi encontrado no Brasil e neste ano foram registrados 29 casos.

No Brasil, a média móvel de mortes chega a 1,9 mil por dia. Todos os especialistas apontam que estamos perto de uma terceira onda da doença, podendo ser superior, em termos de letalidade, em relação à segunda onda.

Em Belo Horizonte, o número de contaminados por 100.000 habitantes é de 421,9, a taxa de ocupação de leitos de UTI está em 76%.

Este é o quadro de 70% de normalidade da cidade de Belo Horizonte. Kalil adotou o discurso de que o povo tem de se acostumar com um novo normal, adaptar-se a pandemia, mesmo sabendo que isto significará aumento de mortes. Isso, no mesmo momento em que Bolsonaro resolveu fazer campanha contra o uso de máscaras. O que acaba por transformar o discurso de Kalil, num discurso nefasto. O que está por trás de tudo isso é o fato de que não dá mais para ficar em cima do muro. O espaço para as políticas de mediação se esgotou e não existem 3 possibilidades, mas apenas duas: ou combatemos a pandemia ou não combatemos a pandemia e convivemos com ela. Não dá para combater a pandemia mantendo as escolas abertas; é preciso fechar o que não é essencial e o essencial é aquilo que não pode parar para preservar a vida – saúde e estrutura de alimentação. E acima de tudo, é preciso ampliar a vacinação. Para estas coisas acontecerem não bastam frases de efeito, tem de ter um programa mínimo. Por isso defendemos uma renda básica, através de auxílio emergencial de pelo menos um salário mínimo, socorro às micro e pequenas empresas, medidas de proteção do emprego, inclusão digital para estudantes e suas famílias e garantia de vacinação para toda população. Esta garantia passa necessariamente pela quebra das patentes.

É inaceitável que continuemos a perder vidas humanas se o mundo tem tecnologia e capacidade de produção das vacinas. Isso significa ter coragem de se indispor com grupos empresariais que colocam o lucro acima da vida. No entanto, Kalil não está disposto a ir a fundo. A linha é mediar, abrir as escolas com poucas crianças, torcer para que os pais não enviem seus filhos para que não haja problemas maiores. Optou por ceder ao comércio, à indústria e as instituições privadas de ensino para não perder o apoio destes setores nas eleições de 2022. Com a população em geral mantêm o discurso populista, afinal diante do extremo absurdo do que são as declarações de Bolsonaro qualquer coisa parece bom.

O plano é que quando a terceira onda chegar, certamente fechará parcialmente a cidade, sem prevenção alguma. Milhares de vidas a mais serão perdidas e nada será feito para que isso seja evitado. A aposta é ganhar a consciência das pessoas de que nada de diferente poderia ser feito.

Nós do PSTU compreendemos que não existe um novo normal, e não é normal que tantas vidas sejam perdidas por decisões políticas de governantes e um pequeno grupo de pessoas que lucram com a nossa miséria. Existe solução, vivemos em um país e em uma cidade cuja produção da riqueza se amplia. Aplicar um programa de combate à pandemia só não é possível porque existe a concentração da riqueza no sistema capitalista. E é preciso a mais ampla unidade nas lutas para mudar este sistema e construir uma sociedade onde a vida seja mais importante do que o lucro de alguns poucos. Esta é uma tarefa necessária na atual conjuntura.

Fazemos um chamado para a participação nos atos pela vida, pelo fora Bolsonaro e Mourão, que vão ocorrer no dia 19 de junho. Vamos aos atos com todos os cuidados, pois não dá para ficar de fora. As políticas adotadas por estes governos matam mais que o vírus. Temos de apoiar e nos solidarizar com todas as greves sanitárias da educação e de outros setores e repudiar veementemente os governos que as atacam, como é o caso do prefeito Kalil. Quem ataca quem luta pela vida, apoia a política de morte.

  • Construir uma greve geral sanitária já!
  • Construir uma alternativa socialista, com base em organizações dos trabalhadores e do povo pobre para o país.