Ilaese lança estudo inédito sobre a realidade dos trabalhadores e do país, sob ponto de vista marxista

O Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos (Ilaese) lançou, no dia 3 de novembro, o terceiro número de seu Anuário Estatístico: O mapa da exploração dos trabalhadores no Brasil e no Mundo. Trata-se de uma iniciativa inédita a serviço da organização e da luta da classe trabalhadora no país. Inédita por vários motivos.

Em primeiro lugar, por ser uma tentativa de superar uma limitação comum na tradição marxista das últimas décadas. A limitação é a seguinte: utilizamos um discurso teórico abstrato marxista, quando falamos – no geral – de mais-valia, exploração, classes sociais e da revolução socialista. Mas quando tal análise é materializada no presente, falamos apenas de PIB, INPC, inflação, desemprego etc.. Ou se recorre a frases muito genéricas como “a vida está cada vez pior”.

O problema é que não é suficiente indicar a miséria, a carestia e por aí vai. Devemos ser capazes de vincular essas mazelas à necessidade do socialismo e da revolução como única saída consistente para elas. Esses índices que encontramos corriqueiramente, os chamados índices econômicos, estão baseados em metodologias burguesas. Principalmente o liberalismo e o keynesianismo. Os liberais acreditam ser possível resolver os problemas do capitalismo reduzindo o Estado. Os keynesianos acreditam que o capitalismo tem cura, desde que o Estado intervenha de maneira certa e adequada. Nos dois casos, os números que eles produzem não revelam a verdadeira natureza da forma social capitalista, mas a encobrem.

No esforço por superar esse quadro, o Anuário Estatístico do Ilaese oferece uma nova metodologia, ao apresentar os números de formas bem distintas. A sociedade é dividida não em indivíduos isolados com uma dada renda, mas em classes sociais. Demole-se a ideia burguesa oficial de desemprego, mostrando os desempregados como sendo uma pequena parcela do exército industrial de reserva. No Brasil, para cada trabalhador com emprego formal, temos dois no exército industrial de reserva.

No lugar da figura amorfa do PIB, mostramos as relações entre os distintos setores do capital e sua conexão: o Estado, a indústria, o comércio, os serviços e os bancos. O Estado não é contraposto ao mercado, mas indica-se como o mercado necessita do papel ativo do Estado como seu guardião e salvador. O mecanismo da dívida pública é apresentado não como algo agregado de fora por capitalistas malvados, mas como parte integrante da natureza do capital. O sistema capitalista inteiro é apresentado como a constante luta entre os distintos setores do capital para se apossarem de uma parcela da riqueza produzida pela classe trabalhadora.

Ranking de exploração e análise do país

Para tornar essas informações acessíveis à massa de trabalhadores, além dos dados gerais apresentados com esses novos critérios, o anuário exibe ainda rankings de exploração, produtividade, remuneração. Mostra a divisão do trabalho excedente produzido pela classe trabalhadora em lucro, impostos para o Estado e juros para os bancos. Mostra ainda a redução constante dos gastos públicos da União, estados e municípios em serviços essenciais como saúde, educação, pessoal e seu direcionamento à iniciativa privada por meio da terceirização e da dívida pública.

Em resumo, nossa metodologia não cria generalizações para ocultar a realidade e a exploração da classe trabalhadora, mas mostra a realidade por trás das generalizações dos números. Em nossos artigos, ela será aplicada para responder à questão fundamental de “por que tudo está cada dia pior”, ou seja, por que o Brasil está a descer a ladeira na divisão internacional do trabalho e no sistema internacional de Estados. Principalmente agora diante das novas transformações tecnológicas chamadas de Indústria 4.0. São examinadas as transformações na indústria, na conformação da classe trabalhadora, no comércio e nos serviços. A regressão do país é ilustrada com um exame atual do papel do trabalho altamente qualificado e do ensino superior, bem como examinadas as consequências do avanço da reprimarização da economia nacional. Ao final, arriscamos algumas hipóteses sobre o futuro do Brasil à luz desse quadro.

O anuário encontra-se disponível para venda em sua versão digital e física. O instituto coloca-se, ainda, à disposição para vendas em maior quantidade a sindicatos e movimentos sociais. Esperamos, assim, contribuir para as tarefas e necessidades colocadas para a classe trabalhadora brasileira. Em particular, superar o abismo entre a identificação dos problemas e a necessidade de uma revolução socialista como solução.

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