Haitianos encerram visita com grande ato na USP, em São Paulo

Delegação de haitianos no Brasil responsabiliza tropas brasileiras pela repressão desencadeada no paísO ativista Didier Domenique, membro da delegação haitiana que está no Brasil desde o dia 16, faz palestra na Faculdade Direito da USP – Sala dos Estudantes, no Largo de São Francisco, nesta quinta-feira, dia 25, às 19h. A delegação está no país para denunciar a intensa repressão no último período por parte das tropas estrangeiras no país – a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil.

Nas atividades das quais vêm participando, os haitianos estão fazendo um balanço da presença das tropas da ONU nos últimos cinco anos no Haiti e pedindo a retirada das tropas de seu país.

Fazem parte do grupo Carole Pierre Paul-Jacob, dirigente da organização Solidariedade das Mulheres Haitianas – SOFA; Frantz Dupuche, membro da Plataforma Haitiana em Defesa de um Desenvolvimento Alternativo – PAPDA; e Didier Dominique, membro da Central Sindical e Popular Batay Ouvriyer.

“O papel da Minustah é de justamente reprimir os trabalhadores e todos aqueles que se levantam contra o projeto de colonização do Haiti”, disse Carole Pierre Paul-Jacob, Para ela, o assassinato de um homem durante o funeral do sacerdore Gerar Jean-Juste, no último dia 18, é mais uma das brutais ações realizadas pelos soldados da ONU no país.

Desde que chegaram ao Brasil, já participaram de Audiência Pública no Senado (17/06) e palestras e debates em diversas capitais brasileiras.

A vinda da delegação foi organizada pela Conlutas, Jubileu Sul e outras entidades.

O mês violento
No último dia 18, soldados da ONU mataram mais um haitiano, durante o funeral de um sacerdote no Haiti. O funeral era de Gerard Jean-Juste, um aliado próximo do presidente exilado Jean-Bertrand Aristide, e logo se transformou em protesto contra a presença de tropas estrangeiras no Haiti.

Segundo testemunhas, o homem que morreu no dia 18 foi abatido por soldados brasileiros da Minustah. Cena que vem se repetindo no decorrer desse mês. Quando perceberam que uma pessoa havia morrido, os manifestantes começaram a quebrar janelas de carros e edifícios. Quatro pessoas pegaram o corpo da vítima e o colocaram diante do palácio presidencial haitiano.

Há cerca de três semanas, protestos dirigidos por estudantes e trabalhadores a favor de um aumento no salário mínimo no Haiti e contra a ocupação militar da ONU foram reprimidos pelos soldados. Uma universidade foi invadida e dois estudantes foram mortos pela ação repressora da Minustah.

Mais informações
As tropas da ONU lideradas pelo governo brasileiro já completaram cinco anos de ocupação do Haiti. O Brasil tem 1.200 soldados dos 7 mil da Minustah. Segundo o Ministério da Defesa do Brasil, o país gastou cerca de R$ 577 milhões durante os cinco anos de atuação no Haiti.

O Haiti, ex-colônia francesa, é o país mais pobre do continente americano. Grande parte da sua população vive na mais absoluta pobreza, com menos de 1 dólar por dia. A expectativa de vida é de apenas 45 anos.