Fotos Sindmetal/SJC

As trabalhadoras da Blue Tech e 3C, em Caçapava, e Sun Tech, em São José dos Campos, em nova assembleia, aprovaram por unanimidade a retomada das greves nas três empresas a partir desta quarta-feira (5). As paralisações haviam sido suspensas na última segunda-feira (3) à espera de audiências de conciliação na terça-feira (4), com a condição de que se não houvesse acordo as greves seriam retomadas. E foi o que aconteceu.

Na audiência conduzida pelo TRT da 15ª Região de Campinas, as montadoras terceirizadas propuseram o equivalente a 70% da indenização oferecida pela LG aos trabalhadores da fábrica de Taubaté. Acordo que incluiria uma indenização que varia entre R$ 12 mil e R$ 73 mil, conforme o tempo de fábrica e o salário de cada trabalhador; PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e extensão do plano médico até 31 de janeiro de 2022.

A proposta foi considerada discriminatória pelas trabalhadoras e trabalhadores das terceirizadas que, na prática, são responsáveis pela produção de 95% dos celulares da marca. Como destacaram por várias vezes as operárias, em Taubaté, é feito apenas o acabamento final. Ou seja, quem garante a produção de todos os celulares da marca são essas trabalhadoras terceirizadas.

A própria Justiça já reconheceu como “fraudulenta” a relação entre a LG e as três fornecedoras. Segundo decisão do Tribunal, assinada no último dia 27, a LG promovia terceirização fraudulenta na contratação das fábricas que, na prática, atuam exclusivamente para a fabricante coreana.

Segundo o Ministério Publico do Trabalho, que moveu a ação, existem todos os elementos de vínculo empregatício entre os trabalhadores terceirizados e a LG. A condenação determina que a LG regularize a situação de todos os empregados, registrando-os como seus. Em caso do não cumprimento, a empresa terá de pagar uma multa no valor de R$ 50 mil por cada trabalhador encontrado em situação irregular.

Multinacional quer se safar

Apesar de participar da audiência de conciliação, a LG simplesmente se negou a negociar e não apresentou nenhuma proposta. Informou, inclusive, que irá recorrer da decisão do Tribunal.

“Depois de lucrar por vários anos às custas da superexploração, através de terceirizações fraudulentas por vários anos, a multinacional sul-coreana simplesmente não quer se responsabilizar por mais de 400 demissões que sua decisão global de encerrar a produção de celulares irá causar. Não vamos aceitar essa demissão em massa e o calote que querem dar nos direitos sem lutar”, afirma o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.

Weller reafirmou que a luta por empregos e direitos poderia ser ainda mais forte, caso o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, filiado à CUT, tivesse unificado a mobilização, como reivindicou o Sindicato de São José e as trabalhadoras terceirizadas.

“Mas, o sindicato cutista optou por dividir a luta e priorizar uma negociação que selou a demissão em massa de mais de 700 trabalhadores em Taubaté”, criticou.

“Ô LG, preste atenção, sem as terceiras não tem produção”

A mobilização iniciada pelas operárias e operários terceirizados no dia 6 de abril ganhou repercussão nacional e internacional por enfrentar a decisão da LG e para garantir seus empregos e direitos. Foram 28 dias de paralisação, suspensa apenas nos dias 3 e 4 de maio para aguardar a audiência no TRT. Agora, as greves retornam e o clima é de indignação com a falta de sensibilidade e a ganância das empresas.

“O retorno foi uma decisão unânime e demonstra que somos mais fortes do que as empresas estão pensando. A gente não ia se deixar abalar, pois deixamos bem claro que a greve só foi suspensa para aguardar a audiência, o que garantiu o pagamento dos 28 dias parados. Agora, sem acordo, voltamos com mais união e disposição. A LG tem de nos respeitar e reconhecer nosso trabalho”, disse A., trabalhadora que tem participado ativamente da mobilização.

Os piquetes, que foram mantidos mesmo durante a suspensão temporária de um dia das greves, seguirão nas portas das três empresas. “Não vamos permitir que tentem retirar máquinas e equipamentos e ainda por cima nos dar calote. A nossa luta continua para defender nossos empregos e direitos”, afirmou.

Todo apoio e solidariedade às trabalhadoras(es) em greve

Nas várias manifestações realizadas desde o início da mobilização, as trabalhadoras e trabalhadores da Blue Tech, 3C e Sun Tech entoaram a palavra de ordem: “ô LG, preste atenção, sem as terceiras não tem produção”. Uma afirmação corretíssima que expressa uma realidade e que aponta a única forma de pressionar a patronal.

As greves nas três empresas terceirizadas da LG é um exemplo de que, apesar de todas as dificuldades e desafios impostos pela pandemia, somente a luta pode enfrentar os ataques das empresas e dos governos.

Essa luta precisa ser coberta de todo apoio e solidariedade para que possa ser ainda mais fortalecida e para pressionar a LG, as empresas fornecedoras que também lucraram muito às custas da exploração imposta aos seus funcionários, e governos, que até agora não se pronunciaram em defesa dos empregos. O PSTU estará ombro a ombro com essas operárias e operários.