Governistas rompem ato contra Obama no Rio de Janeiro

Após plenária vitoriosa, setores que defendem o governo decidem abandonar construção do ato, para não ter de criticar Dilma. Ato foi mantido e nova plenária está marcada para esta quinta-feira. Leia abaixo o texto da CSP-Conlutas“A todas as entidades e movimentos

A plenária de mobilização que ocorreu nesta quarta-feira, na sede do SINDIPETRO-RJ, foi uma vitória daqueles que defendem os interesses dos trabalhadores e estão contra a presença do presidente dos Estados Unidos, no Brasil, convidado pelo governo Dilma Rousseff.

Havia a percepção da maioria dos presentes no plenário que o presidente é negro, mas a casa é branca! A maioria pretendia fazer um ato para denunciar que o governo Dilma pretende assinar com o governo de Barack Obama acordos para uma maior entrega do petróleo brasileiro em especial do Pré-Sal. Para denunciar que o governo Dilma e o governo Obama pretendem assinar um Tratado de Cooperação Econômica e Comercial, retomando assim a derrotada política da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas). Um ato denunciando que o governo brasileiro dirige a ocupação militar do Haiti, fazendo o papel sujo para os EUA. Um ato que explicasse a nossa classe que Obama pretende buscar fôlego político para intervir militarmente contra a Revolução Árabe no Oriente Médio, especialmente na Líbia.

Os oradores das entidades filiadas a CSP-Conlutas como o Andes/SN-RJ, o MTST, a ANEL e de entidades não filiadas como o Sepe-RJ, reivindicaram os eixos políticos e as palavras de ordem construídas em nossa Secretaria Executiva Estadual aberta a outras entidades como:

• Obama persona non grata, GO HOME
• Fora Kadafi, viva a Revolução na Líbia;
• Viva a revolução árabe, fora as tropas imperialistas do Iraque e Afeganistão;
• Fora as tropas brasileiras, norte americanas e a Minustah do Haiti;
• Liberdade imediata para Múmia Abul Jamal;
• Não aos acordos comerciais com os EUA que entregam as riquezas nacionais e escancaram o país para o saque imperialista;
• Não ao Plano Colômbia e retirada das bases militares da América Latina;
• O Petróleo tem que ser nosso, não à entrega do Pré-Sal. Fim dos leilões.

Caminhava-se assim para a construção de um ato na sexta feira (18/03) que ajudava na luta dos trabalhadores contra o imperialismo e os planos do governo Dilma de redução dos direitos, arrocho salarial e a reforma da previdência. Porém faltava discutir em uma reunião menor os detalhes do Ato que ocorreria no domingo (20/03).

Em base ao discutido majoritariamente em plenário, a mesa condutora reuniu-se para uma entrevista coletiva à imprensa e para sistematizar a hierarquia dos eixos de mobilização, do ato de sexta e de domingo. Além disso, discutiria um plano para a realização efetiva do ato do dia 20/03. Contudo, após a coletiva com a imprensa, parcela das representações das correntes que formaram a mesa condutora da plenária, resolveram reduzir e subtrair eixos discutidos pelo pleno. As propostas destas correntes passou a ser que os atos exigissem apenas que Obama retire suas garras do petróleo, Contra as guerras, a ocupação militar e de apoio aos povos árabes em luta. Desta forma estas correntes desrespeitavam todas as palavras de ordem defendidas e apresentadas pelos representantes das entidades e movimentos, que participaram da plenária que havia acabado de terminar.

De um ato de luta em torno do chamado a retirar as tropas brasileiras norte-americanas e a Minustah do Haiti, contra os leilões do petróleo e a entrega do pré sal, contra os acordos que o governo brasileiro assinará com Obama, de fato retomando a ALCA, pretendiam reduzir a um ato que criticasse o imperialismo, mas poupando o governo brasileiro que é quem monta o palco para Obama e assinará os acordos lesivos aos trabalhadores e ao povo brasileiro. Rompem assim com a independência diante dos governos e com autonomia diante dos partidos. Mas não só, romperam com o espírito da plenária reunida momentos antes, romperam com o debate acumulado entre dezenas de ativistas e dirigentes que se reuniram em plenária e debateram um ato,mas que alguns pretenderam transformar em outra coisa.

Por tudo isso a CSP-Conlutas convoca uma nova plenária com todos que estiveram no auditório do SINDPETRO-RJ, para resgatar nossas bandeiras, eixos políticos de mobilização e palavras de ordem que foram amplamente majoritários e unitários na plenária e preparar assim os atos de luta deste final de semana em nossa cidade.
Todos à Plenária Para organizar o ato de luta conta a presença de Barack Obama no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, 17/03, às 18h, (na sede do SINDJUSTIÇA, na Travessa do Paço, nº 23, 13 andar:

Rio, 17 de março de 2011.
Secretaria Executiva Estadual da
CSP-Conlutas RJ
[email protected]
(21) 2509.1856