Ministro Milton Ribeiro e Bolsonaro Foto Carolina Antunes/PR

A Polícia Federal prendeu, na manhã de hoje (22), o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e pastores suspeitos de operar um balcão de negócios no Ministério da Educação (MEC), através da liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Milton Ribeiro foi preso às 7h, em Santos (SP) e deve ser levado para Brasília. Ele era investigado por corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. As investigações tiveram início em março deste ano, após o vazamento de áudios de uma reunião realizado no MEC entre o ex-ministro com prefeitos, líderes do FNDE e os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.

Na reunião, ele afirmou que sua prioridade era “atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”. Gilmar do Santos é um pastor amigo de Bolsonaro, líder do Ministério Cristo para Todos, uma das igrejas evangélicas da Assembleia de Deus em Goiânia.

Bolsonaro é o mandante do crime

Bolsonaro está atolado ate o pescoço no esquema, ele é o mandante. No áudio vazado, o ex-ministro afirma que a prioridade ao pastor “foi um pedido especial que o presidente da República fez a ele”. Ou seja, Bolsonaro fez um pedido direto de favorecimento a seus amigos pastores. Agiu como mediador de negociatas de verbas públicas do MEC.

Os pastores evangélicos Arilton Moura e Gilmar Santos cobravam propinas dos prefeitos para intermediar a distribuição da verba do FNDE. Um prefeito acusa a dupla de ter pedido uma barra de ouro para direcionar a verba à sua cidade.

A presença dos pastores lobistas era constante. Eles visitaram 127 vezes o MEC e o FNDE durante o governo Bolsonaro. O pastor Arilton esteve 90 vezes na pasta, o equivalente a uma vez por semana, considerando todo o período em que Milton Ribeiro esteve no cargo. A dupla de pastores visitaram o Palácio do Planalto 45 vezes, desde 2019. A relação dos pastores com Bolsonaro era tão próximas, que eles se faziam presentes em eventos oficiais.

A relação de Bolsonaro com a dupla de pastores e com a nomeação de Milton Ribeiro, também pastor, como ministro da Educação, é parte do loteamento de cargos que Bolsonaro realizou para criar uma base de apoio no Congresso para evitar o avanço de pedidos de impeachment. Ele deu aos grupos religiosos um palanque ideológico e influência sobre operações milionárias com dinheiro público, para seguir tendo o apoio deles. Assim, um dos principais grupos de sustentação política do presidente estava muito bem servido no acesso aos cofres do governo.

Quando esse tráfico de influências no MEC começou a ser denunciada pela imprensa, Bolsonaro saiu em defesa do ex-ministro. Em uma live, disse que colocaria a cara toda no fogo por Milton Ribeiro. Hoje, quando o barco começou a afundar e Bolsonaro viu que essa fato prejudica sua campanha de reeleição, mudou o discurso. “Ele que responda pelos atos dele” e “Se a PF prendeu, tem um motivo, e o ex-ministro vai se explicar”, foram suas falas à imprensa.

Governo genocida e corrupto

Bolsonaro fez do discurso anticorrupção uma das suas principais peças de campanha eleitoral. Mas o que assistimos em seu governo foi a continuidade e ampliação dos esquemas de corrupção.

Ao lado do genocídio, a corrupção tornou-se a marca do governo Bolsonaro. Foram muitos os casos de denúncias e acusações contra membros do governo. Em outubro de 2019, a PF indiciou o então ministro Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo, no inquérito da Operação Sufrágio Ostentação, acusada dos crimes de falsidade ideológica, associação criminosa e apropriação indébita.

Em abril de 2021, o então ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, foi acusado de dificultar a ação de fiscalização ambiental e patrocinar diretamente interesses privados de madeireiros investigados por extração ilegal de madeira. No mesmo mês, o governo federal teve de demitir George da Silva Divério do cargo de Superintendente Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro devido a uma suspeita de corrupção.

Em plena pandemia, mais uma denúncia de corrupção foi desvelada na Saúde. Documentos do Ministério das Relações Exteriores mostraram que o governo aceitou negociar a compra da vacina indiana Covaxin por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante.

Em junho do ano passado, o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias foi acusado de pedir propina para autorizar a compra de vacinas pelo governo.

Em abril deste ano, o jornal Estadão revelou que uma licitação bilionária do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) previa a compra de ônibus escolares com preços inflados.

O discurso de Bolsonaro de que em seu governo não tem corrupção não se sustenta. Com a prisão do ex-ministro da Educação esse discurso cai de vez por terra.

Cadeia neles!

Milton Ribeiro e os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos já estão presos, mas é preciso também prender o mandante do crime: Bolsonaro. Cadeia neles!

Prisão a todos os corruptos e corruptores e confisco dos seus bens.