Enterro dos traidores no Rio de Janeiro

A indignação e revolta dos servidores públicos com a atitude do governo em ter aprovado, a qualquer custo com manobras expúrias, a proposta de reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados estão cada vez mais demonstradas nas manifestações que vêm sendo realizadas em todo o país. As denúncias dos deputados que votaram contra os trabalhadores e a favor do projeto privatista do governo têm acontecido de várias formas.

Na última sexta-feira, foi vez o deputado federal Chico Alencar [PT/RJ], que se absteve na votação do texto básico da reforma da Previdência, conhecer de perto a decepção dos servidores públicos. O ato aconteceu no Largo de São José, no centro do Rio de Janeiro, onde o parlamentar costuma prestar contas das atividades de seu mandato.

Por volta das 13h, quando Chico Alencar chegou ao Largo de São José, cerca de 50 manifestantes já gritavam palavras de ordem contra a reforma, enquanto um grupo de petistas assistia ao protesto, entre eles os ex-deputados Milton Temer e Vladimir Palmeira. Os servidores carregavam três caixões, estampados com cartazes de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com fotos de parlamentares que votaram a favor do projeto do governo ou que se abstiveram, caso de oito deputados do PT, incluindo Chico Alencar.

Os manifestantes tinham carregado os caixões desde a Cinelândia, onde o ato começou. No Largo de São José, os servidores abriram um saco e tiraram bonecos com fotos dos deputados coladas na altura do rosto, entre elas uma de Chico Alencar.
Irritado ao ver o boneco com a foto de Chico, Milton Temer protestou e saiu em sua defesa. Os servidores reagiram chamando-o de traidor e pelego. Iniciou-se uma troca de empurrões entre manifestantes e petistas que se solidarizaram com Temer e por pouco a discussão não acaba em briga.

Chico tentou então explicar a razão de seu voto, falando ao microfone do carro de som levado pelos servidores. Durante quase meia hora tentou discursar, mas sua fala era abafada pelos gritos de traidor, também endereçados a Temer, quando o ex-deputado tentou discursar.

Por fim, Chico desistiu de discursar e foi embora, sendo seguido por um grupo de manifestantes que voltou a chamá-lo de traidor e covarde.

Depois que os parlamentares saíram, o ato prosseguiu, com os líderes dos servidores se revezando ao microfone, com críticas ao projeto do governo e aos parlamentares que votaram a favor das mudanças. A professora Marina Barbosa Pinto, presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense [Aduff], criticou o deputado Chico Alencar. Segundo Marina, Chico afirmou que não iria renunciar ao seu mandato porque este “ fora construído nas ruas ”. “Provavelmente é o movimento que vai renunciar a ele antes que ele tenha chance de renunciar”, afirmou a líder sindical.Fonte: Sisejufe