Eleições nos EUA atrasam negociações da Alca

No dia 10 de março, em Buenos Aires, Argentina, foi adiada a conclusão da Reunião do Comitê de Negociações Comerciais (CNC) da Alca. Isso mostra que permanece, desde Puebla, um quadro de impasse nas negociações, devido, sobretudo, à conjuntura eleitoral dos EUA.

Nesta reunião, os Estados Unidos seguiram propondo aos países do Mercosul que aceitassem fazer concessões reais em temas como serviços, investimentos, propriedade intelectual e compras governamentais, sem oferecer concessões no acesso ao seu mercado, especialmente o agrícola.

Como diz a declaração da Campanha Continental contra a Alca: “O impasse por si só não pode ser considerado uma vitória, uma vez que ele não significa o fim das negociações.”

Na verdade, se o impasse revela problemas do lado de lá, não há nenhuma mudança na posições entreguistas dos governos do Mercosul, especialmente do governo brasileiro. A rigor, o governo brasileiro a cada reunião apresenta posição mais entreguista. Foi a Buenos Aires disposto, declaradamente a abrir o tema serviços e compras governamentais em troca da abertura do mercado agrícola dos EUA. Em prol dos latifundiários e alguns mega-empresários, Lula está disposto a entregar totalmente a soberania do país e incinerar mais milhões de empregos em troca da venda de suco de laranja e alguns outros produtos aos EUA.

Bush, neste momento de eleição, não pode ceder sequer migalhas. Não pode desagradar uma de suas bases eleitorais, seus agricultores subsidiados. Os “democratas”, por sua vez, neste momento não estão muito interessados em falar da Alca, quando vários setores – especialmente os sindicatos – estão reclamando do desemprego causado pelo Nafta.

Mas uns e outros, depois das eleições, voltarão à carga e não é descartado que possam ceder migalhas em troca da recolonização completa do Brasil.

Só a mobilização dos trabalhadores e explorados do continente contra o imperialismo e os governos pró-imperialistas, como o de Lula, podem derrotar a Alca.

Por isso, a hora é de retomar com força a campanha. No mês de março devem ocorrer plenárias nos estados e, nos dias 14 e 15 de abril, a Plenária Nacional da Campanha.

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