Redação

O governo Lula vem aprovando medidas que atendem aos interesses da burguesia e dos grandes grupos capitalistas. O Arcabouço Fiscal já está quase aprovado e vai retirar verbas da Educação e da Saúde, para garantir a remuneração dos banqueiros. 

Agora, o governo está tentando impor a Reforma Tributária, no Congresso Nacional, que irá aprofundar a injustiça tributária, na qual os trabalhadores e trabalhadoras pagam muito mais impostos do que os ricos e as grandes empresas.

Junto com isso, o governo vem distribuindo isenções, benesses e incentivos para os grandes empresários, pagos evidentemente com dinheiro público.

Foram mais de R$ 250 bilhões no Plano Safra, só para as grandes empresas do agronegócio, que, é bom constar, pagam pouquíssimos impostos no Brasil. No ano de 2019, de toda a exportação do agro, foram pagos apenas R$ 16 mil em impostos. Só para as montadoras, no plano mais recente do carro popular, foram liberados R$ 800 milhões, para aquecer as vendas e engordar os bolsos dos donos destas empresas.

O governo também tem anunciado uma série de parcerias público-privadas, assim como a possiblidade de novas privatizações e concessões. E segue buscando “atrair investimento”; ou seja, vender o Brasil lá fora, para as multinacionais virem com toda sorte de “atrativos”, pagar um salário de miséria e ter muito lucro, sem nenhuma contrapartida para o povo.

Tampouco o governo tem feito algo para reverter as privatizações feitas por Bolsonaro, ou revogar as reformas Trabalhista e da Previdência de Temer. Assim como não revoga a Reforma do Ensino Médio, que destrói a Educação pública.

Governando com e para a burguesia

Os defensores do governo dizem que ele está fazendo tudo que pode, dada as condições no Congresso. Mas não é verdade. Afinal, não é que o governo esteja apresentando medidas de interesses dos trabalhadores e o Congresso Nacional as esteja barrando. 

Não! É o próprio governo Lula que faz as medidas ao sabor da burguesia. E, justamente por isso, tem sido elogiado pelos banqueiros e grandes empresários. O governo Lula, além disso, vem entregando bilhões ao Centrão, a uma velocidade recorde, para comprar apoio para os seus projetos. 

E mais: vem costurando um grande acordo com Arthur Lira (Progressistas), o Presidente da Câmara dos Deputados, para o trazer cada vez mais próximo ao núcleo do governo. Além disso, já colocou vários ministérios nas mãos da direita, como o União Brasil, e demais partidos que estavam com Bolsonaro até ontem. 

Enquanto isso, Lula e o PT seguem confiando cegamente que a Justiça, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou o Supremo Tribunal Federal (STF) darão um jeito para conter a ultradireita. Só que, ao governar com a burguesia, administrando essa brutal desigualdade social, e sem enfrentar os interesses dos capitalistas, não resta outro caminho ao governo que não seja um desgaste, ali na frente, como já aconteceu lá atrás. 

Em suma, ao se aliar à direita e fazer um governo da burguesia, Lula e o PT, ao contrário de enfrentar o bolsonarismo e a ultradireita, estão dando munição para eles. 

Para derrotar a ultradireita também é preciso enfrentar o governo

Muitos companheiros e companheiras têm discordado da nossa avaliação, dizendo que estamos focando muito no governo Lula e nos esquecendo da luta contra a ultradireita. 

Diante disto, só há uma resposta: Estamos convictos de que precisamos fazer todo o possível para enterrar, de uma vez por todas, a ultradireita. O problema é que não há como fazer isso confiando, defendendo e apoiando um governo capitalista, que diz que defende os trabalhadores, mas que faz tudo o que interessa à burguesia. 

Somos contra a ultradireita justamente porque sua política é impor uma grande derrota sobre a classe trabalhadora e tirar o nosso couro em nome dos interesses dos capitalistas. Então, não faz sentido algum, em nome da luta contra a ultradireita, apoiar um governo que, ainda que sob formas diferentes, governa para garantir os mesmos interesses da burguesia. 

Não se pode ter uma política de esquerda coerente se ela é omissa quanto ao governo de plantão, pois este mesmíssimo governo é o principal garantidor e implementador das vontades da burguesia.

Não é possível ficar como refém de dois blocos burgueses

Vivemos uma situação no país na qual parece que só existe a situação (apoio ao governo) ou a oposição (direita bolsonarista). O problema é que esses dois setores têm projetos capitalistas e em defesa de setores da burguesia. 

Infelizmente, não há, no Congresso Nacional ou dentre as maiores organizações de esquerda no Brasil, nenhuma posição coerente de independência em relação ao governo Lula, se contrapondo tanto ao governo capitalista do PT quanto à oposição de direita bolsonarista.

Hoje, o maior risco para os trabalhadores é ficar refém desses dois blocos, acreditando que a saída para os problemas em suas vidas passa por um ou por outro. Isto significa preparar o terreno não só para endossar os ataques aos trabalhadores, que o atual governo faz; mas, também, preparar o terreno para a volta da ultradireita. 

Por isso dizemos que, atualmente, uma tarefa urgente é construirmos uma oposição de esquerda e socialista no Brasil.

Construir uma oposição de esquerda e socialista

Há setores na esquerda que dizem abertamente que são governistas. Mas, há alguns que apenas não dizem nada. Não há como ter uma posição híbrida neste debate. É preciso definir se é situação ou oposição. 

Nestes marcos, dizemos “oposição de esquerda”, justamente para deixar bem explícito que não temos acordo algum com a política defendida pela direita bolsonarista. Criticamos e lutamos contra as medidas do governo desde um ponto de vista completamente antagônico ao da ultradireita.

A tarefa central desta oposição é explicar, pacientemente, aos trabalhadores o caráter, o que defende e o papel nefasto que cumpre o governo Lula. Assim como lutar contra os ataques, como o Arcabouço Fiscal e o Marco Temporal. 

Mas, também, ser uma oposição que tenha capacidade para, desde aí, seguir o combate implacável contra o bolsonarismo, não confiando que as instituições do regime burguês possam dar cabo de uma chaga inerente ao capitalismo. Só os trabalhadores mobilizados, organizados e com um programa socialista, podem levar até o fim esta tarefa.

Ser oposição de esquerda e socialista, hoje, é preparar os trabalhadores para construir um projeto de país que, de fato, atenda às necessidades da classe operária. Só assim é possível construir uma verdadeira alternativa à atual polarização política, que é bastante limitada devido à composição de classe dos dois blocos que estão disputando entre si.

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