Derrota dos EUA no Vietnã completa 30 anos

No dia 30 de abril de 1975, Saigon, capital do Vietnã do Sul e sede do governo fantoche dos Estados Unidos, caiu frente o avanço das tropas guerrilheiras vietcongues. O pânico era generalizado. Milhares de colaboradores do imperialismo tentavam fugir desesperadamente, buscando abrigo nos helicópteros que retiravam os funcionários da embaixada dos EUA. Por volta das 20h, os últimos marines partiram. Pouco depois, um tanque norte-vietnamita derrubou os portões da sede do governo pró-americano. Era o fim da guerra do Vietnã. Era também a maior derrota do imperialismo norte-americano na história.

1946-1954 – A primeira guerra pela libertação nacional
A península da Indochina era parte do grande império colonial da França. Na Segunda Guerra Mundial, depois da ocupação nazista na França e a instauração do governo fantoche de Vichy no sul do país, o imperialismo japonês, aliado de Hitler, aproveitou a situação para tornar a Indochina sua área de influência. Mas a derrota nazista na Europa e a rendição japonesa fez eclodir um poderoso movimento revolucionário anti-colonial que tomou o poder antes mesmo que os aliados pudessem lançar os olhos para a Indochina. Uma testemunha ocular da revolução dizia: “Horas depois da notícia (rendição do Japão), desencadeou-se uma tempestade social de tais proporções que poderia ter sido derrubado qualquer coisa”.

O novo governo, formado pelo Vietmin (movimento que reunia o Partido Comunista do Vietnã -PCV e nacionalistas), no entanto, iniciou uma serie de “diálogos” com os representantes do imperialismo francês, britânico e americano que tinham como objetivo recolonizar o país. Tendo o poder nas mãos o PCV, sob as ordens diretas de Stalin, convocou a população de Saigon a saudar um destacamento militar britânico que desembarcava no país, em setembro de 1945. Pouco depois o PCV ordenou a extinção dos Comitês do Povo e das organizações revolucionárias que tinham se proliferado durante a revolução. Dirigentes trotskistas, com grande influência de massas, começaram e ser perseguidos e assassinados pela polícia política stalinista, entre eles, o célebre Ta Thu Thau.

De nada adiantaram os esforços da burocracia stalinista. A burguesia francesa não estava disposta a entregar pacificamente a sua ex-colônia. Em novembro de 1946, a marinha francesa atacou um porto de Hanói, assassinando milhares de vietnamitas. Foi o começo da primeira guerra de libertação nacional do Vietnã. O Vietmin, obrigado pelas circunstâncias, retirou-se para o campo, dando início a uma prolongada guerra de guerrilha contra o inimigo francês. O preço da colaboração do PCV no período anterior foi alto. Milhares de vietnamitas foram massacrados pela agressão imperialista. Somente em maio de 1954, as tropas coloniais francesas foram derrotadas, na batalha de Dien Bien Phu, fato que pôs fim à guerra.

Segunda guerra do Vietnã
O desastre militar do imperialismo francês na Indochina resultou nas negociações de paz em Genebra. Sob a pressão da URSS e da China, os comunistas vietnamitas aceitaram no acordo a divisão do país ao longo do paralelo 17. Assim surgiram dois Vietnãs. O do Norte, controlado pelos comunistas e o do Sul, administrado por fantoches imperialistas. Nos acordos celebrados também foram marcadas eleições para dois anos depois, a fim de “reunificar o país”.

Contudo, os EUA aproveitaram esse período para pouco a pouco ir tomando o lugar dos franceses na Indochina. Ngo Dinh Diem foi alçado como governante do Vietnã do Sul pelos EUA. Logo depois Diem, com apoio dos ianques, declarou que não faria eleição alguma, rompendo com o acordo de Genebra. Ele também lançou uma ofensiva contra os camponeses, tentando devolver as suas terras aos latifundiários.
Durante a guerra contra a França nos territórios ocupados pelo Vietmin o latifúndio foi abolido e a terra distribuída entre os camponeses pobres. Os acordos de Genebra, contudo, fizeram o Norte ceder esses territórios para ao Sul capitalista.

Quando se tornou óbvio que não haveria eleições e de que Diem buscava restaurar as relações de classe do período anterior, os camponeses iniciaram a guerra de guerrilhas contra o governo títere. Em 1960 foi fundada a Frente Nacional de Libertação Nacional (conhecida também como Vietcongues). Entre os anos de 1960 a 1965, a presença militar norte-americana aumentou de 900 soldados para 180 mil. Faltava pouco para a guerra total contra o Norte. O objetivo do imperialismo era derrotar as forças de Ho Chi Min (líder do Vietnã do Norte) e impedir que o ascenso revolucionário tomasse conta da região impulsionado pelo exemplo da revolução Chinesa (1949) e pela luta anti-colonial desenvolvida pelos povos asiáticos. O pretexto para a guerra foi o ataque infligido por norte-vietnamitas contra os navios militares norte-americanos USS Madox e USS C.Turney no golfo de Tonquim.

Posteriormente, foi comprovada a atitude provocadora do imperialismo que possibilitou ao presidente norte-americano, Lindon Johnson, uma autorização do Congresso para ampliar o envolvimento militar na região. Johnson finalmente ordena um massivo bombardeio contra o Vietnã do Norte na virada de 1964-65. A partir daí a guerra se amplia.

Combates
Mais de 540 mil soldados dos EUA já estão nos campos de batalha na Indochina em 1969. Com notável superioridade bélica, os norte-americanos e seus aliados obtiveram considerável sucesso na região rural nos primeiros anos de guerra. Às custas de imensos massacres contra as aldeias de camponeses vietnamitas, avançaram até o Planalto Central do país. A iniciativa da ofensiva militar ainda estava em suas mãos. A rota de suprimentos dos vietcongues, conhecida como trilha Ho Chi Min, recebeu uma carga de bombas maior, entre os anos de 1967 a 1971, do que durante toda a Segunda Guerra.

`CriançasA destruição era brutal. Bombas incendiárias de fósforo, napalm e o célebre Agente Laranja eram atirados sobre a população indiscriminadamente. Calcula-se que mais de um milhão de norte-vietnamitas foram mortos. O jornalista norte-americano Momer Bigart, do New York Times, descreveu assim a situação: “Os conselheiros americanos assistiam à execução sumária de prisioneiros de guerra do Vietcongue. Encontraram corpos carbonizados de mulheres e crianças em aldeias destruídas por napalm”.

Luta no coração do império
O recrutamento de jovens para lutar no Vietnã e a divulgação de notícias como esta resultaram na explosão de um poderoso movimento antiguerra nos EUA. Milhares foram às ruas para protestar contra a guerra. Ex-combatentes estavam na vanguarda do movimento, denunciando as atrocidades cometidas pelo exército. Os protestos colocaram a opinião pública do país contra a guerra e desmoralizaram a moral das tropas. No entanto, os generais ianques insistiam numa vitória para breve. O General Wetsmoreland dissera que “já podia ver a luz no fim do túnel”. Mas todos tiveram que engolir suas palavras.

A ofensiva dos vietcongues
Em 30 de janeiro de 1968, os vietcongues realizaram a surpreendente ofensiva do ano Tet (ano lunar chinês) sobre 36 capitais de provincias sul-vietnamitas, 64 capitais de distritos e 50 aldeias. O principal alvo foi Saigon, capital do Sul. Não fosse a rápida reação norte-americana em reconquistar a cidade, a guerra teria terminado naquele momento.

Agora a ofensiva militar passava paras as mãos dos vietcongues. A ofensiva Tet resultou numa tremenda derrota política dos EUA, obrigando Washington a iniciar negociações em Paris. Johnson teve que abrir mão de sua reeleição diante da hostilidade à guerra pela opinião pública.

Daí por diante, a guerra passou por uma fase de poucos combates, a retirada gradual de tropas norte-americanas e a transição para uma guerra convencional entre o Sul e o Norte. Em 1973 restavam poucos soldados norte-americanos no Vietnã, mas os EUA continuavam a enviar armas para o Sul. Fragilizado e sem poder contar com a maciça presença militar no seu território, o Sul não resiste à ofensiva norte-vietnamita e Saigon cai em 30 de abril de 1975. Além da histórica derrota, os EUA perdera mais de 50 mil soldados nos combates nas úmidas florestas da Indochina. A derrota enfraqueceu e desmoralizou o imperialismo, dando impulso as lutas dos povos do mundo inteiro.