Mais de mil delegados e delegadas estarão presentes no Congresso Nacional da CSP-Conlutas | Foto: Sindmetal SJC/Divulgação
Redação

Atnágoras Lopes, do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém (PA); Marcela Azevedo, do Movimento Mulheres em Luta (MML); e Herbert Claros, do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região (SP)

Praticamente todas as organizações sociais e políticas da esquerda brasileira estiveram juntas num movimento que, ao final, interrompeu eleitoralmente o governo da ultradireita, capitaneado por Jair Bolsonaro, e isso inclui a Central Sindical e Popular (CSP)-Conlutas, que chamou voto crítico em Lula/Alckmin no segundo turno das eleições e que, agora, entre os dias 7 à 10 de setembro vai realizar, na cidade de São Paulo, seu 5º Congresso Nacional.

Com o lema ‘O lugar onde as lutas contra os governos, patrões e toda forma de opressão se encontram’, o evento vai reunir mais de mil ativistas e lideranças do movimento sindical, popular, de luta contra as opressões e de juventude que, diferente da ampla maioria das maiores centrais sindicais do país, se coloca numa linha de oposição de esquerda ao governo Lula/Alckmin.

Para essas lideranças, que também defendem punição à todos os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, motivos não faltam para se postularem à esquerda de um governo que se diz de “esquerda”. Aliás, trata-se de uma necessidade. “Trata-se de se pautar pelo princípio da independência de classe e de seguir a luta em defesa das pautas mais emergenciais e históricas da classe trabalhadora brasileira. E, isso deve ser feito enfrentando o governo Lula/Alckmin e sua submissão aos interesses da banca internacional”, afirmam teses que serão debatidas no Congresso da CSP-Conlutas.

O 5º Congresso Nacional da CSP-Conlutas será realizado de 7 a 10/09 | Foto: Romerito Pontes

Delegações de Norte a Sul do Brasil

Já a partir desta segunda-feira, 4 de setembro, algumas delegações já começam a cortar as estradas brasileiras vindas do Norte e Nordeste do país rumo ao 5º Congresso da CSP-Conlutas. Iniciam um movimento que, no dia 7 de setembro, vai desembocar num plenário de abertura dos trabalhos que, também, vai contar com presença de 40 mais lideranças do chamado sindicalismo alternativo internacional. São ativistas que estiveram à frente de piquetes de greves na Inglaterra e França. Uma delegação de lutadores da África, Palestina e América Latina, como chilenos e equatorianos que realizaram mobilizações de massa em seus países. A delegação internacional ainda inclui, destacadamente, uma enfermeira e um dirigente operário, ambos combatentes da “resistência ucraniana contra a guerra opressora imposta por Putin e suas tropas”, como afirmam documentos e campanhas, hoje desenvolvidas pela CSP-Conlutas.

Isso mesmo, diferente de todas as outras centrais sindicais brasileiras, a CSP-Conlutas apoia a resistência operária ucraniana, denuncia a opressão russa e, ao mesmo tempo, combate os interesses imperialistas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na região e se opõe ao governo Zelensky.

Enfrentar a política econômica de Lula/Alckmin

Enfrentar a política econômica de Lula/Alckmin, seu teto de gastos chamado de ‘Arcabouço Fiscal’; sua reforma tributária, que só muda de nome e continua penalizando a taxação do consumo das famílias trabalhadoras, enquanto deixa isento de impostos as grandes empresas, os bancos e os bilionários.

Também enfrentar os ataques aos serviços e servidores públicos que acabam de receber do governo uma proposta de ‘reajuste salarial’ quase dez vezes menor que o orçamento deixado pelo genocida no ano passado para este fim.

Exigir uma verdadeira política ambiental e a demarcação e a titulação de todas as terras indígenas e quilombolas. Ddizer não ao Marco Temporal, exigir reforma agrária, sem indenização do latifúndio e do agronegócio” e ainda exigir do governo uma política urbana de infraestrutura e construção de casas populares para acabar com o déficit de mais sete milhões moradias que aflige o nosso povo.

Essas são algumas bandeiras que se levantam no 5º Congresso Nacional da CSP-Conlutas e que se somam a muitas outras, gerais ou específicas, como ,a necessidade de dobrar imediatamente o valor do salário mínimo; garantir todos os direitos trabalhistas e sociais aos trabalhadores e trabalhadoras de plataformas digitais; e ainda denunciar Lula por se contrapor a revogação de 100% das reformas trabalhista, previdenciária e do Novo Ensino Médio.

Luta contra a exploração e a opressão

Mulheres, negras e negros, LGBTIs, indígenas, quilombolas, imigrantes e a juventude estudantil estarão no congresso para, junto com o movimento sindical, impulsionar o enfrentamento ao genocídio do povo negro; para lutar contra o aumento da violência machista e as condições que mantém o Brasil na liderança dos assassinatos de pessoas LGBTIs; para denunciar a falta de investimento público em políticas de combate às opressões e o já conhecido método de Lula de rifar pautas históricas dos movimentos, como a legalização do aborto, em troca de alianças com setores conservadores.

É com esse conjunto de proposições que, sim, o 5º Congresso da CSP-Conlutas se coloca, como oposição de esquerda ao quinto governo do PT com a burguesia. E, é “em defesa dos interesses de nossa classe que devemos fazer desse nosso Congresso um ponto de apoio para que se amplie a unidade de ação, as mobilizações, paralisações e greves e possamos nos pôr em movimento, enfrentar os governos, os patrões, e lutar contra toda forma de opressão e apostar na superação da sociedade capitalista.

Fortalecer a CSP-Conlutas como uma alternativa classista, democrática e de luta | Foto: CSP-Conlutas/Divulgação

Fortalecer a CSP-Conlutas

Há 17 anos estamos construindo o projeto de uma Central Sindical e Popular, a CSP-Conlutas. Um projeto que vem sendo forjado com muita luta, com autonomia e independência de classe e com democracia operária.

Esse 5º Congresso Nacional da CSP-Conlutas enfrenta enormes desafios, que serão enfrentados em unidade com diversos setores da classe trabalhadora — da cidade e do campo —, com os povos indígenas e quilombolas, com ativistas dos movimentos de luta contra as opressões e com a juventude, sustentados pela democracia operária, apostando do método da mobilização como instrumento de luta, que se pauta pelo internacionalismo e pela estratégia da construção de uma sociedade socialista, sem castas, burocracias ou privilégios.

É essa química que é capaz de fazer, nesses quatro dias de setembro (7 a 10/9), levantar a chama daqueles e aquelas que acreditam que “outros outubros virão”!

Vamos juntos ao rumo ao 5º Congresso Nacional da CSP-Conlutas.

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